CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

CONFESSIONÁRIO

Interessantes os argumentos usados para criticar o Barcelona. A impressão que dá é que são, todos, efeitos colaterais do assombro que o time de Guardiola provoca no mundo. Porque, você sabe, há quem precise dizer que a unanimidade é… burra? Desculpe, o adjetivo deveria se aplicar às críticas.

Vejamos. Tem aquele do “sem Messi, é um time comum”. Não resiste a dez segundos de raciocínio. Pense num time, qualquer um. Agora pense nele com Messi, e depois sem ele. Como ficou? Existe algum time que seja tão bom sem Messi quanto com?

Esse tipo de “análise” comete dois crimes. Um é contra o próprio Messi, ao reduzi-lo à esperança de que sua ausência não seja notada. O outro é contra o clube que o formou. Como se Messi fosse um extraterrestre que passa a maior parte do tempo jogando a “Liga dos Campeões da Via Láctea”, e o Barcelona o alugasse de vez em quando para fazer diferença aqui no futebol terráqueo. Por favor… pensar no Barcelona sem Messi faz tanto sentido quanto pensar no U2 sem The Edge.

O pior é que a tese do “time comum” é mentirosa. Piqué, Alves, Busquets, Fàbregas, Sanchez, Xavi, Iniesta… sem mais. E se a ideia é distanciá-los de Messi, faça o contrário. Pense em Messi sem o Barcelona e terás… a Argentina de hoje. Gostou?

Tem também o “posse de bola não é tudo, é preciso ser produtivo”. O problema aqui é a falta de capacidade de entender o que o Barcelona faz. Eis uma equipe cuja identidade é o passe. Seu jogo é baseado na circulação da bola e na superioridade de posicionamento. A posse serve para atacar, para defender e até para descansar. Nesse sistema, não existe “passe improdutivo”, pois o objetivo é manter a engrenagem em funcionamento e alijar o oponente do jogo.

E tem o “a defesa é ruim, não acompanha o resto do time”. Cegueira absoluta. Seria bom que alguém definisse, exatamente, o que é “a defesa” do Barcelona.

Há várias formas de se jogar futebol. É permitido gostar e desgostar. Nenhuma é “moralmente” inferior às outras, desde que a relação qualidade/desempenho seja coerente. Se você nasceu na década de 70, não viu nada que funcione tão bem quanto o Barcelona de Pep Guardiola. Ou não compreende o que vê.

Admita.

DEGRAUS

A qualidade individual dos jogadores do Santos resolveu o jogo contra o Kashiwa Reysol (aliás, fantástica faixa no Toyota Stadium: “Somos o Kashiwa, estúpidos”). Lindos gols de Neymar e Borges, apesar do goleiro de futebol de botão japonês ser um anfitrião e tanto. Não se deve projetar o rendimento na final – provavelmente, contra o FCB – com base no que o time santista mostrou na semi. O nível de prontidão será outro.

BALANÇA

O único aspecto positivo de enfrentar o Barcelona na decisão do Mundial de Clubes é o senso de responsabilidade. Se acontecer o que se espera na semifinal desta quinta-feira, toda a obrigação de fazer o resultado no domingo, em Yokohama, será dos catalães. Mas se o mundo estiver em estado de choque (é futebol…) e o Catar em festa com a classificação do Al Sadd, quem entrará em campo carregando o peso extra será o Santos.



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