SOBRE MESSI E A INCOMPREENSÃO



Não pretendo me estender no assunto, por dois motivos.

Estamos no meio do Carnaval (para mim, oportunidade de descanso, que fique claro) e o plano é escrever uma coluna sobre o tema, no Lance!.

Mas creio que Messi vale tantos posts – e colunas – quantos forem necessários.

O sujeito fez 4 gols ontem, na vitória do Barcelona sobre o Valencia, pelo Campeonato Espanhol. Foi a sexta vez que ele marcou pelo menos 3 gols no mesmo jogo nesta temporada.

Após a partida, Mauro Cezar Pereira, meu companheiro de ESPN, fez um comentário em sua página no twitter, sugerindo a hipótesese de, no futuro, Messi superar Pelé como o maior jogador de todos os tempos.

Mauro não escreveu que isso acontecerá.

Não escreveu que acha que isso acontecerá.

Escreveu, apenas, e com todas as letras, que é possível.

Como acontece com lamentável frequência a cada vez que uma opinião sobre futebol é oferecida, todo tipo de interpretação equivocada apareceu.

Todo tipo de leitura (??) foi feita.

E por parte de quem “não concorda” com Mauro (sou obrigado a entender que são aqueles que consideram impossível que Pelé seja superado por alguém, porque nada além disso foi sugerido no tweet), todo tipo de argumento foi utilizado para diminuir Messi.

Entre eles, o onipresente “quando ganhar uma Copa…”

A parte engraçada dessa história é que quem critica Messi por não ter conquistado um Mundial com a Argentina, de fato, concorda com o que Mauro Cezar escreveu.

Assume que, sim,  Messi estará na conversa sobre o melhor da História, se levantar a taça.

Mas insiste que levar seu país a um título mundial é condição para entrar no panteão dos imortais.

Ao fazê-lo, esquece que a Copa não é mais – como na época de tantos gigantes – o único cenário em que os melhores jogadores do mundo se encontram, se enfrentam, se medem, diante de todo o planeta.

A Liga dos Campeões da Uefa também promove, anualmente, essa avaliação.

E com o bônus de podermos ver esse jogadores 1) em forma, e 2) por um período muito superior a um mês.

Não quero dizer que a Copa do Mundo perdeu importância, ainda que muita gente (jogadores de futebol, incluídos) pense assim.

O que digo é que a UCL está aí para nos mostrar o que, antes, só poderia ser visto de 4 em 4 anos. E por menos tempo.

E o que temos visto Messi fazer com o Barcelona deveria ser suficiente para que tivéssemos, todos, uma exata noção de quem ele é. E do que pode vir a ser.

Ademais, como já escrevi aqui (e repeti ontem, também no twitter), quando Barcelona e Real Madrid se encontram, a seleção campeã do mundo está em campo. E não me parece que haja dúvidas sobre quem é o melhor jogador, ali, entre todos.

É triste que debates como esse, que deveriam ser centrados na paixão pelo futebol, sejam corroídos por ignorância, sentimentalismos, clubismos e até nacionalismos.

Porque, como se sabe, há quem goste de falar dos números de Pelé para criticar Maradona e questione os números de Schumacher para elogiar Senna.

Se Messi fosse brasileiro e tivesse disputado as Copas de 2006 e 2010, sem nada para mostrar, ninguém por aqui ficaria indignado ao ler seu nome escrito ao lado do de Pelé.

Muito menos no terreno das possibilidades que o futuro reserva, como Mauro Cezar fez e muita gente não teve capacidade de compreender.

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Falei que não ia me estender e olha aí…

Bom, tomara que toda a coluna não esteja aí em cima.

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Mudando de assunto, tem post novo no Mais Gelo, sobre “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”.

 



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