COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

2012, O ANO EM QUE FICAMOS INTELIGENTES

Marque o dia 2 de julho na sua agenda. Pode ser a data de uma reunião histórica para o futebol e aqueles que preferem ver os jogadores decidirem partidas e campeonatos.

É neste dia que a Fifa pretende autorizar a utilização da “tecnologia da linha de gol” em torneios oficiais. Se você é um indignado com o fato de a arbitragem de futebol ser, talvez, a única atividade humana que não se moderniza por opção, pesquise os preços de passagens para Kiev. A capital da Ucrânia é o local mais provável desse encontro transcendental, já que a final da Euro 2012 está marcada para a véspera na cidade, e, logicamente, todos os ternos importantes do futebol mundial lá estarão. De repente vale a pena organizar uma manifestação na frente do hotel.

Enquanto você perde tempo lendo essas linhas, os afáveis senhores do International Board – os proprietários do livro de regras do futebol – estão reunidos em Surrey (ING), discutindo até altas horas da noite as possíveis alterações no jogo. Os resultados dos testes feitos por um instituto de pesquisas tecnológicas da Suíça serão analisados durante o fim de semana. Oito sistemas, entre eles o “Olho do Falcão” utilizado no tênis, passaram pelas avaliações. Os parâmetros são rigorosos em termos de precisão e tempo para notificar o árbitro.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, acredita que pode convencer o Board a autorizar o uso do sistema que emergir (e que ganhará um contrato milionário, claro) como o mais indicado a resolver dúvidas em lances de gol, mas sofre oposição de seu colega da Uefa – e provável sucessor – Michel Platini. O dirigente francês entende que a frequência de polêmicas envolvendo esse tipo de jogada não justifica a introdução da tecnologia no futebol. Imagine como ele se sentiu ao ver a barbaridade que aconteceu no clássico entre Milan e Juventus, no sábado passado.

Blatter se decidiu sobre a necessidade de resolver o problema após o jogo entre Inglaterra e Alemanha, na Copa de 2010. O gol não validado de Frank Lampard levou o cartola a dizer à BBC, ontem, que não cogita testemunhar a mesma situação em outra Copa do Mundo. O Mundial de 2014, no Brasil, pode ser o primeiro em que 100% dos gols, validados ou não, serão marcações corretas.

Uma decisão favorável no começo de julho significa que as competições interessadas poderão dar este gigantesco salto na caminhada da humanidade, rumo a jogos de futebol com placares coerentes com o que se passou em campo. Mas antes é preciso passar pelo colégio eleitoral do International Board. As associações de futebol da Inglaterra, Irlanda, País de Gales e Escócia têm um voto cada. A Fifa, que representa os outros países no conselho, tem quatro. Seis votos são necessários para que o sagrado livro de regras seja atualizado.

Se você precisa encontrar um assunto para concordar com Joseph Blatter, aí está. Se acha que os erros de arbitragem estão na origem da emoção do futebol, lamento. O jogo está prestes a evoluir.



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