CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SILÊNCIO GRITANTE

Quando jogava, Romário se acostumou à sensação de que os zagueiros não tinham respostas para seus movimentos, especialmente dentro da grande área. Como parlamentar, ver suas perguntas ignoradas não lhe caiu bem.

Apesar do embargo imposto por certas áreas da mídia, você deve saber que o deputado artilheiro tostou Ricardo Teixeira e Jérôme Valcke, na terca-feira, em audiência na Câmara. Ao apresentar questões pertinentes, aquelas que as pessoas que ele representa gostariam de fazer ao presidente da CBF e ao secretário-geral da Fifa, Romário lecionou os políticos profissionais brasileiros. O silêncio dos convidados disse tanto quanto suas expressões molestadas.

A ausência de explicações ainda era o assunto, ontem à tarde, quando Romário foi ao gabinete do senador Álvaro Dias. De vinte minutos de reunião resultaram algumas iniciativas para que “o Brasil saiba com quem está lidando”, como declarou o deputado.

A primeira delas é protocolar um documento para que o Ministério da Justiça se envolva no caso da ISL. A presença do governo brasileiro junto aos esforços de empresas de comunicação europeias, para que os arquivos que a Justiça Suíça guarda em segredo sejam divulgados, pode acelerar o processo e revelar o que aconteceu com os pagamentos feitos pela extinta parceira de marketing da Fifa.

Romário e Álvaro Dias também pretendem fortalecer o movimento pela defesa dos interesses do Brasil no que diz respeito à Copa do Mundo de 2014. Na Câmara e no Senado, outros parlamentares serão convidados a participar. Poderiam começar lendo os relatórios das CPIs que investigaram a CBF no início dos anos 2000.

As perguntas que não foram respondidas na audiência de anteontem lembram a recusa de motoristas embriagados a soprar o bafômetro. Ninguém é obrigado a produzir provas contra si. A diferença, no caso dos documentos da ISL, é que as evidências não são eliminadas pelo organismo com o passar do tempo. Elas estão numa pequena cidade suíça, aguardando a ordem para se tornarem públicas.

Há cada vez mais gente interessada.

MAIS UMA AULA

O futebol brasileiro só será o que pode ser quando os nossos melhores jogadores permanecerem no país. Quando tiverem motivos para escolher ficar. O Santos e Neymar, de novo, mostraram como fazer. Gestão profissional, organização, calendário… há muito por melhorar, mas o segundo “fico” de Neymar deve ser motivo de satisfação para quem gosta de futebol no Brasil. A não ser, é claro, que você seja zagueiro de um time da Série A.

AMOR E ÓDIO

Em campo, suando as camisas que veste e correndo até o fim, Carlitos Tevez representa o que há de mais bonito no futebol. Qual time não quer tê-lo? Fora do campo, recusando-se a respeitar as regras que não lhe agradam, Tevez representa o que há de mais feio. Quem quer? Seria ótimo poder contratar apenas o atacante, mas o jogador tem de acompanhá-lo. Estranha contradição. Tevez joga como quem ama o futebol, mas age como quem odeia.



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