DNA SUPERIOR



É bem provável que você jamais tenha visto o senhor na foto acima.

Ele se chama Archie Manning, é pai de dois quarterbacks que você deve conhecer.

Enquanto o New York Giants celebrava o quarto troféu de Super Bowl no gramado (sintético, ao contrário do que disse um repórter brasileiro na transmissão do jogo… Ainda bem que ele corrigiu depois.) do estádio Lucas Oil, Manning esperava ao lado da porta do vestiário do time de seu filho caçula, Eli.

Estava acompanhado pela mulher, pela nora pelos netos, todos ostentando um sorriso do tamanho do estádio.

Eu me aproximei e perguntei se ele poderia falar um pouco. “Claro”, respondeu.

A entrevista foi uma mistura de felicidade (“Estou muito orgulhoso dos Giants e de Eli”), classe (“foi muito sofrido. Tom poderia ter vencido no final) e análise (“o ataque dos Giants foi eficiente no último quarto em toda a temporada”), cortesia de um ex-quarterback que tem o indescritível prazer de ver seus dois filhos atingirem o olimpo do esporte “oficial” da família.

Os jogadores do time nova-iorquino chegavam, vindos do campo, e todos – sem exceção – paravam para cumprimentar Archie Manning, e elogiar Eli.

O Manning caçula tinha acabado de conquistar seu segundo Super Bowl.

É muito improvável que alguém estivesse mais feliz do que Archie Manning no final da noite de domingo. Claro que sua mulher, Olivia, também estava exultante. Mas creio que o fato de Archie ter sido jogador amplifica seu sentimento de orgulho.

O jogo foi o encerramento perfeito para a semana de Eli Manning em Indianapolis. Por ser irmão de Peyton, ídolo do time da cidade, ele já carregava o favoritismo sentimental da torcida local. A rivalidade do Indianapolis Colts com o New England Patriots certamente influenciou o clima dentro do estádio, com uma maioria flagrante de pessoas torcendo para os Giants.

Como nos grandes jogos de futebol americano, tudo contribuiu para um último quarto eletrizante, que poderia ter feito o troféu rumar para o vestiário de New England até o último lançamento de Tom Brady para a endzone, quando os segundos expiravam.

O que vou lembrar de forma mais viva? O passe de 38 jardas de Manning para Mario Manningham, faltando 3’46” para o final, quando os Patriots venciam por 17 a 15.

Fora a quantidade absurda de talento envolvida, foi a jogada que praticamente decidiu o Super Bowl XLVI (tão importante quanto o passe de Brady para Wes Welker, três jogadas antes, que, se fosse completo, significaria o quarto título dos Patriots).

Manning colocou a bola no único espaço em que Manningham conseguiria alcançá-la antes da dupla marcação que o acompanhava. Manningham, exibindo um magistral controle de movimentos em relação à sua posição no gramado (rente à linha lateral), agarrou apenas metade da bola, mas foi o suficiente para que ela não escapasse. E ele ainda manteve seus dois pés dentro do campo, antes de ser empurrado para fora.

O barulho que a torcida do Giants fez no momento da recepção foi incrível. E como o lance foi desafiado pelos Patriots, a comemoração se repetiu quando os árbitros confirmaram a jogada.

Lance que entrará para a História. Assim como o “touchdown relutante” de Ahmad Bradshaw, que não conseguiu parar sua corrida antes da linha e sentou na endzone, enquanto Manning gritava para que ele não marcasse os pontos, o que faria o cronômetro parar.

A ideia era gastar mais tempo, provavelmente chutar um field goal e minimizar as chances de uma campanha vitoriosa de Brady e seu ataque.

Os Giants sofreram até a última bola, mas ganharam.

Foi o terceiro Super Bowl conquistado por um herdeiro de Archie Manning.

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Perdão pela atividade limitada do blog durante os dias em Indianapolis. Eu certamente gostaria de ter sido mais frequente.

Ocorre que a forma como a ESPN cobre o Super Bowl cresceu muito nos últimos anos e isso significa, ainda bem, que há mais trabalho a fazer.

Tive alguns dos dias mais longos da minha carreira nesta semana. A quinta-feira, por exemplo, começou às 7 da manhã e só terminou às 3 horas do dia seguinte. Com apenas uma refeição propriamente dita no período.

Isso não é uma reclamação. Ao contrário, termos conseguido enviar e exibir três reportagens sobre o Super Bowl no SportsCenter da ESPN Brasil naquela noite é motivo de satisfação.

Mencionei o ritmo de trabalho apenas para ilustrar como foi a rotina nos últimos dias.

Aos que acompanharam a transmissão da ESPN, obrigado pela companhia.

No ano que vem será ainda mais legal.



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