CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

DEZ, NOTA DEZ…

A conversa no restaurante próximo ao Santiago Bernabéu entrou pela madrugada. Horas antes, o Barcelona tinha vencido o Real Madrid por 3 x 1, em dezembro passado. Três jornalistas brasileiros, dois argentinos e dois mexicanos, impressionados com o que tinham acabado de ver. O papo logo chegou a Lionel Messi.

“Ele não sente a camisa…”, disse o argentino mais velho, puxando a própria camiseta para demonstrar por que, na opinião dele, Messi não pode ser comparado a Maradona. Referindo-se à seleção argentina e relembrando os heroísmos de Diego na Copa do Mundo de 1986. Mas ele não exige que Lionel “ganhe uma Copa sozinho” (como se isso fosse possível) para se igualar a Maradona, ou superá-lo. Quer apenas ver o superastro do Barcelona “sentir” a camisa celeste e branca como seu ídolo fazia.

O argumento não convenceu o compatriota na mesa, que também chorou em 86 e viu Diego Maradona no auge. E perdeu qualquer chance de convencer os outros quando a questão posta na mesa passou a ser: qual dos dois é melhor? “Não estamos falando sobre isso…”, ele diz. O futebol é tão apaixonante que até argumentos subjetivos são utilizados para elogiar ou criticar, dependendo de quem se trata. Messi sofre com esse tipo de análise em seu próprio país.

Objetivamente falando, se o assunto é a qualidade de Messi como jogador, não faz nenhuma diferença se ele “sente” ou não a camisa de sua seleção. Seu currículo em Copas também não deveria importar, uma vez que futebol não é tênis. Quem cobra de um futebolista a conquista de um Mundial para aceitar sua grandeza, está, apenas, o responsabilizando pelos defeitos de outros. Principalmente porque, hoje, as amostras são mais significativas e numerosas do que em outras épocas.

A Copa do Mundo não é mais o único ambiente em que os melhores jogadores do planeta se medem. A Liga dos Campeões da Uefa nos oferece esse encontro anualmente, por um período muito superior a um mês e com os jogadores em plena forma. O que vimos Messi fazer até hoje, aos 24 anos, já deveria ser suficiente. Sim, o futuro pode – PODE – lhe reservar um lugar exclusivo.

Exagero? Se Lionel Messi fosse brasileiro, Maradona já teria ficado para trás. E ninguém estranharia ao ouvir seu nome e o de Pelé, o Rei do futebol, na mesma conversa.

FOCO

Este deveria ser um debate sobre futebol, estimulado pelo gosto por futebol. Deveria ser protegido de sentimentalismos, clubismos e nacionalismos. No Brasil, como sabemos, costuma-se valorizar os números de Pelé para diminuir Maradona, e diminuir os números de Schumacher para valorizar Senna. Leva-se em conta “o caráter” de esportistas que não conhecemos como pessoas, em julgamentos que deveriam se basear em desempenho.

OLIMPO

O futebol tem eras e gênios. Os imortais são os que brilham mais, os que moldam a excelência do jogo como ele é em seu tempo. É preciso entender e respeitar as diferenças. No passado, houve os gênios do futebol da bola pesada, dos campos ruins, do luxo para pensar e agir, da câmera lenta. Messi é um gênio do futebol da fração de segundo, do metro quadrado exorbitante, dos superatletas, dos gramados impecáveis.



  • Caio Pallu

    André,

    Quem aponta Senna como melhor que Schumacher não são apenas os brasileiros. Caso você queira, posso achar links de ao menos duas pesquisas realizadas (não, não aquelas fajutas de internet, mas com pessoas de dentro da F-1, que fizeram a história dela e por isso são as mais legítimas a opinarem sobre o assunto) em que se aponta, até com determinado conforto, que Senna foi melhor que Schumacher. É só pedir.

    Um abraço!

    AK: Lamento que você não tenha entendido o que está escrito. Um abraço.

  • renato

    De minha parte, acho melhores o Pelé E o Schumacher por causa dos números. Três Copas a zero é demasiada distância (assim como sete mundiais a três) para relativismos.

  • Willian Ifanger

    Desculpe o puxa-saquismo, mas é muito bom ler textos de pessoas que entendem do que falam. Totalmente articulado.

    Parabéns pelo texto, André.

    E a “sub-nota” (sei lá se é assim que se chama) “Olimpo” é simplesmente perfeita. É como se fosse um roteiro pra qualquer tipo de discussão sobre futebol.

  • Alexandre

    Interessante esta contradição dos que usam argumentos opostos para valorizar o Pelé e o Senna.
    De minha parte, acredito que talvez (grifo no talvez) Senna e Maradona tenham sido mais habilidosos que Schumacher e Pelé, mas não dá para avaliar a carreira de alguém por aquilo que poderia ter feito, mas por aquilo que de fato fez, e é inegável que estes últimos realizaram em uma pista de automobilismo e em um campo de futebol, respectivamente, mais do que qualquer outro.

  • Alexandre

    Gosto muito da analogia com os deuses do olimpo, pois estes, diferentemente dos deuses onipotentes das religiões monoteístas, possuem qualidades e defeitos.
    E nossos gênios do futebol também

  • Alexandre

    …e nossos gênios do futebol também se completam em suas características.
    Nunca houve um jogador tão bom em tantos fundamentos como o Pelé.
    Nunca houve um jogador tão habilidoso como o Maradona.
    Nunca houve um jogador que conseguisse dominar a bola tão “colada” ao pé como o Messi.
    Então, como escolher um só, se eles e tantos outros como Di Stéfano, Garrincha, Cruijff e Zidane se completam?

  • Enzo Bertolini

    André, você saberia dizer quantos gols o Messi já fez em toda sua carreira até o momento? E o Pelé e Maradona, com a mesma idade (24 anos, acho), quantos gols tinham feito? Pergunto, porque o Pelé sempre usa os números para se mostrar muito acima do Messi. Seria uma maneira bacana de fazer um tipo de comparação…. Abs

  • Chegará o dia em que Messi ultrapassará D10S e o Rei…

    Ainda não chegou, mas chegará!

    Ah, meus parabéns atrasados p/ o William Ifanger!

    Cara gente fina… demais da conta! Só tem um defeito: ser meu freguês!!!! =P

  • Caio,

    sobre F1, eu particularmente acho o Senna melhor que os outros, mas por puro gosto mesmo. Já me falaram que há pelo menos dois caras que foram melhores que ele: Tazio Nuvolari e Stirling Moss.

    E sobre o Schummy, não há dúvida que ele é realmente bom, um gênio, mas o período dominante da Ferrari por 5 anos consecutivos contribuiu muito para os números dele (não vamos entrar no assunto “Barrichello”, ok?).

    Alexandre,

    que eu me lembre, o Romário tinha a bola tão colada no pé quanto o Messi (que o diga o “grande” Amaral). Mas o Messi é mais habilidoso, sem dúvida.

    Enzo,

    hoje o Wikipedia está bem completo, é sempre minha primeira fonte de pesquisa.

    André,

    seu subtexto (sub-texto, sub texto, subttexto…) “OLIMPO” foi exatamente o que eu comentei há uns posts atrás, mas me referindo a porquê (com acento?) eu acho que é possível (não que seja fácil) comparar jogadores de “eras” diferentes: assim como os jogadores e as táticas evoluem, os equipamentos e campos também. Ou seja: no fundo, no fundo, são apenas dois tempos de 45 minutos que mostram quem joga melhor.

    Abraços!

  • Juliano

    Uma pergunta de quem infelizmente não viu pele jogar.O posicionamento e movimentação atual do Messi no Barcelona é parecido com o do Pele?

  • Não há necessidade de encontrar o melhor. Até porque eles nunca poderão jogar todos juntos. Se é difícil dizer quem é superior entre eles, é simples verificar o quão superiores eles são dos demais, o que é um fato interessante para ser analisado.

    Abraço!

  • Luli

    Bom André, muito bom e pertinente seu texto.
    Imagine que alguém há dias comentando sobre Messi e Pelé, resvalou, repito resvalou, para a literatura sulamericana. Prontamente asseverou: vocês fãs de Messi, devem achar Jorge Luis Borges melhor que Paulo Coelho (ele mesmo, o cara dos livros compilados de auto-ajuda). Silêncio na praia. Eu cá, sem meus botões, (estava na praia),lembrei Rosa, o mineiro João Guimarães.
    Minha conclusão: até onde vai a paixão, citar na mesma frase Borges e Coelho já é absurdo, imagina então o desfecho triunfal do ufanista pacheco pelezista: Paulo Coelho, mais jovem que Borges vendeu mais livros, é brazuca, e muito melhor!
    Ainda saindo pude ouvir: maluca, esse tal de Guimarães é quem mesmo?
    Triste com a total ignorância (falta de conhecimento), saí pensando que ainda que o Messi faça milagres na copa, a absurda aversão aos hermanos, fará com que muitos não reconheçam sua genialidade. Fuebol não é guerra, a soberania não está em jôgo e nacionalidade não é parametro para se dizer quem é o melhor.

  • Alexandre

    Alejjandro,
    O Romário também está no meu Olimpo. É o atacante mais letal de todos os tempos.
    Quanto a esta questão de comparar jogadores de eras diferentes, acho não só infrutífero, pois eles jogaram sob condições significativamente diferentes, como injusto.
    Por exemplo, qualquer jogador razoavelmente habilidoso é capaz hoje de executar um gol de “bicicleta”, e de fato vemos vários deles a toda hora.
    Acontece que alguém há muitos décadas atrás foi o primeiro a fazê-lo, e este alguém certamente ficou famoso por muito tempo graças a esta jogada.
    Aí vem algum pobre de espírito e fala: “Ah, o fulano de tal não foi grande coisa. Só porque fez gols de bicicleta? Qualquer um faz isso hoje em dia.”
    Só que copiar é muito mais fácil do que inventar. Na ginástica, os novos movimentos são batizados pelo nome de quem os executou primeiro, como justa homenagem.
    O mesmo raciocínio vale para todos os fundamentos técnicos e atributos físicos. Os jogadores de hoje só fazem mais porque se beneficiam dos que vieram antes deles. Se tivessem nascido antes não teriam a sua disposição toda a cultura futebolística passada e certamente fariam menos.
    Por isso que no post anterior do André sobre este assunto, fiz questão de citar a famosa frase do Newton (aquele mesmo): “Se eu vi mas longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes”.
    Pensem nisso, o Messi só chegou tão longe porque houve gigantes antes dele. E certamente algum dia alguém copiará e aprimorará suas mais incríveis jogadas. E algum imbecil dirá que o pulga não foi tudo isso…

  • Rafael Wuthrich

    Considero o Messi um Craque. Mas não um gênio. Gênio é aquele que, mesmo em times horrorosos consegue se destacar. Jogar com quem jogou desde os 12 anos é fácil, muito fácil. Difícil é chegar num time relativamente pequeno, num país desconhecido, e se transformar no melhor da atualidade. Vi Maradona fazer isso. Messi, ainda não. Outra coisa é a seleção: o esforço da imprensa esportiva em matar de vez a Copa é incessante. Em que pese os jogadores chegarem em não tão plena forma, ainda é o evento especial, que só acontece no máximo 3 vezes na vida de um jogador. Champions League tem todo ano. E, sinceramente , o nível é bem fraquinho tirando 5 ou 7 times de ponta. Ou alguém aqui vai dizer que Basel é uma máquina? Que o Olimpique seria campeão de qualquer campeonato? Se é bem verdade que os números podem ser relativizados, é bem verdade que a Europa é superestimada no quesito futebol, como se os demais fossem porcarias. E pelo que sei, Messi não fez lá grande coisa jogando pela Argentina. Podem falar que não tem tempo para treinar, se entrosar, mas Maradona também não teve, assim como Romário, Ronaldo e Zidane, jogadores que arrebentaram também em suas seleções. E não digo que Messi deve ganhar uma copa, mas jogar uma de forma plena, espetacular. Cruyff, Zico, Falcão, Rumennigge e muitos outros jogaram e não foram campeões.

    AK: Esqueceu que Maradona jogou no Barcelona, e que não aconteceu nada? Pois é… um abraço.

  • Willian Ifanger

    Grande Fellipe…..sumidão hein? Grato pela lembrança e pelas palavras….você também é uma grande pessoa e um grande profissional.

    A grande pergunta é: importa se o Messi é ou será melhor que esse ou aquele? Será que o fato de ele ser “somente” o Lionel Messi não bastará? Quem, dessa geração, será capaz de esquecê-lo? Isso pra mim já o define como grande jogador. Aliás, um grande profissional.

  • george

    Messi é o melhor do seu tempo, assim como Pelé foi o melhor do seu tempo e Maradona o do seu. Infelizmente são tempos diferentes, portanto incomparáveis.
    E por ser um jogador compenetrado, Messi tem aproveitado seu talento ao máximo. E assim fará por muito tempo, ao contrário de outros gênios da bola como Garrincha, Romário, Ronaldo, Sócrates e mesmo Maradona, que, tão talentosos como Messi, poderiam ter feito muito mais em suas carreiras se tivessem esse foco impressionante que esse jovem tem.

  • Thiago Mariz

    Rafael,

    realmente, a UCL tem times relativamente fracos. Mas e Brasil x China? Alemanha x Arábia Saudita?

    André,

    afora as suas qualidades de sempre, o que saltou aos olhos foi a notinha “Olimpo”. Nunca tinha pensado no que você falou sobre o Messi estar, pode-se dizer?, a frente do seu tempo. Talvez, daqui a algumas décadas, quando falarem de Messi ser o melhor da história, alguém diga: “Naquela época o futebol não era tão competitivo quanto hoje, os zagueiros eram horríveis, bla bla bla”.

  • Marcos Vinícius

    Sou um dos que acha que jogador para provar que é “O” cara tem que ganhar Copa do Mundo. Concordo com você apenas quando dizes que o tempo de preparo para uma Copa é curto,cerca de 40 dias. Mas Copa é a nata da nata,só vai quem É bom,não quem ESTÁ bem. Copa do Mundo tem todo um clima,acho até que o cara prova que é bom quando joga com outros tão bons como ele mas que ele não está acostumado,como alguém disse acima. Veja,a qualidade de Messi é algo acima do bem e do mal,não cabe discussão.

    André,mesmo admitindo a qualidade da Champions,que os melhores do mundo estão lá,o ambiente é outro,são jogadores que vivem o dia a dia,tem a torcida junto,a arbitragem tem quase critério único,são times que se conhecem,enquanto na Copa a coisa muda. Aquele time da Argentina de 86 não era um graaande time,quem carregou sozinho foi Maradona. E quando Maradona jogou no Barcelona,lembro bem disso,acho que aconteceu a mesma coisa que acontece no Corinthians,tinha gente querendo aparecer mais que o jogador.

    Para fechar : desculpe a expressão,mas acho uma babaquice discutir se Pelé foi melhor que Messi,se Messi foi melhor que o Pelé e se Jacozinho foi melhor que Romário. Pelé foi o maior jogador da sua época,ninguém chegou perto dele,e Messi é o melhor jogador de sua época. Perder tempo discutindo sobre isso é besteira,os saudosistas dirão que foi Pelé e os mais novos dirão que é Messi,e a discussão não terá fim.

  • Rafael Borges

    André, ao dizer que julgando um jogador por sua performance na sua seleção numa copa do mundo, estamos cobrando futebolistas como tenistas, não estás sublinhando como é inócuo discutir quem é melhor – Pelé, Maradona ou Messi – uma vez que futebol é um jogo coletivo?

    Na toada do filme Moneyball, eu acredito que é importante analisar o scout do jogador, suas habilidades, tudo isso deve ser levando em conta na comparação. Mas o fundamento do esporte não é só esse, só as estatísticas. Com o perdão da apropriação da sua brincadeira a respeito do tênis X futebol: comparar jogadores de futebol por suas habilidades pontuais não é futebol, é supertrunfo!

    Existe um limbo pouco explicado no esporte, em todos eles, que é a superação, a paixão pelo jogo, a vontade de ganhar. Aquele carma que faz atletas mais fracos transcenderem grupos fracos, adversários mais fortes, e serem campeões. Eu acho que é com isso, e não das diferenças das habilidades individuais, que se chega a um vencedor.

    É verdade que Pelé jogou em times (Santos e seleção brasileira) mais fortes, com melhores jogadores, do que Maradona e do que a seleção argentina de Messi. Mas a seleção brasileira de 94 também era muito fraca nas individualidades, com um treinador que foi campeão daquela copa e da copa do brasil anos depois, e só. Mas Romário foi mágico naquela copa. Messi é incrível, mas eu não trocaria Romário de Junho/Julho de 94 por Messi de 2011. Nem que me voltassem muito dinheiro. A seleção francesa de 98 também era fraca, mas Zidane transcendeu.

    Eu não acho que o que se cobra de Messi é que ele tenha mais paixão – ele tem, ganha muitos clássicos e títulos. Eu acho que o que se espera de um jogador tão talentoso é que ele exploda e transcenda o fraca seleção argentina, que leve o time nas costas, porque outros grandes atletas já fizeram isso. É realmente difícil que não se espere isso dele, embora seja maldade cobrar isso dele.

    Costuma se dizer no meio militar que fulano era um excelente comandante, apenas combateu no lado errado – o lado derrotado. Se Messi não conseguir imprimir sua marca no povo argentino, povo que não viu ele capitanear nenhum grande título argentino até hoje, nunca vai responder uma pergunta que é muito clara e muito óbvia: é Messi que carrega o Barcelona, ou ele, como brilhante jogador, técnico e habilidoso, é a cereja do bolo em um time, esse sim, realmente mágico, por onde muitos outros que já participaram dessa discussão – Romário, Ronaldo, Stoichkov, Maradona, Ronaldinho Gaucho – já jogaram? Porque Puyol (se fala pouco no Puyol, é fantástico), Iniesta, Xavi e Villa levaram a seleção espanhola ao titulo mundial e Messi nem jogou a final? Pelé não pode ser alvo do mesmo questionamento, porque foi campeão no clube e na seleção, apesar de muito do mérito ser do resto do time. Ou seja, Pelé deu sorte, lutou do lado certo.

    Por fim, eu acho que nenhum torneio de futebol se compara à copa do mundo. Não se trata dos melhores jogadores, nada disso. É o encanto de gente de toda parte, de ter bons e maus jogadores, de fazer uma nação se unir e torcer fervorosamente por 23 caras. O fato de ser de 4 em 4 anos e só durar um mês acentua isso, na minha opinião. A champions é um excelente torneio, é muito bem embalado, conta com o charme da europa e com o dinheiro pra se fazer um excelente torneio. Mas é justamente isso que dá um aspecto plástico a ela. Eu prefiro a copa do mundo, apesar da raiva da CBF, do Ricardo Texeira, do Blatter. Veja quantas pessoas vão às ruas comemorar o título, ou chorar a perda do título, ou acompanhar partidas em telões, ao redor do mundo. A copa é incrível. Nem esses homens velhinhos e toscos podem destruir isso.

    AK: Excelente comentário, obrigado. Devo discordar de alguns pontos, porém. O primeiro é essa coisa da “transcendência”, que faz parte do aspecto, digamos, lúdico do futebol. Eu acho isso bonito, acredite. Mas não creio que devamos levá-lo em conta na hora de avaliar um jogador. Dizer que determinado jogador “levou um time nas costas” é apelar ao que não se pode explicar. Nesse processo, corremos o risco de conferir mérito a mais ou a menos, dependendo de critérios que, de fato, não existem. Não foi isso que Maradona fez em 86, ou Romário em 94. Ninguém ganha um torneio sozinho.

    Você falou de sorte, de ter “lutado do lado certo”. Aí está. Não acredito que a qualidade de um time de futebol deva ser usada para criticar ou elogiar um de seus jogadores. Não dá para levar sorte, ou azar, em conta para avaliar alguém. Suas habilidades e seu desempenho são mais importantes.

    Sobre a Copa do Mundo, meu ponto é que, há muito tempo, os jogadores chegam a ela longe de sua melhor forma, o que obviamente afeta o nível de futebol praticado. Estou de acordo com o clima, a aura, o impacto que (ainda) se vê nas pessoas a cada quatro anos. Mas lamento pelo que se vê em campo.

    Um abraço.

  • Willian Ifanger

    Marcos Vinícius,

    Eu discordo de você quando diz que na Copa do Mundo só vai a “nata da nata”. A “nata da nata” está na UCL. E aqui no Brasil geralmente se convoca QUEM ESTÁ BEM.

    Tem muitos bons jogadores que não participam, ou dificilmente participam, de Copas do Mundo por estarem em seleções pífias. Exemplos são o Ibraimovich, Arshavin, Dzeko, vários africanos, até alguns brasileiros por birrice de técnicos. O Schevchenko ficou quanto tempo sem ir a uma Copa? E esses caras são titulares em suas equipes, ou pleo menos, sempre estão jogando.

    Como o André disse, a Copa já teve seu tempo áureo, já foi a grande competição pra medir forças entre grandes jogadores e estilos de futebol. Creio que a “Globalização” afetou isso.

  • Alex Manga

    Bom dia!

    Eu coloco o Messi como um dos maiores deuses do futebol. Acho que esse negócio de melhor de todos os tempos besteira. Será que o Pelé seria o melhor hoje. Tenho certeza que seria excelente hj. Mas o melhor? Não cabe comparação nesse sentido. O que Messi tem feito é sensacional. Alguns argumentam que jogando no Barça fica fácil. O que poucos percebem é que o argentino é o único a ter direito de conduzir a bola, dar mais de 2 toques. Além disso o faro de gol é impressionante. A seca dele é de 2 ou 3 jogos no máximo.
    E se vc gosta de futebol na essência não importa se é argentino, espanhol ou russo. Ver o Messi é um deleite. E seleção se tornou uma das coisas mais chatas de ser assistir. O que importa se ele já ganhou Copa do Mundo? O que vale é o dia a dia.
    Ou será que Zico, Cruyff, Zizinho, Sócrates, Falcão, Di Estéfano, Baggio, Puskas e tantos outros gênios foram menores por não terem um Mundial no currículo? O que esses caras fizeram no futebol foi pouco? O Messi ainda tem 2 ou 3 mundiais. Dá para cravar que o cara não vai ganhar nenhum?
    Abs

  • Marcos Vinícius

    Willian Ifanger,

    Jogadores que atuam no Brasil,como Neymar,Lucas,Luis Fabiano (este titular na última Copa),”Loco” Abreu,Ronaldinho Gaúcho,Fred,Dedé,Leandro Damião e mais uma meia dúzia não atuam na Europa,mas são presenças constantes em suas respectivas seleções. Teriam vaga garantida na maioria dos times que disputam a Champions,mas atuam no Brasil. Fora jogadores que atuam em países sem tanta força no futebol. Eto’o joga no Anzhi,da Rússia,e não disputa a UCL,embora seja o jogador mais bem pago do mundo. Na Argentina também tem jogadores que são titulares em sua seleção,mas não disputam a Champions. E uruguaios idem. E paraguaios também.

    A Champions tem glamour,e qualidade técnica,mas com certeza não é a única fonte de qualidade quando se fala de futebol. Temos centros não tão famosos quanto os europeus em que o ingresso vale muito a pena.

    A Copa do Mundo é,sim,a nata da nata. A Champions é uma competição que envolve a maioria dos grandes jogadores em atividade,mas não todos. A Copa teve seu tempo áureo quando não tínhamos tanto acesso ao que acontece lá fora como temos hoje,com jogos dos principais times europeus em canais aberto. Isso evidencia para nós,que estamos longe,a qualidade da competição. Mas não tem,na minha opinião,competição futebolística mais importante,que envolva tanta gente,e com tanta qualidade,como a Copa do Mundo

  • Fernando Lippi

    André, acho que esse argumento de “o cara tem que ganhar uma Copa”, só existe pq ele é argentino.
    Explico: se ele tivesse nascido, por exemplo, no Canadá, todos já saberiam que ele NUNCA ganharia uma copa, pq a seleção NUNCA é boa. Como ele é argentino, tem uma “seleção boa”, e todos acham que ele PRECISA carregar o time para o título.

    Obs: o argumento dos números de Pelé x Maradona e Senna x Schumacher é perfeito

    Abraço

  • Willian Ifanger

    Marcos Vinícius,

    Me desculpe, mas desses jogadores que você citou, só Neymar e Leandro Damião tem alguma chance de dar certo jogando na Europa (e o Neymar só não foi ainda por motivos meramente comerciai$). Os outros ou ainda não tem condições ou já voltaram da Europa faz tempo e não mostram nada faz tempo.

    Os jogadores das principais Seleções sulamericanas estão, na sua maioria, jogando na Europa. Nenhum time sulamericano consegue jogar de igual pra igual com qualquer time Europeu (a não ser se defendendo o jogo todo). O último grande exemplo foi a final do Mundial passado. Acho que todo mundo tinha uma esperança de ver o Santos peitando o Barcelona, porque o Santos era sem dúvida o grande time brasileiro e sulamericano, e um grande time mesmo….mas 15 minuntos de jogo e o abismo apareceu diante de todo mundo.

    Eu já gostei muito mais de Copa do Mundo, confesso. Mas escândalos na FIFA, subornos, CBF, Seleção Brasileira jogando 99% dos jogos fora do Brasil…não tem como não perder o tesão por competições entre Seleções. Não sou daqueles que ficam vidrados na UCL. Prefiro mil vezes ver jogos da Taça Libertadores. Mas não dá pra olhar pro evento “UCL” e não morrer de inveja.

    E seguindo a linha do Fernando Lippi logo acima: uns anos atrás o Ibraimovich disputou a Bola de Ouro. Imaginemos que ele se transformasse num Messi. Ele é sueco, a Seleção Sueca não brilha há tempos…seria justo limitar sua genialidade por não jogar uma Copa do Mundo?

    Por fim, você acha a Marta a melhor jogadora de futebol de todos os tempos?

  • Caio

    Parabéns André, mais uma vez!
    O que está escrito depois do subtópico Olimpo é perfeito. E o hipotético Messi brasileiro também foi genial.

    Parabéns de novo!

    Abraço!

  • Marcos Vinícius

    Willian Ifanger:

    Fred tem condições de jogar em qualquer,repito,qualquer time europeu. Forte,de presença e de qualidade técnica indiscutível. Dedé é o melhor zagueiro em atividade no futebol brasileiro. Lucas é,na minha opinião,a maior promessa do São Paulo dos últimos anos. Luis Fabiano era titular no Sevilla quando veio para o São Paulo. Concordo com você em relação a Neymar.

    Veja bem o que você escreveu:

    “Os jogadores das principais Seleções sulamericanas estão, na sua maioria, jogando na Europa. ”

    Maioria sim.Maioria absoluta,não.Existem muitos bons jogadores que ainda atuam em seus respectivos países,talvez esperando valorização,ou,como Neymar,por motivos comerciais. Mas o fato é que só na Copa do Mundo eles,possivelmente,se encontrarão.

    Prefiro colocar da seguinte forma: A UCL é a competição de clubes mais importante do mundo. Mas a Copa do Mundo é algo que vai muito além disso,é onde meninos precisam provar que são homens,é quando apenas a qualidade individual de cada jogador determina quem será o campeão. Ou então se acontecer um milagre,como foi Maradona em 86.

    Resumindo : Messi não precisa provar que é o melhor jogador de sua geração. Mas precisa ganhar uma Copa para provar,principalmente para os argentinos,que merece um lugar no Olimpo. Lá estão Maradona,Pelé,Romário,Ronaldo,Zidane,Varella,Garrincha.

    Sobre futebol feminino : Marta foi a pessoa que mais ajudou a desenvolver (isso,claro,fora do Brasil) o futebol feminino. Para mim,o posto de melhor jogadora de futebol feminino deveria ser “disputado” entre Marta e Mia Hamm (EUA)

  • Marciano de Brito Silva

    Quem é melhor? Maradona, Messi ou Pelé? É o tipo de resposta que só o tempo será capaz de dar. Hoje, a discussão é boa, movimenta rodas de opinião, a gente nos barzinhos discute enquanto toma uma cerveja, os comentaristas analisam… Mas apenas no futuro, quando olharmos para o passado, vamos ter uma real noção do gênio Messi.

    E nesse caso, ganhar uma Copa do Mundo terá seu peso sim porque hoje o torneio ainda tem importância no imaginário do torcedor. Pode até ser que daqui a 20 anos não haja mais torneio entre seleções, mas sempre o fato do Messi não brilhar com a camisa argentina vai ser algo “negativo” em sua carreira.

    E a geração atual ainda vai ter força nas rodinhas de debate daqui a 20 anos, ou mais… sei lá…

  • Willian Ifanger

    Marcus Vinícius,

    Nós nunca vamos chegar num acordo…hehehe….a nossa visão de Copa do Mundo não vai permitir isso.

    Mas se ganhar uma Copa do Mundo é realmente importante pra qualquer jogador chegar ao Olimpo do Futebol, infelizmente a Marta jamais estará por lá. Estranho isso.

  • BASILIO77

    Concordo Ak, ótimo comentário do Rafael Borges.
    Concordo com ele no aspecto “ludico” do futebol e acho que vc levou ao pé da letra a expressão “ganhar um titulo sozinho”…embora eu não encontre outra melhor para explicar casos como de 86 e 94.
    Os “fracos” que vencem os “fortes”…sorte e azar…acredito nisso e só no futebol isso aparece de forma tão explícita.

    Por outro lado concordo com a perda de importância das copas ultimamente e a valorização da champions.
    Muito bom texto e comentários.

    Abraço.

  • Pedro

    André,

    Quanto aos que usam números, sou dos que acham Senna melhor do que Shumacker e Maradona melhor do que Messi (apesar dos números, nos dois casos). O Pelé não entra nesse argumento dos números: quando Drumond disse “o difícil não é fazer mil gols como Pelé, difícil é fazer um gol como Pelé” não o disse apenas por ser um grande poeta, mas por ser verdade. Em minha opinião o Pelé mudou o futebol (o futebol brasileiro da década de 60 mudou o futebol, e o Pelé encarna isso).

    Assim como nenhum físico pode ser comparado com Newton, citado em um comentário, nenhum jogador pode ser comparado com Pelé. E o Galileu? Mantenho minha afirmação: ninguém, nem mesmo Newton, pode ser comparado com Galileu (no sentido de quem foi melhor, posso gostar mais de um ou outro). E Eisntein? É outro que não pode ser comparado.

    Pelé chegou lá. É ícone no mundo inteiro. Messi vai chegar? Pode chegar, mas não acho que chegue. Maradona chegou lá, na Argentina e em Nápoles.

    O argumento de seleção é complicado. Ganhar ou não ganhar copas não é o fundamental aqui. O fundamental é a sensação que o Messi passa de não jogar tão bem na Argentina quanto no Barça. Embora eu discorde frontalmente de que um jogador bom deva carregar um time nas costas (isso não existe). Para mim, é muito mais difícil jogar no nível que o Messi joga no Barça do que carregar um time ruim nas costas.

    O Pelé, nesse caso, serve como comparação: foi decisivo quando não era o cara (58, se tornou o cara na copa). Quando era o cara, soube ser parte de um dos melhores times de todos os tempos, permitindo que todos brilhassem (70). Talvez o Messi esteja neste caminho, no Barça está na situação do Pelé no início de carreira: é o melhor de um grande time. Mas a aparição do Pelé foi muito mais explosiva, brutal, do que a do Messi, muito em função da copa em que foi declarado Rei.

    Dizer que o Pelé levou sorte, que a época era outra (por isso o maior impacto) não muda a história. Nenhum dos gigantes apareceu em tempos errados, são gigantes por estarem no lugar certo na hora certa. Isto vale para Newton, Galileu, Einstein e Pelé. Pelé apareceu junto com a Televisão. Sua apoteose foi junto com a transmissão direta de TV (70). A popularização do futebol no mundo veio junto com o Pelé. E, por isso mesmo, não haverá outro Pelé (claro, pode-se dizer que o Messi surgiu junto com o youtube, cabe ao futuro ver o impacto disso)

    O que estou querendo dizer é que no nível desses caras, Pelé, Messi, Maradona, (E, por que não, Garrincha) a discussão não é (e não deve ser) meramente de competência futebolística, entram inúmeros fatores, inclusive históricos. Eles são gigantes por terem transcendido o futebol (e nisso o Messi, por enquanto, leva desvantagem).

    Abraço.

  • Edwin Perez

    MESSI é Gênio!. Agora, como ele é argentino, e seria a mesma coisa se fosse alemão, inglês, uruguaio, francês, espanhol ou italiano, ele precisa VENCER uma copa. Por favor lembrem-me qual dos fantásticos craques são de nacionalidades que nunca venceram uma copa? Cruyff, Weah, Puskas…… A copa coloca uma pressão impressionante no atleta referência e isso é cobrado de forma intensa. Neste ano na UCL se o Real chegar na final e perder o título, qual será a consequência disso na carreira de Cristiano Ronaldo? Como acontece todo ano ele poderá vencer em outra oportunidade, e como acontece todo ano esta importância se diluirá com o tempo…..lembram da final da UCL em 2007, ou 2004? Agora o que significou para a carreira de Xavi e Iniesta a conquista da Copa em 2010? Eles resgataram toda a história do futebol espanhol que ombreou-se aos outros países vencedores de Copas. Se a Holanda tivesse sido campeã, a história de Cruyff teria um ponto de vista diferenter, como imaginar o q seria de Leônidas, Zizinho e Domingos da Guia se o Brasil nunca tivesse ganho uma Copa. O futebol corre o mundo e hoje temos transmissões de campeonatos europeus e sabemos o nome dos atletas dos times europeus (do barcelona então….) e quando alguma equipe sul-americana dá pau no times brasileiros como aconteceu como o Once Caldas anteriormente e recentemente com a Universidade de Chile, todos corremos para sabermos como é essa equipe, inclusive a imprensa esportiva brasileira já q são poucas a s informações (excetuando-se equipes argentinas) que chegam a nós. O atleta de alto nível tem que conviver com a pressão máxima da sua modalidade, e enquanto vários esportes o ponto alto é a Olimpíada, no futebol é a Copa do Mundo.

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