CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

FEITIÇO DE ÁQUILA

É comum torcedores se imaginarem, em campo, vestindo a camisa de seu time num jogo contra o maior rival. Quase sempre, a imagem serve para “provar” que, papéis trocados, o torcedor faria melhor do que quem é pago (“e muito bem pago…”) para estar ali. Equívoco dos grandes. A arquibancada e o sofá são mundos completamente diferentes do gramado.

Bom exemplo é a declaração do atacante Pablo Daniel Osvaldo, da Roma, em entrevista recente ao jornal La Gazzetta dello Sport. “Não sou torcedor da Roma, por isso nada tenho contra a Lazio”, disse o argentino, com um nível de sinceridade raro em sua profissão. A exceção aqui não é a conduta, e sim a exposição.

Osvaldo não é diferente da grande maioria de seus colegas, em qualquer lugar do mundo onde o futebol faz parte da vida das pessoas. Não ter “nada contra” um rival tradicional não significa que ele não se empenhará quando enfrentá-lo, ou que não lhe fará diferença ganhar, empatar ou perder. Comportar-se dessa maneira seria um atentado ao profissionalismo, que nada mais é do que tentar fazer sempre o melhor.

Quando um jogador não deixa dúvidas sobre a única coisa que pode controlar – seu próprio esforço – numa partida de futebol, a torcida se sente representada. Sobre quem age assim, diz-se que “honra a camisa”. Já os que encarnam o temperamento do torcedor – que não precisa se controlar porque dele não se espera desempenho – geralmente têm vida curta no jogo. Tornam-se vítimas do destempero e acabam criticados justamente por quem pretendiam agradar.

E até aos jogadores que se declaram torcedores dos times que defendem é impossível escapar da principal distinção entre os mundos separados pelos limites do campo. Quando se é parte de algo e se tem a oportunidade de alterar seu desfecho, não há espaço para angústias. Elas resultam da impotência de quem fica do lado de fora.

O futebol sobrevive das rivalidades históricas entre clubes, que produzem jogos especiais e atuações inesquecíveis. É preciso entender e respeitar o fato de jogadores enxergarem essas situações de um jeito um pouco diferente.

Sim, eles se importam. Talvez tanto quanto você. Eles só não se importam como você.

FATOR

É um erro dizer que o Palmeiras “pode ajudar a decidir o Campeonato Brasileiro”, pois já ajudou. A diferença entre as campanhas do Corinthians e do Vasco, nas últimas três rodadas, é exatamente o empate vascaíno contra o Palmeiras. São os dois pontos que separam os candidatos ao troféu. O curioso é que, se repetir o resultado contra o rival, o alviverde pode contribuir para um empate em pontos, mas não mudará o destino do título.

ELEMENTAR

Se a ideia era ter um ex-jogador da Seleção Brasileira no comando do COL da Copa de 2014, que o nome fosse anunciado desde o início. Entre outras coisas, evitaria-se o despropósito de ter o presidente da CBF na função. A passagem do cargo para Ronaldo não esconde a enorme distância entre o que a novidade parece e o que realmente é: uma manobra estratégica do dirigente, pressionado, à procura de ar. Não se engane nem por um segundo.



  • Marcel Souza

    André, boa coluna! Só não entendi a citação ao fantástico “Feitiço de Áquila” no título. Foi mesmo uma homenagem ao filme ou tem algo a mais que eu perdi? 1 abraço!

    AK: Pense sobre o mistério do filme… Um abraço.

  • Anna

    Marcel, em O Feitiço de Áquila, o casal não se encontra. Há um feitiço jogado e eles se encontram num átimo de segundo na passagem do dia para a noite, como humanos, se não me engano. Ela é um falcão e ele é um lobo. A analogia que o André fez é muito boa. Também acho que aquele empate com o Palmeiras nos fará falta. Mas domingo, como já torço pelo Verdão, sou Palmeiras desde criancinha. Bom final de semana a todos e bons jogos, Anna

  • alex

    e assim caminha…….

  • Willian Ifanger

    Eu ia fazer a mesma pergunta que o Marcel….não consegui encaixar o filme na coluna. Mas, por favor, também não precisa explicar pra gente não passar vergonha aqui……hehehe.

  • Vitor

    Ótimo artigo do Fernando Sampaio da Jovem Pan, sobre a influência do “tapetão” na reta final. Não li nada parecido na mídia. Ele acertou na mosca.

    http://blog.jovempan.uol.com.br/fernandosampaio/eu-sabia-o-tapetao-apareceu-na-hora-da-decisao/

  • Marcos Vinícius

    Eu sou o terceiro que ia fazer a pergunta sobre o filme.O filme é do meu tempo de garoto,um romance,bom filme,até,me lembro dele com detalhes.

    A mulher era uma águia de dia e o homem um lobo a noite,não podiam se encontrar embora vivessem juntos constantemente.

    Se você estiver falando da relação jogador/torcedor (quem está na arquibancada nunca vai estar em campo),faz sentido.

    Poderia explicar melhor?

    AK: Não é necessário. É isso. Um abraço.

  • Marcos Vinícius

    Logo eu que,segundo algumas opiniões,tenho dificuldade em interpretar textos.

  • Marcos Vinícius

    Acabou de me ocorrer um filme que vi,Amor em Jogo,com Drew Barrymore e Jimmy Fallon.O cara é um professor de matemática apaixonado pelo Red Sox,não perde um jogo.Num desses,após uma derrota do seu time,ele está em um bar e vê os principais jogadores do seu time jantando,conversando animadamente e rindo. Então ele chega a essa conclusão.

    “Eles se importam,mas não como nós.Para eles é só um jogo”

    Aí,André,se a CBF (leia Ricardo Teixeira) quisesse mesmo um ex jogador tão envolvido com a Copa para ser presidente do COL,por que não convidou o Romário,que está publicamente engajado nessa empreitada?

    Será que é porque não são gatos do mesmo balaio?

  • “É preciso entender e respeitar o fato de jogadores enxergarem essas situações de um jeito um pouco diferente.” Essa frase resume tudo. Parabéns pelo texto.

  • Willian Ifanger

    Agora peguei o espírito do texto…..obrigado Marcus Vinícius.

    Aliás, Marcus, você citou esse filme, mas faça um favor a você mesmo: assista ao original. Deve ser fácil de achar via torrent. Se chama “Febre de Bola” (Fever Pitch), com Colin Firth, e, ao invés de beisebol, o filme aborda o futebol.

    Sempre que estou de saco cheio de futebol e de mal do meu time, assisto esse filme pra me lembrar porque sou apaixonado por tudo isso.

  • Gustavo

    André,

    Nos últimos dois anos o Mano Menezes foi pra seleção brasileira, o André Sanches para a Diretoria de Seleções, o Ronaldo para o Comitê, o Clube dos 13 pras cucuias por iniciativa do Diretor de Seleções e o estadio corintiano deixou de ser um sonho antigo para ser o palco da abertura da Copa.

    Falta mais alguma coisa?

    Abraço.

  • Marcos Vinícius

    Gustavo…

    Falta. O título brasileiro deste ano.De um jeito ou de outro ele vem.Tem muito dinheiro e gente importante envolvida.

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