CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

MINGANA

Jornalistas ingleses divulgaram, anteontem, uma notícia intrigante. Joseph Blatter estaria se preparando para pedir a abertura dos famosos “documentos suíços”, durante a reunião do comitê executivo da Fifa, que começa hoje em Zurique. O movimento faria parte do plano de limpeza interna do prédio que controla o futebol mundial.

Seria o equivalente a roubar um banco e, ao invés de fugir, rumar para a delegacia mais próxima. Os tais documentos relatam o acordo feito na Justiça da Suíça no caso da falência da ISL, antiga parceira de marketing da Fifa. Nele, membros do comitê executivo da entidade concordam em devolver dinheiro de propina para não serem processados. Agradar esses benfeitores do futebol mundial – com sedutoras quantias em dinheiro – foi uma das ideias da ISL para conseguir gigantescos contratos de direitos de TV e marketing. Quando a empresa foi para o buraco, em 2001, os subornos de centenas de milhões de euros emergiram. Como se sabe, suspeita-se que há dirigentes esportivos brasileiros envolvidos.

A possibilidade de Blatter pensar em cortar a própria carne é altamente suspeita. A não ser que ele planeje oferecer todos os elementos para um roteiro que deixaria Mario Puzo se sentindo um amador. O conteúdo dos papéis da ISL é tão palpitante que a Fifa e os implicados gastaram cerca de 5 milhões de euros para evitar um processo criminal. E advogados europeus certamente receberam valiosos honorários para evitar, duas vezes, que os documentos se tornassem públicos. A última foi em maio, uma semana antes da eleição na Fifa.

Estão claros os contornos da encenação. Primeiro porque o Ministério Público Federal brasileiro já mostrou interesse no caso da ISL, e poderia solicitar os arquivos secretos aos colegas da cidade de Zug. Segundo porque, mais ano menos ano, eles aparecerão. E terceiro porque Blatter não precisa pedir nada a ninguém para divulgá-los. Como parte do processo, a Fifa (que sabia dos subornos e nada fez) possui os documentos. É só mostrar.

Para concluir a peça, repórteres investigativos europeus tiveram acesso à pauta das reuniões do comitê executivo. As letras I-S-L não foram encontradas.

DESVIOS

Se o ministro Orlando Silva estiver limpo, bom para ele. Mas deveria explicar como sua pasta entregou tanto dinheiro nas mãos do “criminoso” que o acusa. E por que fez um novo contrato com a ONG do policial militar João Dias Ferreira, depois de conhecer as pilantragens de convênios anteriores. O programa “Segundo Tempo” parece um manual de irregularidades. Desde a administração anterior, do “ministro Medalhão”, Agnelo Queiroz.

MAIS UM

Os problemas que derrubaram Adílson Batista foram os mesmos que derrubaram Carpegiani. Que foram os mesmos que derrubaram Ricardo Gomes. Que foram os mesmos que derrubaram Muricy Ramalho. O padrão é evidente, não? O próximo passo da diretoria do São Paulo é previsível. Contratar “um nome”, para tomar as medidas que não cabem a um técnico, mas sim a dirigentes. E para diminuir a própria interferência. Chegou-se a esse ponto.



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