CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

INICIAÇÃO

Os garotos não sabiam para onde o pai os levava. “Uma surpresa”, foi a resposta que ouviram, “vocês vão ver quando chegarmos lá”.

O caminho pelas ruas de São Paulo era diferente, eles não estavam indo para a casa de nenhum parente ou amigo da família. Dentro do carro, a curiosidade era enorme. Quando perceberam que não adiantava insistir nas perguntas, desistiram.

Foi quando o pai quis saber se eles tinham vontade de conhecer os jogadores do time para o qual torciam, o Corinthians.

Era 1982. Os meninos estavam na idade em que não havia nada mais importante do que aquela camisa branca, de malha grossa, com o distintivo bordado do lado esquerdo. O mais velho até tinha uma com seu nome escrito nas costas, abaixo do número 8, o de seu jogador favorito. Presente de Natal que uma tia mandou fazer. Claro que eles adorariam conhecê-los.

Os meninos não sabiam para onde iam, não sabiam por que, não sabiam de muitas outras coisas. Não sabiam que aquele time era uma exceção na forma como jogadores se relacionavam entre si e com seu clube. Não sabiam que alguns deles eram maiores do que o futebol e tinham um papel importante no momento político que o Brasil vivia. Não sabiam que eram tão privilegiados pelos exemplos que tinham em casa, e por estar ali, dentro daquele carro.

Nessa idade, o futebol é um mágico sentimento que se apropria da nossa vida e tem o poder de transformar a segunda-feira no mais saboroso dos dias. Jogadores são personagens quase fictícios, de um mundo que não temos o direito de visitar. A relação é baseada na emoção e na distância.

Talvez por isso a conversa sobre conhecer algum jogador do Corinthians não tenha se registrado na cabeça dos dois garotos como algo possível. Nem quando o pai deles começou a passar nome por nome.

O carro parou na frente de um prédio. No elevador, não dava para suportar o “onde estamos?”. Campainha, e a porta se abriu. Surgiu um homem alto, magro, de barba, sorrindo. O irmão mais velho ficou paralisado. O mais novo, como se não acreditasse, perguntou: “é o Sócrates, pai?”.

Era ele. Como seria bom poder voltar no tempo.

MICO

Hoje já é quinta-feira, mas não dá para deixar de lamentar a grande falha do domingo que decidiu o Campeonato Brasileiro. Como pode haver um campeão sem troféu? Se o título poderia ficar no Pacaembu ou no Engenhão, que os dois estádios recebessem réplicas da taça. Troféu entregue em festa, com jogadores à paisana e longe da torcida é um desperdício do momento mais simbólico de uma conquista. Que em 2012 não seja assim.

SABADÃO

A coluna está em Madri, para a cobertura do clássico Real Madrid x Barcelona, no sábado. Jogo que promete sempre, mas desta vez, de um jeito diferente. O time merengue está voando alto, confiante nas próprias soluções que seu elenco estrelado oferece. O Barcelona não pode perder, sob pena de ver o rival escapar. E vai para o aeroporto logo depois do jogo, rumo ao Japão. Espn e Espn HD mostrarão, ao vivo, mais um “el clásico”.



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