COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

ACORDA!! ACORDA!!

Quarenta minutos? Seria ótimo. Trinta? Quinze? O que for possível.

Nessa altura do Campeonato Brasileiro, o Corinthians aceita o que Adriano tiver. O clube está convencido de que o jogador que poderia ser “uma contratação de impacto”, entrando no time a partir de setembro, não chegará à forma de competição em 2011. E decidiu que qualquer contribuição que o atacante puder oferecer, em campo, nas últimas rodadas, será lucro.

Na tarde de 19 de abril, uma terça-feira, não foi apenas o tendão de aquiles do pé esquerdo de Adriano que se rompeu durante um treinamento leve. O mesmo aconteceu com os planos do Corinthians para sua principal aquisição na temporada. O tendão foi reconstituído. Os planos, não.

Adriano se recuperava de uma cirurgia no ombro direito quando se machucou. Buscava condições físicas para jogar a primeira rodada do BR-11. Ainda que ele tenha entrado em campo por minutos, duas vezes, no mês passado, sua estreia não aconteceu. Não como se imaginou. No Corinthians, ninguém acredita que acontecerá. Um alto dirigente do clube tem dito a pessoas próximas que Adriano “não tem jeito”.

A recuperação da cirurgia no tendão foi seriamente comprometida por faltas às sessões de fisioterapia. De acordo com um funcionário do Corinthians, ao longo dos últimos meses, Adriano deixou de comparecer a mais de 40 delas. Houve ocasiões em que ele não se apresentou na condição ideal para trabalhar.

Certa manhã, entre o terceiro e o quarto mês de tratamento, Adriano descansava numa maca no departamento de futebol. Um dos médicos do Corinthians entrou, irritado com o resultado de um exame. O tendão do atacante não tinha evoluído como deveria. “Acorda!! Acorda!!” gritou o médico, que queria mostrar o papel a Adriano, para conscientizá-lo da necessidade de levar a fisioterapia a sério. A cena foi testemunhada por outros jogadores.

Muitas vezes, Adriano foi liberado das sessões. O Imperador elaborou um rodízio de pedidos de folgas, em que alternava os destinatários de suas ligações. Sabia, por exemplo, que se telefonasse à noite para um determinado membro do departamento médico, conseguiria sem muitas dificuldades a autorização para faltar no dia seguinte.

Há algumas semanas, uma decisão interna foi tomada: acabaram as folgas para Adriano. O avanço na perda de peso e o consequente ganho de mobilidade demonstrado nos últimos dez dias, são, também, resultado de um período de assiduidade do jogador. O que leva observadores a se perguntarem em que estágio Adriano estaria hoje, se tivesse tratado toda sua recuperação com profissionalismo.

É fácil, contudo, aplicar a ele o rótulo de irresponsável e culpá-lo por um ano frustrante. Quem quiser analisar o caso com seriedade, sabe que o caminho não é esse.

Adriano pode entrar no jogo deste domingo contra o Atlético Paranaense e transformá-lo. Pode fazer o mesmo nos próximos. Tem talento para tanto. Mas também pode ter apenas um impacto na campanha do Corinthians no campeonato: a noite que saiu de seu apartamento e foi ao Pacaembu, no intervalo, incentivar seus companheiros a virar o jogo contra o Flamengo.



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