CAIXA-POSTAL



De volta!

Aos assuntos das últimas semanas:

André escreve: No final da maravilhosa temporada do Porto no ano passado, você escreveu um post dedicado ao surgimento do André Villas Boas como um técnico super moderno, uma das grandes promessas de renovação do futebol e sobre a tremenda oportunidade de comprovar tudo isso no Chelsea. Hoje sabemos que o “tudo isso” ainda não está comprovado e que o mais provavel é que sua passagem pelo Chelsea será marcada por fracasso (meio forte a palavra, mas no final das contas é isso mesmo) e demissão. A sua opinião sobre ele mudou depois desses meses de “insucesso” (para usar uma palavra mais tranquila) no Chelsea? Se você fosse o presidente de algum dos super times (Real, Barcelona, ManU, Inter, etc) que podem escolher quase quem eles quiserem para treinador, contrataria o Villas Boas?

Resposta: Não me lembro de ter me referido a Villas-Boas como um técnico “supermoderno”. Escrevi, sim, sobre seus métodos de trabalho, mais relacionados à parte humana do jogo, à motivação dos jogadores. Não há possibilidade de um treinador tão jovem como ele ter conquistado o que conquistou no Porto sem méritos. O que se passa é que, entre os grandes clubes da Europa, talvez o Chelsea seja o time mais difícil de dirigir. A base de jogadores experientes do elenco (Zech, Lampard, Terry e Drogba) é formada por futebolistas que já passaram pelo auge, mas ainda têm nome e status. O que se diz na imprensa inglesa é que AVB luta contra esse “poder” no vestiário, por ter a intenção de renovar o time. Ele cometeu erros, claro. A escalação do time no jogo contra o Napoli foi um deles. Mas não conhecemos a situação interna e os motivos das escolhas que fez. Eu manteria Villas-Boas no comando do Chelsea, e, sim, o contrataria para meu clube. Creio que ele terá uma carreira de sucesso.

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Felipe escreve: Evidentemente que sabemos que o Barcelona atual é merecedor de todos os elogios, todos os adjetivos impressionados e lisonjeantes que recebe e muitos mais (em que pese a campanha abaixo do que pode no Campeonato Espanhol). Mas será que esse time não teve um salto de desempenho após ter vencido a Liga dos Campeões em 2008/09? Porque, antes, mesmo sendo um time bom, estava em pé de igualdade com outros bons times da Europa, como Chelsea, Manchester United, o Milan de então… na final em Roma, então, havia até mais palpites a favor do Manchester United. Só que, ao vencer aquela final, e do jeito que venceu, foi como se aquele time – e, por tabela, Guardiola – dissesse: “Estamos aqui para ser superiores a todo o resto.” Não concorda?

Resposta: Sim. Aquela foi a temporada em que o Barcelona ganhou todas as competições que disputou, na Espanha e na Europa. Sempre haverá debate sobre qual “versão” do Barcelona de Guardiola é a melhor (para mim, é a de 2010/11), mas é certo que, em 2008/09, ficou claro que estávamos vendo algo diferente.

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Mário Sérgio escreve: Presumo que vc assistiu ao documentário “Jordan Rides the Bus”. Comente, por favor.

Resposta: Assisti, sim (trata da decisão de abandonar o basquete e tentar se tornar um jogador de beisebol, em 1993. Faz parte da série “30 for 30”, da ESPN). Achei bom. A impressão que o documentário deu é que Jordan imaginava que deixar a NBA faria com que toda a atenção sobre ele diminuísse. E que sua tentativa de mudar de esporte se daria sem a presença maciça da mídia e o interesse do público. Se ele pensou assim, equivocou-se. Há também uma certa busca pelos motivos que o levaram a tomar tal decisão e o impacto da morte de seu pai, que sempre quis que MJ fosse um jogador de beisebol. O filme não encontra respostas definitivas, mas talvez elas não existam. Achei interessante como fonte de informações sobre a passagem de um superastro do esporte num ambiente sem glamour, como é a rotina de um time de beisebol das ligas menores.

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Sérgio escreve: Olá André. Fui assistir “Moneybal” e fiquei curioso sobre a possibilidade de algo parecido acontecer no futebol, guardadas as diferenças entre os esportes. Você sabe de algo a respeito?

Resposta: Sim. Novas formas de avaliar jogadores já estão em prática na Europa, especialmente na Inglaterra. Clubes como Manchester City, Arsenal e Liverpool têm analistas de números em suas folhas de pagamentos. Um dos executivos do Liverpool (hoje sob o comando dos mesmos donos do Boston Red Sox), Damien Comolli, tem estreitas ligações com Beane. Esse assunto é cercado de muito segredo, pois, obviamente, os clubes estão interessados em vantagens sobre seus concorrentes e o fluxo de informações é restrito. Mas eu diria que o clube de ponta nessa área, hoje, é o Manchester City. Escrevi a respeito numa coluna que publiquei no jornal, aqui.

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Obrigado pelas mensagens. A conversa continua no próximo sábado.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)



  • Guilherme

    Parece que o André Villas Boas sofre do mesmo problema que o Felipão sofreu, no Chelsea não se pode deixar os medalhões de fora que eles ja chiam e como eles são os lideres do vestiario, todos os jogadores fazem corpo mole

  • Juliano

    André, onde podemos encontrar este documentário do Jordan? A ESPN exibiu ou exibirá por aqui?
    Abraço!

  • Danilo Xis

    André, eu concordo que o Barcelona explodiu em 2008/09 mas o momento da explosão foi no gol do Iniesta contra o Chelsea, o gol que classificou o Barça pra Final da UCL…
    Naquele jogo nada dava certo para o Barça, time com 1 a menos, o Dani Alves errando todos os cruzamentos, o Samuel e o Messi jogando mal porque estavam encaixotados na marcação da zaga do Chelsea e simplesmente surge uma oportunidade para o Iniesta fazer o gol com muita gente na frente dele. Ali acho que foi o momento da “explosão” do Barça. Abs

  • Juliano

    André, ou alguém que saiba (porque o Google não sabe): pra onde foi o atacante Diogo, com passagem pelo Flamengo e pelo Santos em 2011. Este ano ele não está no elenco santista. Foi pra onde? Tenho pena do lugar onde ele está… é ruim demais, doente do pé!

  • Mário Sérgio

    Obrigado pela resposta. É difícil encontrar respostas definitivas, muitas vezes nos esquecemos que os superastros também são humanos, com suas angústias, medos e desejos. Talvez simplesmente ele quisesse paz pra absorver melhor a perda do ente querido. Enfim, um ponto interessante é a melhora significativa de seus índices no beisebol com o passar do tempo. Dá pra imaginar que se desde sempre fosse esse o esporte escolhido, é possível que em alguma estatística ele obtivesse bom destaque.

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