BOAS HISTÓRIAS



É muito interessante a transformação do Vasco de preocupação em sensação da temporada.

Durante o campeonato estadual, as perspectivas eram assustadoras.

Elenco fraco, time ruim, técnico desacreditado.

De lá para cá, o Vasco conquistou a Copa do Brasil, pode ser campeão brasileiro e, após mais uma exibição para encher seu torcedor de orgulho, é semifinalista da Copa Sul-Americana.

Em campo, é a melhor história do futebol brasileiro em 2011.

Ano que poderia ter se encerrado, na prática, com o título da Copa do Brasil. Vaga na Copa Libertadores assegurada, o time poderia tirar o pé e passar o segundo semestre “se preparando” para 2012.

Não seria o primeiro a adotar esse comportamento.

Mas o Vasco fez o oposto. Acelerou.

Parece que o troféu da Copa do Brasil representou uma sensação tão boa, que o time quer vivê-la novamente.

Busca o que está a seu alcance, o que sabe que pode conseguir.

E corre riscos, o que é tão bonito quanto raro no futebol de hoje.

O elenco do Vasco não é tão numeroso. Não se pode dizer que foi montado com o planejamento de disputar competições simultâneas.

Mas é bom, valente e bem orientado.

A classificação de ontem, com vitória emocionante de 5 x 2 sobre os peruanos do Universitário, é o tipo de prêmio que só é possível para quem encara as dificuldades com tudo o que tem.

O tipo de atuação que – mesmo que resultasse em eliminação – conquista o respeito da torcida.

É difícil afirmar que o drama de Ricardo Gomes é a principal razão da postura que esse Vasco adotou. Mas é claro que as coisas estão ligadas.

Times que se percebem diante de problemas muito maiores do que treinar todos os dias e vencer jogos, tendem a ficar mais unidos, mais focados, mais fortes.

É bonita e admirável a caminhada do Vasco.

Que não perderá seu brilho se não produzir mais nenhum troféu.

______

Fantástica, mais uma, solução do Santos para manter Neymar em casa.

É exatamente dentro das salas de dirigentes que o avanço do futebol brasileiro tem de acontecer.

E no momento em que um jogador, desejado pelos maiores clubes do mundo, escolhe permanecer em seu time, o sinal é bom.

Há muito para ser feito no que se refere ao calendário, aos estádios, ao modelo de gestão, aos incentivos para que nossos cartolas trabalhem a favor das instituições. Mas a manutenção de ídolos é primordial para que o futebol no Brasil atinja seu potencial.

Há quem pense que Neymar deveria ir logo para a Europa e buscar a transformadora convivência entre os melhores.

Talvez se esqueçam de que ele ainda tem 19 anos.

Suponha que Neymar e as pessoas que o assessoram têm um plano de carreira que prevê sua chegada ao futebol europeu aos 25 anos. Idade em que, em tese, um jogador está mais próximo de seu auge, em todos os aspectos.

Ele poderia ficar no Brasil por 3 temporadas DEPOIS da Copa de 2014.

E especialmente depois do Mundial, quando o futebol brasileiro terá estádios modernos que diminuirão a distância em relação à Europa, em termos de “local de trabalho”, jogadores terão mais razões para atuar no Brasil.

O exemplo que o Santos deu ontem pode ter ramificações importantes.

Para terminar, um aspecto que foi muito comentado ontem: os “chutes errados” da imprensa.

Não se discute que houve erros, afirmações precipitadas, reportagens publicadas com elevado nível de irresponsabilidade.

Esse tipo de coisa acontece todos os dias, não apenas quando se trata de alguém com o poder de repercussão que Neymar tem.

Mas é evidente que havia negociações em andamento com Real Madrid e Barcelona, e que algumas matérias resultaram de conversas que estavam acontecendo.

Lógico, não se pode afirmar que “Neymar é do Barcelona”, “acertou com o Real Madrid” ou “vai para a Espanha em 2012”.

Mas se não houvesse o interesse, o assédio, as propostas e as conversas entre os dois gigantes espanhóis e o Santos/estafe de Neymar, Luis Álvaro Ribeiro não teria nenhum motivo para ligar para Sandro Rosell e para Florentino Pérez.

Aliás, é ótimo que um dirigente brasileiro telefone para seus colegas europeus e diga que o melhor jogador do país não vai a lugar nenhum.



  • Leandro Aragão

    André, não sei se você percebeu, mas quando o jogo terminou Dedé partiu pra cima de alguém chamando de moleque e pelo que vi, ele foi pra cima de Bernardo. Houve algum desentendimento entre eles ou Dedé estava reclamando com algum jogador do time peruano ou com a equipe de arbitragem? Abraço e parabéns pelos ótimos trabalhos no blog e na televisão.

  • Jorge Casoni

    Parabéns, belíssimo texto André!! Tanto do Vasco como de Neymar Jr.

  • Marcelo Morais

    “É bonita e admirável a caminhada do Vasco.”
    Concordo plenamente. Eh admiravel. Estou aplaudindo o time do Vasco ha alguns meses e, pelo jeito, continuarei aplaudindo ateh o fim da temporada. Nos ultimos anos, nao me lembro de ter visto um time com tanta garra e vontade.

    Quando comparo os feitos do CRVG em 2011 ao marasmo do meu time, fico desolado.
    Sugiro ao time do SPFC algumas aulas de motivacao com o time do Vasco.

  • Anna

    Adorei os dois textos. O do Vasco é perfeito. 😉

  • Juliano

    André, excelente como sempre.

    Faço apenas uma ressalva, que em nada tira o brilho da temporada do Vasco, e nem entra no mérito do astral que o time vive. A ressalva é feita apenas para o nível dos adversários em que os times brasileiros (qualquer time, nenhum em especial) tem sofrido para vencer. Reverter resultados negativos contra adversários que até ontem ninguém conhecia e amanha provavelmente iremos esquecer, casos recentes do Tolima, Aurora e desse time formado pelos índios do Peru. Até mesmo o meu Santos sofreu para passar por um time do Paraguai na Libertadores.

    O futebol brasileiro, principalmente com seus times de maior tradição, tem de se impor, atropelar, não há comparação. Se nossa estrutura é ruim, imagine a deles. Se aqui não se paga o mesmo salário que se paga na Europa, imagine nestes países. O peso da camisa e da tradição, nem se compara. Não dá mais pra times do Brasil sofrer com classificações “dramáticas” com tanta frequência. Mesmo os times mais tradicionais da Argentina e Uruguai já não são toda aquela força. O dito usado como desculpa pelos comandantes pouco competentes de que “não existe mais bobo no futebol” não cola. Na América do Sul, a superioridade do futebol brasileiro é tremenda, e isso tem de se fazer valer em campo. Revés acontece. Drama também. Mas não devia acontecer com tanta frequência.

    Sucesso!

  • Gilson

    Realmente é de dar “inveja(da boa é claro)” a vontade que os jogadores do Vasco estão impondo em seus jogos, principalmente nós que torcemos para o São Paulo e temos que ver um time totalmente apático, sem ter ganho nada durante o ano todo. Sempre fui admirei o Vasco, mas quando o mesmo estava nas mão do Eurico Miranda, passei até a torcer contra esse time. Mas ontem vibrei muito com a virada, que foi um espetáculo a parte a valentia(sem ser violentos) dos jogadores.
    Com relação ao Santos e ao Neymar, também dá aquela inveja. Uma diretoria que consegue segurar uma jóia como o Neymar, com tantos poderosos cercando-o, tem que merecer todos os elogios. Isso não vai ser bom só para o Santos, mas para todo o futebol brasileiro. Tomara que os dirigentes possam tomar como exemplo o que o Santos tem feito.

  • Marcel Souza

    A caminhada do Vasco é mais do que bonita e admirável, é exemplar. E não somente no futebol. Dá gosto de ver um time que joga pra ganhar e ganhar tudo.

    Sobre o Neymar também achei a notícia sensacional! Que não seja um fato isolado e se torne apenas o início de mudanças mais profundas!

    1 abraço,

  • matheus brito

    Como de costume, belos textos. A Engenharia que o Santos arrumou para manter Neymar até 2014, quando o contrato se encerra é bem admirável. Pensando direito, não seria nenhum absurdo se ele fosse vendido, pois seria a maior venda do futebol brasileiro em todos os tempos, todo mundo encheria os bolsos, inclusive o Santos. Contudo, é louvável a intenção do presidente do clube. Ao invés de lucrar(e muito) com a venda de seu principal jogador desde Pelé, ele vislumbra o fortalecimento da marca, além do crescimento da torcida e do número de sócios. Além é claro de possíveis patrocinadores para o clube, já que Neymar não deve mais nem ter agenda para atender os seus tantos. Louvável, admirável e um exemplo a ser seguido. Lembro que escrevi aqui após a Copa do Brasil do ano passado que Neymar nem disputaria o Brasileirão daquele ano. É mais uma da série “Ainda morro e não vi tudo”. Tomara meu time siga esse exemplo e mantenha o Dedé aqui também. Aliás, falando nele, com que palavras posso descrever o que ele fez ontem. É o tipo de atuação que não deixa a torcida desacreditar nem por um minuto. Soberbo, impecável, espetacular. O Mito sentiu que, devido a infelicidade do segundo gol peruano, o resultado tornava-se obrigação sua. Se não sentiu isso ao menos agiu como se fosse. Sem palavras.
    Que fique por aqui como o Neymar está ficando. Que fique o lucas, que fique o Ganso e que voltem tantos outros. Nosso futebol é grande, mas pode ser enorme, muito maior do que é. Não liguem para eleições de bola de ouro da fifa ou prêmio de revistas. Olhem para a torcida, vejam os semblantes em seus rostos quando fizerem atuações como a do Dedé ontem ou a do Neymar no domingo. O futebol brasileiro já foi lugar dos melhores, deixou de ser, e cada vez mais jovens. Muitos que brilham por lá nós nem vimos por aqui. Atuações de dirigentes como o presidente santista nos dão esperança de podermos ir novamente assistir aos jogos dos aspirantes. Os mais velhos devem se lembrar. Você via o time de baixo jogando antes da partida principal e ficava imaginando quando que aqueles jogadores que estavam ali iriam para o time de cima.
    Parabéns ao Vasco, parabéns ao Santos, parabéns ao Neymar e ao Dedé. E que este último siga os passos do mais novo, do menino prodígio da Vila. Lugar de craque é aqui no Brasil. Querem craques? fabriquem. Como? Se virem, mas os nossos devem ficar aqui.

  • Fred

    A postura do Vasco de querer brigar por tudo realmente é admirável, mas, como o calendário é extremamente mal feito, essa briga do Vasco vai fazer ele ficar sem o Brasileiro e sem a Sulamericana. Vai ficar somente na briga…

  • Marcos Vinícius

    Claro,sou suspeito.

    A diferença técnica entre o Vasco e o Universitário é muito grande.Para piorar as coisas para os peruanos,eles vieram ao Rio para não ganhar e levar a vaga.Postura acanhada,buscando contra ataques isolados,lembrem-se que foi assim que nasceu seu primeiro gol,jogando com oito jogadores na defesa na maior parte do jogo.Pecou pela covardia,pagou com a eliminação.O jogo foi praticamente ataque contra defesa,principalmente no segundo tem,quando,com 10 de um lado e 9 do outro,os espaços se multiplicaram.

    Dos titulares do Vasco,apenas Diego Souza chegou no meio da temporada.O restante do elenco é o mesmo de 2010.Quando Juninho Pernambucano chegou o time havia acabado de conquistar a Copa do Brasil,o elenco estava reerguido.

    O que realmente,aliás,QUEM realmente mudou o Vasco foi Ricardo Gomes.Chegou com jeito manso,sereno,arrumou a casa,deu padrão ao time.Segundo o próprio Ricardo disse,”o time entra em campo sabendo o que tem que fazer”.O maior mérito de Cristóvão Borges foi manter exatamente o mesmo padrão de Ricardo.

    Lendo um jornal do Rio hoje (vou dizer qual,o Jornal dos Sports) o mesmo definiu a atuação de Dedé assim:

    “Sua centésima atuação pelo Vasco foi coisa de cinema”.

    É,foi mesmo.

  • Nilton

    Fred, tem muito time por aim que gostaria de pelo menos estar na briga (em especial SP e Palmeira), e alguns que gostaria muito de não estar na briga pelo rebaixamento (Cruzeiro, Atl-MG, Bahia). É complicado mas enquanto se esta na briga sempre haverá esperança de bom espetaculo.

  • Alexandre

    Chute errado ou exemplo de mau jornalismo?

    http://blogs.estadao.com.br/sonia-racy/reviravolta-no-futebol-neymar-fecha-com-o-real-madrid/

    Se todas as vezes que parte da imprensa afirmou textualmente que Neymar e Ganso foram (notem o pretérito perfeito) vendidos, o Santos de fato recebesse o valor dos respectivos direitos federativos, o clube já teria recursos para construir um Itaquerão. À vista.

  • Paula

    Vasco tá uma beleza. Só acho que o nível do inicio do ano foi fruto da vontade que eles tinham de que o técnico caísse. Assim que assumiu o novo o animo foi outro e o time tb!

  • Veronica Bessa

    Ser VASCO é ser assim… torcer, vibrar, sofrer… mais o importante é ter um final feliz…Só digo uma coisa para jogadores ( Celebridades ) continuem com a mesma raça, determinação também no brasileirão Juntos chegamos lá. E faremos a DIFERENÇA….

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