CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

O VISITANTE ESCOCÊS

Quando Andrew Jennings chegou ao Senado Federal, na manhã de ontem, uma pessoa já o esperava. Era uma oficial da Justiça brasileira, com a missão de entregar a ele uma citação do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. O dirigente quer explicações sobre o que o programa Panorama, feito pelo jornalista britânico e apresentado pela BBC, revelou ao mundo sobre a corrupção na Fifa. Jennings não acha que é ele quem tem algo a explicar.

“Nunca fui, e nem serei, processado por um dirigente que denunciei”, disse Jennings, momentos depois, em sua explanação na audiência pública na Câmara de Educação, Cultura e Esporte, para a qual foi convidado. “Eles sabem que não podem entrar num tribunal para ser ouvidos sob juramento”, completou.

Ao se encontrar com a funcionária da Justiça, Jennings estava ciente de seus direitos como estrangeiro no Brasil. Educadamente, recusou-se a encostar no papel. “Posso cumprimentá-la com um beijo, mas não toco nisso aí”, avisou. A moça foi embora.

O segundo movimento da CBF para deixar o repórter escocês em situação desconfortável aconteceu durante a audiência. Jennings dissertava sobre as pessoas e empresas que receberam pagamentos da ISL, enquanto Vandenberg Machado, lobista da CBF, conversava com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Apesar da clara intenção da base governista de esvaziar a sessão, Nogueira tentou cumprir a ordem que recebeu da CBF num telefonema pela manhã: defender Ricardo Teixeira. Aparentemente tenso (levantou-se várias vezes de seu lugar), Nogueira não pediu a palavra em momento algum.

O mesmo lobista da CBF também sentou-se ao lado de outro senador “aliado”. Delcídio Amaral (PT-MS) estava curioso: “Ele mostrou alguma coisa?”. À frente deles, os senadores examinavam a apresentação de Jennings, devidamente traduzida.

A pedido do senador Pedro Simon (PMDB-RS), o conteúdo da audiência será enviado à Presidência da República. Jennings também se colocou à disposição da Polícia Federal para ser ouvido sobre o que descobriu. Enquanto isso, os papeis do acordo do caso ISL estão trancados num cofre em Zug, na Suíça.

É neles que a Justiça brasileira deveria estar interessada.

EXTRATO

Jennings passou aos senadores as informações contidas numa lista com mais de 150 pagamentos feitos pela ISL a pessoas e empresas. Nicolas Leoz, presidente da Conmebol, nem se preocupou em se esconder. Seu nome está lá. A Sanud, empresa que seria de Ricardo Teixeira (com sede em Lichtenstein), também aparece. Diversos termos em português chamam a atenção. Entre os recebedores, há também uma conhecida agência de turismo brasileira.

ALARME

Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), um dirigente sob investigação não pode permanecer à frente da organização da Copa de 2014. “Num país sério, Ricardo Teixeira já teria sido afastado. Mas nós temos dúvidas quanto à seriedade do governo em relação a essa questão”, disse Dias, um dos autores do requerimento que possibilitou a audiência pública de ontem. Ele também criticou a subserviência do país às exigências da Fifa.



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