COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

JOGOS DE FAMÍLIA

O número de camisas do Indianapolis Colts nas ruas é assustador. Impossível pisar na calçada e não ver alguém de azul e branco, ou com uma peça de roupa ostentando a ferradura que simboliza o time. A torcida dos Colts exibe seu orgulho por hospedar o Super Bowl, talvez com um alívio inconsciente.

O jogo mais importante da temporada do futebol americano – e o maior evento de um dia do esporte no planeta – representa, obviamente, o fim do campeonato. Encerra um ano cruel para os anfitriões da decisão.

O Indianapolis Colts terminou a temporada com 2 vitórias e 14 derrotas. Números que, com sobras, deram sequência a uma maldição: jamais a cidade anfitriã do Super Bowl teve a alegria de ver seu time em campo. As sedes são escolhidas com anos de antecedência, o que promete campanhas sombrias para os times de Nova Orleans, Nova York e Arizona no futuro próximo.

Mas às vezes o esporte e a vida conspiram para criar situações que parecem roteiros de filmes bons. Em fevereiro de 2010, os Colts e o New Orleans Saints se encontraram no Super Bowl XLIV, em Miami. Peyton Manning, quarterback de Indianapolis, teve de enfrentar o time em que seu pai jogou e pelo qual torceu quando criança. Perdeu.

Agora é “o outro” Manning que se vê num enredo de cinema. Eli (irmão caçula de Peyton) é o quarterback do New York Giants, adversário do New England Patriots no Super Bowl de amanhã. Além do seu DNA, a rivalidade que existe entre os Patriots e os Colts faz de Eli um queridinho instantâneo em Indianapolis. Ele é o irmão do ídolo local, tentando bater o rival da cidade. Mas esse é só o começo da trama.

Durante a pré-temporada, Eli Manning deu uma entrevista que teve grande repercussão nos Estados Unidos. Declarou que se considerava um dos 5 melhores quartebacks da NFL, no mesmo patamar de seu irmão e de Tom Brady, dos Patriots. As críticas de quem não concorda foram ruidosas, mas evaporaram nas últimas semanas, enquanto Eli conduzia os Giants pelos playoffs rumo ao Super Bowl. No domingo, Brady (Mr. Bundchen) estará do outro lado do campo, materializando a oportunidade para o jovem Manning confirmar seu discurso.

Tem mais: uma vitória amanhã alteraria a conversa na família Manning, naqueles longos almoços em que o futebol é o assunto dominante (lembre-se que o pai de Peyton e Eli, Archie, também jogou profissionalmente) na mesa. Eli passaria a ter um troféu de Super Bowl a mais do que Peyton, que sempre foi considerado um jogador superior. Eis um cara que pode ser campeão e sair da sombra de seu irmão, num jogo que ainda tem a histórica rivalidade entre Nova York e Boston como cenário.

Acabou? Não. O Super Bowl deste domingo é a revanche da decisão de fevereiro de 2008, quando os Giants aprontaram uma das grandes surpresas da História, ao acabar com a invencibilidade de New England justamente no grande jogo (até hoje, só o Miami Dolphins de 1972 foi campeão sem derrotas).

Não faltarão histórias para contar. Não faltam motivos para assistir.



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