LEMBRANÇAS DE BELÉM



O Superclássico das Américas começou bem.

Com o Mangueirão cantando o hino nacional em versão “acústica”, criando um ambiente impossível de ser ignorado até pelo mais experiente dos boleiros.

O final foi arrepiante.

Em São Paulo, o hino brasileiro tem sido frequentemente desrespeitado pela genial ideia de executá-lo (cabe o sentido funerário do termo) antes de todos os jogos de futebol.

Transformou-se numa música qualquer, mais um empecilho que se coloca entre o público e o jogo.

Antes de uma partida da Seleção Brasileira, sim, faz sentido. E a torcida paraense ofereceu um recital.

Mas o primeiro tempo foi só um pouquinho melhor do que o que vimos em Córdoba.

Por falta de jogadores com as características adequadas para manter a posse e fazer as coisas acontecerem, a Seleção exibiu as mesmas dificuldades conhecidas, quando se vê diante de um adversário cauteloso.

Se observarmos os últimos anos, desde antes da Copa de 2010, esse tipo de situação tem sido comum.

Incomum, falando das atuações recentes, foi o bom futebol produzido no segundo tempo. Quando a categoria de Danilo, a tranquilidade de Cortês e a velocidade de Lucas e Neymar (sem falar no comando de Ronaldinho, ou estaria eu, sozinho, ao achar que ele foi bem?) enquadraram a Argentina e poderiam ter marcado mais do que os 2 x 0.

Só é obrigatório manter bem perto dos olhos que esse time argentino que esteve em Belém é frágil.

Lógico, teria sido péssimo não vencê-lo, e não foi exatamente uma surra em bêbado. Mas supervalorizar o resultado (como, por exemplo, não perceber que  a expressão “Superclássico” é  apenas um – exagerado – instrumento de marketing e negócio) seria desperdiçar uma noite que teve aspectos positivos.

O principal deles talvez seja o efeito benéfico de vencer um jogo com mérito, num ambiente totalmente favorável, sobre um trabalho que está demorando – por vários motivos –  a aparecer.

Quando a Seleção se reunir de novo, para os próximos amistosos, é evidente que o ar estará mais leve. Principalmente para a comissão técnica.

O grupo que esteve no Mangueirão se lembrará da noite de ontem com uma agradabilíssima sensação.

Quem viu o jogo – lá ou longe – se lembrará de um tempo de bom futebol.

E de um coral de 43 mil vozes.

 

 



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