COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

O RATO ROEU…  2

No capítulo anterior…

– Não precisava ser assim… eu já tinha preparado a minha retirada para daqui a dois anos. Teria o gostinho de vê-los todos comendo na minha mão. Mas parece que um complô se formou. Esses coitados ainda terão saudades de mim.

– Não tenho dúvida, Majestade. O momento é agora, o Carnaval está chegando.  Resolva tudo hoje e, na próxima semana, ninguém se lembrará desse assunto.

– Meu conselheiro disse a mesma coisa…

– Peço a carruagem, Majestade?

– Sim, pode pedir. Chegou a hora.

***

Quando o mordomo saía da sala para avisar o cocheiro que o rei estava pronto, um mensageiro se aproxima.

– Tenho uma mensagem para Vossa Majestade…

– Ande, me dê logo esse papel… quem poderia me incomodar agora?

Ao abrir o envelope, o rei franze a testa. As notícias são preocupantes.

– Eu sabia… malditos! Eles já estão salivando… querem meu lugar…

O mordomo ficou curioso.

– O senhor fala de quem, Majestade?

– Daqueles nobres regionais de quinta categoria! Mal conseguem cuidar das próprias vidas e já estão tramando minha sucessão. Eles acham que sou idiota? Enviaram um pedido de reunião, querem vir aqui e conversar, mas eu sei exatamente o que pretendem…

– E o que seria, senhor?

– Realmente o burro aqui não sou eu… pelo amor de Deus, seu infeliz, é evidente que querem me pressionar contra a parede. Querem me obrigar a aceitar o que é melhor para eles. Isso não está claro para você?

– Não possuo sua sagacidade, senhor…

– Veja, criatura: eles me apoiaram por causa do grande evento que acontecerá daqui a dois anos. Se não fosse por mim, o rei da Suíça, que é quem decide essa m…, jamais escolheria a nossa candidatura. Enquanto estou aqui, todos eles lucram, entendeu? Mas se eu sair de cena, eles vão querer o poder. E até uma múmia como você deve saber que eu não posso permitir isso.

– Claro, Majestade. Agora entendo. O que o senhor vai fazer, então?

– Primeiro vou resolver o problema de hoje. Vou chamar mais um daqueles atletas campeões para trabalhar comigo. Qual é o nome dele, mesmo? Bom… não importa. Eu o chamo, fazemos uma declaração oficial e ele me elogia em público. Os safados que querem minha renúncia terão de esperar sentados. Que tal?

– Excelente, senhor. Devo entender que o senhor mudou de ideia?

– Não, gênio, quero ganhar tempo. Não posso renunciar agora, com os cães babando. Minha decisão está tomada, mas por agora talvez seja melhor deixar tudo como está e apenas me afastar por um tempo. Quem manda aqui sou eu, não eles.

– E ao pedido de reunião, como Vossa Majestade responderá?

– Deixa eles virem aqui. Não são muito espertos, vou enrolá-los como sempre fiz. Eles sairão certos de que estão numa posição privilegiada. Não sabem com quem estão lidando.

– Brilhante, senhor. O que faço com a carruagem?

– A que está lá fora agora? Cancele. Mas mantenha todos os planos para minha viagem. Vou aproveitar que esses foliões estarão todos bêbados e me mandar. Talvez faça algum anúncio, talvez não. Agora preciso de tempo.

– Perfeitamente, senhor. Boa viagem.



MaisRecentes

Fechamento



Continue Lendo

Voltando a Berlim



Continue Lendo

Passo adiante



Continue Lendo