CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

MACHO ALFA

A sala de fisioterapia do Centro de Treinamento do São Paulo tem três entradas. A porta que permite o acesso pelo estacionamento é raramente utilizada. Foi feita para facilitar a visita de personalidades importantes.

Simbolicamente, talvez, foi por ela que Émerson Leão entrou na segunda-feira da semana passada, por volta das 17 horas. Uma das primeiras pessoas que o novo técnico do São Paulo avistou foi Casemiro, deitado numa maca, em tratamento de lesão na coxa direita. O encontro foi marcante, para ambos.

“Dois brincos?!”, exclamou Leão, ao examinar os brilhantes adereços que ornamentavam as duas orelhas do volante. “Não…”, reprovou. Casemiro, constrangido, apenas sorriu. Difícil imaginá-lo, hoje, circulando pelo CT com os mesmos acessórios. O time está sob nova administração.

O time, não o clube. Uma das características notadas por funcionários do São Paulo que trabalharam com Leão em 2004-05 é sua discrição em relação ao que não lhe diz respeito. Na passagem anterior, o técnico queria ser dirigente. Agora, é apenas treinador. “Mas, com os jogadores, o comando continua firme”, diz um observador.

Durante essa semana, o São Paulo treinou todos os dias pela manhã, e sempre às 9 horas. Para chegar antes de Leão, é preciso ser a pessoa que abre o portão do CT. O hábito é antigo – quando treinava o Santos, Leão morava em São Paulo e também era o primeiro a aparecer para os treinos às 8h30. Jogadores atrasados pensavam três vezes antes de apresentarem seus argumentos.

Mas parece ser um Leão diferente também nesse aspecto. Anteontem, o time já estava em aquecimento quando Willian José chegou ao campo. O técnico fez um comentário jocoso (“imagine se ele tivesse feito dois gols…”) e resolveu não aplicar seu sistema de policiamento interno para atrasos: adiantar o treino do dia seguinte em meia hora.

A autoridade se revela em pequenos episódios, perceptíveis aos olhos e ouvidos habituados ao cotidiano são-paulino. Outros técnicos teriam esperado até a última hora para tirar Rogério Ceni do jogo contra o Vasco. Leão encerrou o assunto na sexta-feira. Comentários pontuais, e nominais, sobre certos jogadores – perigosos para treinadores de costado mais estreito – também evidenciam um novo comando.

Os próximos seis jogos dirão se era isso que faltava.

JOIA

O que a indicação de Neymar para o prêmio “Bola de Ouro da Fifa” nos ensina? Que, sim, um jogador que atua fora da Europa pode ser eleito o melhor do mundo. Mais: que Neymar pode, um dia, ganhar o prêmio jogando no Brasil. É mais uma prova do sucesso da operação desenhada pelo Santos para mantê-lo em nossos (defeituosos) gramados. Mais uma prova do acerto de sua decisão de ficar. Exagero, porém, dizer que ele joga mais do que Messi.

MICOS

Sobre a lista dos 23 candidatos: impossível fazer uma relação desse tipo sem cometer injustiças. Mas há alguma explicação para a inclusão de Eric Abidal? E Cesc Fàbregas, que disse não saber por que era considerado? Enquanto isso, Robin Van Persie foi esquecido. Ele e seus 28 gols em 27 jogos pelo Campeonato Inglês. E jogando no atual Arsenal, ou seja, sozinho. A mídia inglesa vê uma coisa dessas e fala em retaliação da Fifa…



MaisRecentes

Decisões



Continue Lendo

Plano B?



Continue Lendo

Pendurado



Continue Lendo