CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

O PROVEDOR

A partir do próximo domingo, se tudo correr como o planejado, o São Paulo que vimos até agora na temporada deixará de existir. Desaparecerá, ao menos, como identidade principal de um time que não sabe atacar, só contra-atacar. Luis Fabiano é o transformador.

Um time que tem um camisa 9 “clássico”, jogador de área, não age em seu melhor interesse se não criar soluções futebolísticas para utilizá-lo. Jogadores assim precisam ser alimentados. São definidores que entram em cena no instante em que a jogada passa de lance comum a um dos melhores momentos.

Isso não quer dizer que Luis Fabiano não funcione numa equipe especializada no contragolpe. A Seleção Brasileira de Dunga era assim e, nela, o centroavante brilhou. Mas são enormes as diferenças entre os dois times. Com Luis Fabiano em campo, o São Paulo será obrigado a deixar de ser, primordialmente, um aproveitador de espaços. Terá de se converter em criador. Aí está a chance para Rivaldo emplacar sua campanha pela titularidade.

Analisando os jogadores do São Paulo apenas por suas qualidades e defeitos, é escandalosamente evidente que Rivaldo é um dos mais capazes. Se técnicos fossem obrigados a respeitar a “lei” do futebol que diz que os melhores devem jogar, não estaríamos aqui tratando da configuração mais conveniente para o veterano (no melhor sentido). Mas times são montados como engrenagens em que funções se complementam, conforme o sistema que se pretende usar. Não basta ser craque, tem de “funcionar”.

A presença de LF também elimina a possibilidade da escalação de Rivaldo mais avançado, como um atacante. A não ser numa situação de emergência. O São Paulo ganhará muito mais se ambos formarem uma parceria em que Rivaldo pensa e Luis Fabiano age. Um constrói, o outro assina.

Para Rivaldo jogar, a questão não é física. É técnica. Sua missão é repetir o que tantos jogadores talentosos já fizeram: adaptar-se a uma nova função que, acima de tudo, exige o QI futebolístico que ele sempre teve.

Se Rivaldo conseguir ser o viabilizador de Luis Fabiano, não precisará pedir para ser titular.

DIREITO

Perfeita a nota sobre Mário Fernandes publicada aqui, ontem, por Eduardo Tironi. Jogador deve servir a Seleção Brasileira, se quiser. Deve divulgar publicamente seus motivos, se quiser. Verdade que seria melhor se ele comunicasse sua decisão à CBF no dia em que foi convocado. Mas se estava em dúvida, por qualquer motivo, é seu direito. A imagem da “pátria de chuteiras” é uma demagogia que desrespeita o futebol.

DEVER

Recusar-se a entrar em campo, como aparentemente fez Carlitos Tevez anteontem, é – isso sim – inadmissível. Flagrante desrespeito com clube, técnico, companheiros e torcida. Postura de “prima donna”, que contrasta com a atitude “no limite” de Tevez dentro de campo. Ocorre que ser um bom jogador (e ele é muito bom) é diferente de ser um bom profissional. Mesmo com as explicações, é difícil defender o argentino.



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