CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

PROMESSA E DÍVIDA

“Vocês nunca vão me ver envolvido em falcatrua, em corrupção. Nunca.”

A promessa é a última frase da terceira resposta da entrevista do deputado federal Romário de Souza Faria (PSB-RJ), à edição de outubro da revista ESPN (amanhã nas bancas). É a obrigação de qualquer cidadão, por isso não deveria chamar atenção. Mas ao sair da boca de um político brasileiro, e de forma pública, é dessas coisas que a gente tem de ler de novo para ter certeza do que está escrito. A confirmação distingue, gera respeito.

O deputado Romário está falando e fazendo tudo certo. Em sua atuação como fiscal da Copa do Mundo de 2014, tem representado a parcela da população que não age como primatas de auditório. De tal maneira que acredita ter superado o atacante magistral que foi. “Hoje eu sou, sem dúvida, muito mais ídolo do que antes”, diz, ao mencionar o reconhecimento de seu trabalho como parlamentar.

Em muitos outros trechos da entrevista, Romário se diferencia dos demais habitantes (“frequentadores” talvez seja um termo mais adequado) da Câmara dos Deputados. Até se mostra uma ameaça à categoria, quando concorda que a sociedade brasileira é muito tolerante com os envolvidos em escândalos. “Acho que sim. É muita merda que os políticos fazem, a cada dia tem um novo escândalo, histórias absurdas…”, comenta.

Outra declaração, sobre o sistema de votação na Câmara, também não deve aumentar sua lista de amigos na casa. “Totalmente a favor (do voto aberto). Quem votou em mim quer saber no que eu estou votando, se eu sou a favor do certo ou do errado”, pondera o deputado, acrescentando que votou pela cassação da colega Jaqueline Roriz (PMN-DF).

A correção prossegue quando o assunto é a Copa, especialidade momentânea. O deputado soa bem informado, articulado, preocupado quando fala dos estádios. Sobre a reconstrução do Maracanã, por exemplo. “Não dá para admitir que se gaste R$ 1 bilhão em um estádio e que num raio de 10 km tenha pelo menos três hospitais municipais em estado deplorável”, critica. E o tom não muda quando o assunto é Ricardo Teixeira. “Ele está em dívida com o povo brasileiro, que espera respostas sobre uma série de denúncias envolvendo o nome dele”, diz.

Questão de ordem, deputado.

CEGUEIRA

No domingo passado, Adílson Batista foi vaiado por fazer seu trabalho, ou seja, substituir um jogador que estreava no São Paulo após meses sem jogar. Tentar explicar que a vaia foi para a escolha do substituto (Carlinhos Paraíba) é ignorar o óbvio: boa parte dos 63 mil torcedores que foram ao Morumbi estava lá por causa de Luis Fabiano, e não gostou de vê-lo sair. Deixá-lo em campo, sim, seria motivo para críticas.

RISCO

O Corinthians se verá em situação semelhante se permitir que a possibilidade da estreia de Adriano, contra o Atlético Goianiense, se transforme em algo mais importante do que o jogo. Sim, há uma diferença: Adriano não será titular. Mas os cenários a respeito de sua utilização devem ficar claros para o torcedor. Ouvir o Pacaembu pedindo a entrada do Imperador ao menor sinal de dificuldade é maldade com quem está em campo.



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