COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

UM JOGO PERFEITO

Nas últimas vezes em que o Barcelona encontrou adversários que possuem capacidade técnica para enfrentá-lo, os primeiros movimentos dos jogos produziram a mesma impressão.

Contra o Manchester United (na final da última edição da Liga dos Campeões), em três encontros com o Real Madrid (Super Copa e Liga da Espanha) e em duas partidas contra o Milan (fase de grupos da atual UCL), houve um instante em que dissemos algo como “que interessante… o Barcelona não está conseguindo jogar”.

Os catalães estabeleceram um padrão de controle da bola que beira a ficção. São duzentos e tantos jogos seguidos com maior percentual de posse, o que reduz o adversário a um papel pré-definido: o de quem corre atrás. Quando vemos um cenário diferente, é como se a grama tivesse mudado de cor. Chama a atenção na hora.

Times que têm condições de encarar o Barcelona (antes que você pergunte: sim, o Santos tem) sabem que não podem cometer o suicídio de estacionar o ônibus na própria intermediária e esperar. Então começam o jogo dispostos a mostrar que não, não serão medrosos. Por alguns minutos, marcam no campo de ataque, pressionam a saída, equilibram a posse. Às vezes até marcam um gol, como conseguiram o Milan e o Real Madrid.

Mas há um momento, por volta dos 25 minutos, que temos uma sensação parecida com a de estar num avião que alcança a chamada “velocidade de cruzeiro”. O bicho para de subir, diminui a velocidade, os motores fazem menos barulho. É como se o jogo finalmente se encontrasse, assumisse sua configuração normal. Há um senso de calma quando a pressão inicial do adversário arrefece e a bola começa a rodar. É muito provável que isso aconteça amanhã, em Yokohama. O que decidirá o Mundial de Clubes depende do que o Santos fizer a partir de então, por dois motivos. Primeiro porque o que acontece no início tem pouco impacto no resultado final. E segundo porque o mundo inteiro sabe o que o Barcelona fará. Como sempre, gerará conteúdo ofensivo.

A ausência de referência é um dos aspectos fascinantes da decisão. Pesa (muito) contra e (pouco) a favor do Santos. Se José Mourinho – o treinador mais bem pago do mundo, no comando do elenco mais caro da História – já tentou diferentes abordagens e teve mínimas possibilidades contra o time de Guardiola, como se dará o Santos, que será apresentado a tais dificuldades logo numa final?

A resposta contém o nome de Neymar, ameaça igualmente desconhecida para os catalães, acostumados a lidar com Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney, Zlatan Ibrahimovic e demais nomes de periculosidade comprovada no futebol da Europa. O “fator Neymar”, ou seja, a capacidade da joia santista de fazer o que grandes atacantes europeus não têm conseguido, talvez seja a maior riqueza que a decisão do Mundial de Clubes nos oferece.

Mas é preciso lembrar que atacar o Barcelona representa metade da equação. E talvez seja a metade “mais simples”. O jogo que todos queremos ver tem de ser um jogo perfeito para o Santos.



  • ito

    Na real, essa mídia brasileira é uma piada. Até ontem o Neymar era o melhor jogador do mundo, o Pelé do século XXI, o cara que veio mostrar ao mundo como se joga futebol, etc. Já hoje, depois da derrota, estão crucificando o moleque. Sério, ele é um ótimo jogador, mas é um jogador nível Aguero. Não é um novo gênio do futebol e muito menos o novo Pelé (se bem que todo ano tem um novo Pelé na Vila Belmiro).

  • Joao CWB

    Para mim não foi surpresa os 4×0, poderia ter sido mais. Eu venho falando nesse mesmo blog há meses que com essa defesa o Santos ia levar uma surra.

    Até achei que lá na frente alguma coisa iria acontecer, mas com essa mania do jogador brasileiro de dar chutão pra frente não há como aprimorar o passe. Há males que vêm para o bem e essa surra serviu para que repensemos o nosso futebol, de como aplicar uma filosofia séria sem demagogia.

    Ontem ouvi na TV um comentarista falando que não foi o futebol brasileiro que perdeu para o futebol espanhol e sim o poderio ecônomico brasileiro que perdeu para o espanhol. Até concordaria quase em absoluto, se não fosse pelo detalhe que o Barcelona é a base da seleção espanhola, e se dinheiro fosse sinônimo de sucesso dentro de campo, o Real Madrid seria o melhor time do mundo há anos.

    Abraço

  • Danrussel

    Caro André, na sua coluna dominical, vc cita: “Times que têm condições de encarar o Barcelona (antes que você pergunte: sim, o Santos tem)…”. Ficou provado que o Santos não tem a menor condição de fazer frente à essa seleção do Barcelona. Foi humilhante. A palavra é essa: humilhante.
    Nunca vi um time brasileiro ser tão humilhado num campeonato tão importante.
    ***
    E todo mundo fala do Neymar, mas ele não teve culpa. A bola nem chegou para ele. Agora ninguém fala do PÉSSIMO rendimento do Ganso. Parecia 
    que tava jogando uma partida do Paulistão. Dormindo em campo. Lamentável.

    AK: O texto fala em “condições técnicas” de jogar contra o FCB. Isso significa ter meios para ser competitivo, criar algumas dificuldades. O Al Sadd, por exemplo, não tem. Um time que possui jogadores como Arouca, PHG, Neymar e Borges, obviamente, tem qualidade técnica para jogar. Colocar essa qualidade em prática depende de algumas obrigações que o Santos não cumpriu, o que nos deu a impressão de que só havia um time em campo. Um abraço.

  • Marco Antonio

    o maior culpado pela derrota de ontem foi sem dúvida o Muricy. Eu ainda não sei se foi burrice ou inocência. Achar que podia bater o Barcelona usando o mesmo esquema que as equipes européias, sobretudo o Real Madrid, com todos os seus galáticos, já utilizaram em vão. Fosse eu o Muricy e considerando que ninguém botava muita fé numa vitória mesmo, teria treinado meu time com o Arouca e o Henrique na zaga. Colocaria em vez de três zagueiros, mais três meias/atacantes e iria jogar que nem o Barcelona. O máximo que poderia acontecer seria perder de 4 a 0, sei lá, talvez de menos e me chamarem de louco. Ou quem sabe de visionário. Ou corajoso. Seja o que for, seria melhor do que está hoje.

  • Marco Antonio

    É uma coisa interessante, o Barcelona ganha (quase) tudo que disputa com um futebol de encher os olhos, mas ao que parece, até agora ninguém teve a idéia(?!) de copiá-lo. Como disse algum comentarista que ouvi, já existem equipes brasileiras (o Flamengo por exemplo) que tem a posse de bola como prioridade. Tudo bem. Mas o Barcelona não é isso. Não é prioridade, é obsessão. Ao ponto de abrirem mão dos zagueiros e jogarem com o time praticamente todo de meias. O objetivo não é o gol, é a posse de bola. O gol é uma consequência. Dizem que não podemos fazer isso porque não temos um Messi, ou um Chavi. É mentira. Podemos sim. Provavelmente não conseguiremos atingir o mesmo nível do Barcelona, com seus craques já criados dentro dessa filosofia. Mas com certeza teremos um futebol mais bonito. E os resultados com certeza virão. Basta coragem.

    AK: O objetivo é, sempre, o gol. A posse é o meio. Um abraço.

  • Marcos Vinícius

    André,desculpe o assunto off topic e batido,mas saiu uma reportagem no Lance! que tem muito a ver com algo que reclamo a algum tempo.

    Vamos a ele:

    http://www.lancenet.com.br/minuto/Ex-arbitro-Djalma-Beltrami-preso-Rio_0_611938834.html

    Curiosamente,este é o mesmo árbitro de Bangu 1×2 Flamengo,pelo Cariocão-11. O mesmo árbitro que prometeu jogo até 47 do segundo tempo e o levou até os 51 do mesmo,exatamente quando o Flamengo fez o gol que determinou a vitória.

    Se um cidadão,supostamente,aceita dinheiro de traficantes,será que não aceita de dirigentes de futebol para dar uma “mãozinha” a determinado time?

    Será mesmo que não existe esquema,ainda mais nos corrompidos Estaduais?

  • anderson

    Meu, acorda cara.Depois do vareio de bola de 4 x 0 onde devia ser 9 x 0 voce ainda insiste que o santos tem condiçoes de encarar o barça?Pelo amor de deus.O muricy fez certo, se tivesse ido pra cima levaria de 12 x 0 no minimo.

    AK: Preste um pouquinho de atenção na conversa. Um abraço.

  • Mateus Faria

    Andre concordo com você o barcelona é o melhor time do mundo? é sim, mas nao é tao melhor que o santos quanto foi na partida decisiva, no outro texto a informaçao dizendo que o santos nao conseguiu manter a posse de bola por 30% do tempo foi muito bem colocada, ate melhor que dizer que o barça teve 71% da posse de bola pois apesar de terem o mesmo significado a maneira que sao expostas transmitem reaçoes diferentes assim como falar que o santos tomou 4 do barça quando quem viu o jogo soube que era pra ter sido muito mais, todos que entendem um pouco de futebol ja sabiam que seria assim mas queriam acreditar em algo diferente que talvez o pobre davi da continente que espoliado pelo golias europeu tivesse a ultima joia em sua funda para derrota-lo mas infelizmente no mundo real isso nao acontece o santos talvez com medo do barcelona, nervosismo da final, respeito demais ou um pouco de cada nao atacou assistiu e quando percebeu ja estavam perdendo de 2, e ai tudo ja estava acabado, o que todos tem que entender agora é que o melhor time da america nao fez um bom jogo e o barcelona fez um otimo jogo quando mesmo que o barcelona tivesse feito um mau jogo e o santos o melhor do ano talvez nao fosse suficiente.

  • José Júnior

    PH Ganso é uma piada. O Neymar é ótimo jogador, mas muito fraco fisicamente e imaturo futebolisticamente. E a grande mídia nacional continua no mesmo nível do nosso futebol. Sobram soberba e sensacionalismos, faltam humildade e seriedade.

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