CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

JONAS É BROTHER

Diferentemente do que se imagina, o bônus do jornalismo esportivo não é testemunhar grandes eventos. Lógico, essa parte não é chata. Mas a verdadeira riqueza é conhecer pessoas.

Numa quinta-feira pela manhã, em abril, o despertador tocou e passei por uma dessas situações comuns na vida de pilotos de avião: demorei para lembrar onde estava. O quarto de hotel não parecia estranho, mas não me disse nada. A memória voltou quando abri a janela e olhei para o relógio. Eram 8 da manhã em Valencia, e eu estava atrasado.

O “adormecer” tinha acontecido apenas duas horas e meia antes, quando finalmente o trabalho da noite anterior permitiu. Barcelona e Real Madrid tinham jogado a final da Copa do Rei. O pós-jogo (saída do estádio, edição e envio da reportagem para o Brasil) foi marcado por toda sorte de problemas – assunto para outro dia. Não fosse a generosa diferença de horário, nada teria ido ao ar na ESPN Brasil. Mas o despertador teria tocado na mesma hora, porque Jonas nos esperava antes do treino.

Thiago, irmão do atacante do Valencia, insistiu para que fôssemos até um hotel no centro da cidade. Era apenas um ponto de encontro, para depois seguirmos em dois carros até o centro de treinamento do clube espanhol, com uma escala na casa de Jonas para buscá-lo. No estacionamento do CT, nos cumprimentamos rapidamente e Jonas foi treinar. Enquanto esperávamos, a conversa na cafeteria foi sobre um filme que terá um final feliz.

Thiago falou sobre a carreira do irmão. As dúvidas e o início no Guarani, o drama por causa da lesão no joelho no Santos, os problemas  na primeira passagem pelo Grêmio. A recuperação na Portuguesa, o sucesso no retorno ao Grêmio e o real significado da expressão “decisão familiar”, ao nos contar por que seria loucura deixar passar a chance de jogar na Liga Espanhola.

Enquanto ele falava, a lembrança de Jonas e seu pai chorando durante a entrega da Bola de Prata do ano passado era impossível de ignorar. Não havia um par de olhos secos na plateia. Impressionante como a emoção genuína, aquela que não aceita ser controlada, é capaz de nos marcar.

Comemorei os gols de Jonas no amistoso da Seleção Brasileira contra o Egito. É ótimo ver coisas boas acontecendo a quem merece.

 POETA

Joseph Blatter declarou ontem que a solução para episódios de racismo no futebol é um aperto de mão entre os envolvidos. Sabe-se que o presidente da Fifa vive em seu próprio mundo, a novidade agora é perceber que ele ignora o mundo real. Quase na mesma hora da divulgação da pérola, o uruguaio Luiz Suárez, do Liverpool, foi formalmente acusado de ter usado uma ofensa racial contra Patrice Evra, do Manchester United.

NO PONTO

Equilíbrio não significa, necessariamente, qualidade. Mas deve ser difícil criticar o sistema de disputa de um campeonato com 20 times, que chegou à trigésima-quinta rodada com apenas um (Grêmio) na chamada “zona do limbo”. O Campeonato Brasileiro tem muito a melhorar: deveria ser disputado em outra época do ano, e não poderia ser tão prejudicado pela Seleção Brasileira. Mas a fórmula? Parece que a fórmula ficou madura.



  • Felipe

    Curioso isso. Sempre fui crítico do sistema de pontos corridos por achar que em um país com 12 clubes grandes a chance de se criar uma panela de campeões existia. Hoje gosto do sistema (o argumento de que é mais justo continua tolo na minha opinião), mas ainda acredito que o grande problema está no restante da temporada. Se tivéssemos um Brasileirão de março a dezembro, com Libertadores e Copa do Brasil em paralelo, teríamos times mais preparados e um campeonato menos esquizofrênico.

  • Anna

    Gostei muito do título. E também adorei o fato de Jonas ter feito os dois gols. Ele merece, sem dúvida. A declaração de Blatter sobre a não existência de racismo é uma piada de muito mau gosto. Bom final de semana, Anna

  • Fabio

    Sobre o Jonas, pra quem não acompanhou –> http://www.youtube.com/watch?v=VRcx91ETzWk

  • Marioh

    Jonas, deve muito à Portuguesa e vice-versa.

  • LM_RJ

    No que depender da motivação do Cuca, tecnico do galo, não espere moleza para o corinthians no domingo:

    “Se vencer o líder, domingo, no Pacaembu, Cuca estará ajudando não apenas o seu clube atual a se manter na Série A – o que conseguiu de forma milagrosa nas Laranjeiras em 2009, quando foi picado pela flecha do cupido tricolor – como colaborando indiretamente para a realização de um sonho seu: “Vou torcer pelo Flu. Quero vê-lo campeão”, disse há quatro rodadas à reportagem do canal a cabo SporTV. “Adoro o Flu mais do que tudo”, declamou em entrevista ao jornal Extra, edição de domingo retrasado.”

    fonte:
    http://globoesporte.globo.com/platb/joaomarcelo/2011/11/16/fluminense-x-gremio-2/

  • HAHAHAHAHA… O trocadilho do titulo ficou muito ruim! (haha… me perdoe! entendo que deve ter sido irresistível! haha)

    Voltando… sempre gostei muito dele. Jamais o crucifiquei, pois por mais que não tenha ido tão bem em alguns momentos por diferentes clubes, jamais se demonstrou um jogador de péssima qualidade.

    Quando ele estava no Santos, eu já o queria no meu Verdão. Agora é tarde…

  • Hugues

    André, sobre seu último tópico, acho que com tudo organizado, calendário adequado e parada nas datas FIFA, somado a falta de cooperação entre dirigentes, podemos em menos de uma década ter um campeonato bipolar, entre os dois clubes de maior torcida, pois a diferença de arrecadação com TV ficou muito grande. É uma pena que a bagunça seja o que mantenha o campeonato interessante. Abs

  • Marcos Vinícius

    Também achei o trocadilho do título ruim à beça. Logo tu,cara,que é bom em trocadilho,mandou mal nesse. Jonas Brother’s,não tinha nada melhor para colocar,não? Pô,malzão!

    Blatter,depois dessa entrevista,disse que foi mal interpretado. Como alguém pode interpretar mal palavras tão diretas? Mas não concordo com você quando diz que ele ignora o mundo real,não é bem isso. O que Blatter quis foi minimizar o problema,o colocando como algo quase ridículo,como se um “ah,você entende,não é? foi no calor do jogo,acontece.” fosse a solução para algo que,infelizmente,está cada vez mais invadindo os noticiários esportivos.

    Acho que o que ele sugeriu foi que não tenha punição severa para atos como o de Luiz Suárez.Mas ele nem precisava sugerir isso. Roberto Carlos,Neymar e Eto’o já sabem que essas atitudes não sofrem represálias.

    Felipe…

    Cara,é incontestável. A única coisa que faz com que o campeão não seja o time mais equilibrado do campeonato,e ser equilibrado não quer dizer que seja o melhor,é a famosa “entregada”,como vimos,principalmente,em 2009. Desde que o campeonato começou a ser disputado dessa forma o campeão (quase,exceto em 2009) sempre foi o time mais equilibrado. Se alguém vier me dizer que o mata-mata era mais emocionante,concordo,mas esse sistema nem sempre premia o melhor time. É só o time fazer um jogo ruim na fase de mata-mata que todo o trabalho de um campeonato inteiro vai por água abaixo.

    Acho que o Jonas viveu uma fase iluminada no Grêmio,mas o fato de ele ter uma bonita história fora do campo e ser boa praça não faz dele jogador de seleção. Para mim é um bom jogador,mas nada além disso.

  • João Coutinho

    Discordo quando afirmam que esse formato premia o melhor time. Em 2008 não foi assim… em 2005 muito menos. E outra: se o “melhor time” é mesmo o melhor time, ele tem que vencer mata-mata também.

    AK: Conceitos completamente equivocados. Um abraço.

MaisRecentes

Gato



Continue Lendo

A vida anda rápido



Continue Lendo

Renovado



Continue Lendo