COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

JOGANDO O JOGO

A conferência internacional “Play the Game” aconteceu durante a semana em Colônia, na Alemanha. Foi a sexta edição do evento organizado pelo Instituto de Estudos Esportivos da Dinamarca, dedicado a promover os fundamentos éticos no esporte.

A sessão de quinta-feira passada teve um debate sobre corrupção na Fifa, e uma interessante altercação entre o jornalista britânico Andrew Jennings e o novo diretor de comunicação da entidade, Walter De Gregorio.

Em sua palestra, Jennings comparou a Fifa às organizações mafiosas, em que um líder todo poderoso se cerca de pessoas gananciosas que o protegem com silêncio em troca de vantagens financeiras. De Gregorio estava no auditório e, ao microfone, condenou a escolha de palavras de Jennings, classificando-as como “um desrespeito com a Fifa e com as pessoas que perderam suas vidas por causa da máfia”.

Walter De Gregorio é um jornalista de 46 anos. Trabalhava como editor e colunista do Blick, o tablóide mais vendido na Suíça. Blatter concedeu a ele sua primeira entrevista oficial depois da controvérsia envolvendo os processos de escolha de sede das copas do mundo de 2018 e 2022, em dezembro do ano passado. No primeiro semestre de 2011, a empresa de relações públicas de De Gregorio, WDG, foi contratada para cuidar dos contatos entre a imprensa e Blatter, em campanha para se reeleger. Em setembro, De Gregorio assumiu a diretoria de comunicação e assuntos públicos da Fifa.

O principal tema da participação de Jennings na conferência foi o conhecido “caso dos documentos suíços”, os papéis com os nomes dos dirigentes que tiveram de devolver propinas no processo de falência da empresa de marketing ISL, ex-parceira da Fifa. Jennings exibiu para o público uma pasta verde na qual ele disse guardar uma lista com 167 pagamentos ilegais. O caso envolve mais de 100 milhões de dólares. Faltam os nomes.

“Por que a Fifa está pagando advogados caríssimos para esconder esses documentos?”, perguntou Jennings, sem obter resposta. Os papéis estão selados pela Justiça da Suíça, mas podem ser revelados pelo tribunal da cidade de Zug se uma ação movida por veículos de imprensa obtiver sucesso. “Há mais por vir”, disse Jennings.

As escolhas dos países que receberão a Copa do Mundo também foi um tópico dominante no “Play the Game”. O jornalista investigativo alemão Jens Weinreich revelou que o preço de um voto no último processo, vencido por Rússia (2018) e Catar (2022) pode ter chegado a 20 milhões de dólares.

Infelizmente o novo diretor de comunicações da Fifa não abordou essas questões. Walter De Gregorio preferiu contestar Jennings em matérias menos importantes, como por exemplo a razão do banimento do jornalista das entrevistas organizadas pela Fifa. O repórter diz ser punido por fazer perguntas incômodas. De Gregorio sustenta que o problema foi o comportamento de Jennings, que tentou transformar coletivas em debates sobre um único assunto: a corrupção na entidade.

Quando se fala em Fifa, se pensa em outra coisa?



  • Lamentável… Uma prova de que a ganância não tem limites, escrúpulos ou pior: não tem vergonha.

  • Christian Suelzle

    Oi, André!

    Como sempre, frequentando seu blog, atividade que eu faço desde que você o iniciou lá no IG.

    Você já leu Jogo Sujo, livro em que Jennigs escancara a corrupção na FIFA? Se ainda não, eu o recomendo altamente. É leitura obrigatória para todos aqueles que desejam se aprofundar no tema desta sua, como de costume, ótima coluna dominical.

    Grande abraço.

    AK: Já li, sim. Obrigado. Um abraço.

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