COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

DOMINÓ

Na preparação do Corinthians para visitar São Januário, numa partida de óbvia repercussão na parte nobre da tabela, o técnico Tite enfrenta problemas para encontrar seus 11 titulares. Durante a semana, Castán, Paulinho, Willian e Liedson apresentaram níveis diferentes de impedimentos médicos para jogar contra o Vasco. Lesões, em maior ou menor quantidade, são ocorrências praticamente obrigatórias na rotina de um time de futebol. Desfalques por ruídos de comunicação, não.

Emerson Sheik, jogador crucial seja qual for o sistema utilizado pelo técnico corintiano, não estará em campo neste domingo por obra de um mal-entendido. Aconteceu aos 39 minutos do segundo tempo do jogo contra o Bahia, na última rodada. Sheik tinha marcado o gol que aproximava o Corinthians da primeira vitória num fim de semana desde o dia 10 de julho. Era dos melhores de um time que não podia se dar ao luxo de não vencer. Mas sentia dores na coxa.

Ao avisar o banco de reservas de que precisaria ser substituído, Sheik recebeu uma orientação de Tite. O técnico queria que ele “sinalizasse” que estava machucado. A ideia era evitar que o Pacaembu recebesse mal a mexida no time, por não entender o motivo. Tite temia que as vaias colocassem em risco os três pontos quase conquistados. Em sua coletiva pós-jogo, o treinador corintiano deu a entender que se preocupou com a própria situação. Como se tivesse agido para não ser responsabilizado pela arquibancada por tirar Emerson de campo. “Me expressei mal na entrevista”, disse Tite a uma pessoa próxima, no dia seguinte.

Emerson também. Caiu no gramado, evocando a autoridade do árbitro Evandro Rogerio Roman, que lhe mostrou um cartão amarelo por simulação. Era o terceiro, proibindo-o de viajar ao Rio de Janeiro. A reação de Sheik foi aplaudir o apitador. A reação de Roman foi sacar o cartão vermelho, que dobrou a suspensão para dois jogos.

Roman escreveu na súmula que, enquanto o aplaudia ironicamente, Sheik disse duas vezes “você é um idiota”, antes de ser expulso. A um membro da comissão técnica do Corinthians, no saguão dos vestiários do Pacaembu, Sheik contou que o árbitro já se aproximou dizendo “você está fazendo cera, vou te dar um cartão”.

Versões de uma cena que não deveria ter acontecido.



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