COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

A COPA NO CASSINO

A roleta está girando. Carregando uma pequena bolinha e a maior aposta da história do futebol no Brasil: a Seleção Brasileira só colocará os pés no Maracanã se for à decisão da próxima Copa do Mundo. A roleta só vai parar de girar por volta das 18 horas do dia 13 de julho de 2014.

Se quanto maior o risco, maior o lucro, resolveu-se apostar tudo. Todas as fichas na final. Ou melhor: todas as fichas numa vitória na final. Porque uma repetição do Maracanazo, 64 anos mais tarde, é um cenário que conseguiria reunir tudo o que foi feito de errado no calendário da Copa. E não é pouco.

Falando no que se pode medir, a aposta custará cerca de R$ 1 bilhão. É o preço da desfiguração do Maracanã, de sua transformação em algo capaz de habilitá-lo a ser o segundo estádio na História (Azteca, México) a receber o jogo mais importante de duas copas.

Mas há o aspecto incalculável, para os dois lados. Se ganhar, o fato de a Seleção só se apresentar uma vez no maior símbolo do futebol brasileiro será relevado. O triunfo em casa terá todas as características de um dia sublime, perfeito. Um desfecho que vale todos os riscos. Só que se perder…

E se não chegar? Sim, a pergunta precisa ser feita. E se o Brasil e o Maracanã não se encontrarem em 2014? Significará que o torcedor carioca, aquele que se relaciona com a Seleção da maneira mais íntima, verá o time jogar exatamente da mesma forma que os chineses, ou os australianos. Pela televisão.

Sim, a Copa passará pelo Maracanã. Sete jogos, alguns certamente atraentes. Mas não há nenhuma garantia de que o estádio será o que sempre foi: a casa da Seleção Brasileira. Inacreditável. O carioca pode se sentir como alguém que pede o prato mais caro do restaurante e aguarda por duas horas, comendo torradinhas com manteiga. Até que o garçom se aproxima, se desculpa, e diz que a cozinha fechou.

Horrível o tratamento dispensado a um templo. Retalhado sob o argumento das “exigências Fifa”, plastificado para não revelar sua idade, ludibriado por razões incompreensíveis. O estádio, sua história, seu significado. Enganados como uma garota de programa que não recebeu pelo serviço. E ainda levou uns tapas.

Ricardo Teixeira disse, textualmente, em Zurique: “Se Deus quiser, a gente vai chegar na final. Tenho certeza absoluta disso”. Interessante mistura de fé e convicção, oferecida pelo mesmo dirigente que, após o Tetra (17 anos atrás, em seu segundo mandato na CBF), disse que era necessário um competente trabalho nos bastidores para que um país ganhasse uma copa.

Roleta é jogo de sorte e azar. Futebol, de certa forma, também.

MAMUTES

Pelo menos o Maracanã será devolvido ao futebol do Rio de Janeiro depois da Copa. E as quatro maiores torcidas do estado, por um motivo ou outro, agradecerão pelo retorno da vida como a conheciam. Mas em lugares como Manaus e Cuiabá, onde não existe futebol que justifique estádios de Copa do Mundo, a aposta já foi perdida. Cada jogo custará centenas de milhões de reais. Dinheiro de impostos, que deveria ser investido em áreas incomparavelmente mais importantes.

NÃO CAIA

Joseph Blatter disse que abrirá os documentos do “caso ISL”. Conversa. O que a Fifa vai fazer é entregar arquivos a uma organização independente, não divulgada. E os arquivos que julgar conveniente entregar, claro. A única forma de conhecer os documentos é via Justiça da Suíça.

VIRTUOSO

Neymar fez um golaço contra o Botafogo, sim. Mas o chute com o lado externo do pé esquerdo (no segundo tempo, que raspou a trave), para um destro, é mais bonito do que o gol.



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