CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

PLANO? QUE PLANO?

É demagogia querer discutir os rumos do futebol brasileiro – dentro do campo – apenas por causa do “Massacre de Yokohama”. Quem acha que a forma como o Santos foi derrotado na final do Mundial de Clubes foi o grande sinal de que algo está errado, ou não está falando sério, ou não está prestando atenção. Ou ambos.

Rápida viagem no tempo até agosto passado, quando a seleção brasileira sub-20 conquistou o Campeonato Mundial, na Colômbia. Alguns números do jogo de quartas de final, contra a Espanha (após empate em 2 x 2, o Brasil venceu nos pênaltis): Chutes – 26 a 17, chutes no alvo – 12 a 2, escanteios – 12 a 5, posse de bola – 52% a 48%. Em cada caso, o número que vem primeiro corresponde à seleção… espanhola.

As estatísticas acima dizem muito sobre a forma de atuar de cada time. Os espanhóis ficaram mais com a bola e foram mais ofensivos. Os brasileiros foram mais eficientes. A Espanha foi quem criou, quem teve iniciativa. O Brasil foi quem esperou, quem jogou “no erro”. O resultado final, e até mesmo o desfecho do torneio (repetindo, o Brasil foi campeão) não deveriam ser levados em conta numa reflexão sobre formação de jogadores e aplicação de uma filosofia de jogo. E se a ideia é recuperar as características que provocam essa repentina saudade do chamado “futebol bonito”, em vez de comemorar o título, melhor seria dizer “ganhamos, mas não é assim que pretendemos jogar”.

Quando jovens espanhóis e brasileiros se encontram num campo de futebol e a bola fica mais com o time de vermelho, temos um reflexo direto do tipo de trabalho que se faz em cada país. O que tem sido feito há anos na Espanha fica claro nas palavras de Fernando Hierro, ex-diretor da Federação Espanhola, em entrevista ao jornal britânico The Guardian, no mês passado: “Nossa filosofia é desenvolver qualidades nos times mais jovens, permanecendo fiéis a um estilo baseado no domínio da posse de bola e na intenção de impor o jogo ao adversário. Sei que a maioria dos países tenta fazer as categorias de base jogarem como o time principal, mas fazemos o contrário. O estilo do time principal baseia-se no que fazemos com os mais jovens”.

O que se faz, no Brasil, com futuros jogadores de futebol?

BARBARIDADE

A “condenação” de Ganso, baseada em um jogo, é incompreensível. O meia do Santos é o tipo de jogador que o futebol brasileiro deixou de produzir há muito tempo, e talvez seja o único que representa o jogo que um dia se praticou por aqui. A análise que se faz de seu desempenho ignora a quantidade de lesões que atrapalharam seu caminho. Ganso não joga bem faz tempo? Não. Mas há quanto tempo ele não tem as melhores condições para jogar?

AUTORIDADES

É cômico o silêncio constrangido dos que insistiam em ignorar o futebol que se joga fora do Brasil, e dos que diziam que o estilo do Barcelona “dá sono”. Mas nada tem sido tão saboroso quanto o desaparecimento dos críticos de Lionel Messi. Lógico que não demorará para que se volte a cobrar dele que ganhe uma Copa sozinho, ou que se diga que brilhar no Barça é fácil. Não duvide, também, do retorno do “o Barcelona não é tudo isso”.



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