COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

AVESTRUZ

“A gente chega para treinar e já está pegando fogo, bomba para tudo quanto é lado. Tudo vaza: jogador que atrasa, conversa de vestiário… nos outros clubes não é assim, ninguém sabe. Há pessoas que tentam atrapalhar.”

A declaração de Kleber, atacante do Palmeiras, é um efeito colateral do programa de visitas guiadas ao ambiente do time. Um programa produzido e patrocinado pelo próprio clube, fonte de boa parte dos problemas que, sim, atingem e afetam os jogadores.

Saber o que realmente se passa dentro do vestiário de um time de futebol, ou nos corredores das áreas restritas, é uma constante no imaginário do torcedor. Por conseqüência, um dos objetivos do jornalismo esportivo. Nenhum clube consegue proteger totalmente seu “território sagrado”, evitar que algumas pequenas janelas se abram. É muita gente para controlar, e vai contra aspectos humanos inevitáveis, como a vaidade, o desejo de demonstrar poder ou a necessidade de confidenciar segredos. Mas raros clubes são como o Palmeiras tem sido ultimamente, em que os próprios jogadores reclamam por ver sua rotina exposta como se fosse um reality show. A porta do vestiário está sempre aberta. Alguém precisa fechá-la e trancá-la.

Esse alguém deveria ser o vice-presidente de futebol Roberto Frizzo. Mas se você tem acompanhado o noticiário, deve ter percebido que essa não é uma das prioridades do dirigente. E se vier a ser, agora é tarde. O relacionamento entre Frizzo e o técnico Luiz Felipe Scolari, na verdade, é um não-relacionamento. Não há nada entre eles que possa ser apelidado de confiança. Frizzo não aprecia o trabalho de Scolari, que acredita que estaria longe do Palmeiras se dependesse apenas do vice-presidente. Ambos travam uma guerra não (oficialmente) declarada.

A situação, infecciosa em todos os sentidos, explica-se pela estrutura de poder do clube. A presença de Frizzo no cargo é uma composição política costurada na última eleição, vencida por Arnaldo Tirone. O presidente, que obviamente conhece a relação fraturada entre seu vice e o treinador do time, não se move porque não pode mexer no acordo. Age-se assim desde a Grécia antiga, talvez até antes.

Scolari se vê obrigado a acumular funções. É um técnico que se veste de gerente administrativo, de diretor financeiro, de supervisor. Bicos que lhe tomam tempo e energia, tantos são os produtos da “fábrica de problemas” (expressão famosamente cunhada por Marcos) em que o Palmeiras se transformou.

Problemas que não seriam tão visíveis se o time estivesse na liderança do campeonato, por causa do conhecido efeito anestésico das vitórias. Ganhando de todo mundo, o Palmeiras poderia ser a redação de um desses sites de fofocas, que faria pouca diferença. Na órbita da chamada “zona da Libertadores”, o caso é diferente.

Um time forte, candidato a troféus, não se constrói com três telefonemas. Mas o Palmeiras tem outra carência que, essa sim, se resolve em minutos: um executivo remunerado. Alguém que seja um interlocutor eficiente entre o presidente e o técnico. Que diga à seleção chilena que todos perdem quando Valdívia é convocado machucado. Que deixe Scolari trabalhar.

E que engula a chave do vestiário.



  • LM_RJ

    Sou contra copa no brasil em especial no RJ e explico pq:

    o RJ esta moralmente falido!!! o RJ vive de pao e circo o RJ apresenta um dos PIORES resultados na educação basica publica do brasil haja esforço p/ conseguir ser pior do que estados muito mais pobres do norte/nordeste!!!
    E a saude publica no rj uma lastima e a capital fluminense com inumeras favelas esgoto a céu aberto mas viva copa olimpiada e mp inoperante p/ investigações sérias
    Cade o MP-RJ que nao investiga (RESULTANDO EM PUNIÇÃO PELO AMOR DE DEUS!!!) a fundo esta situação de calamidade da segurança no RJ, a tragedia do roubo do $$$$ publico na copa, a da juiza, a do bonde de sta teresa e todas as demais maracutaias dos governos do rj?

    basta ler algumas noticias recentes de violencia relacionadas ao rock in rio p/ constatar q o brasil definitivamente nao é um pais serio:
    http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/980653-homens-assaltam-albergue-na-zona-sul-do-rio.shtml

    http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/980246-batedores-de-carteira-agem-durante-show-dos-titas-no-rock-in-rio.shtml

  • Paulo Pinheiro

    Bom, voltando ao assunto do post.

    André. Acredito que a esta altura o que o Felipão mais quer é o que o Frizzo quer também: a troca do treinador.

    Especialmente após a prova que tivemos hoje: os jogadores também não estão fechados com ele.

  • André

    Concordo plenamente com o que você fala. E o caso não é só do meu Palmeiras. De olho nesse filão (executivo de futebol, ou, mais abrangentemente, do esporte), é que estou indo, no início do ano que vem, para o Reino Unido buscar capacitação como gestor esportivo e, se tudo der certo, trabalhar em algum clube por lá para ganhar experiência.

    Como Relações Públicas de uma multinacional, sei que a comunicação é hoje (e sempre foi) ponto sensível de grandes organizações, e em se tratando de clubes ainda mais, pois é o lugar em que o amadorismo (para não dizer coronelismo) impera. E digo isso não somente do ponto de vista imprensa/clube, mas, principalmente, da conscientização do público interno de cada instituição.

    Grande abraço, e deseje-me sorte… hehe.

  • Decio Limongi

    Olá André,
    Bons profissionais da imprensa esportiva se manifestaram sobre o Palmeiras e acho que o diagnóstico foi feito. E bem feito. Meu Deus ! Que italianada burra e problemática… credo !
    Essa sim é uma vergonha incomensurável !

  • Ricardo

    Meu Palmeiras parece não ter cura

    Não acredito que apenas a entrada de um bom Gestor remunerado (á la Brunoro) resolva os problemas do futebol

    Acredito que o burburinho político que está no DNA do clube acabe resvalando em todo mundo, da Diretoria para comissão técnica e jogadores, imprensa, torcedores.

    O clube parece um barril de pólvora prestes a explodir

    O Palmeiras conseguiu formar equipes campeãs quando elas eram suficientemente fortes e superiores para ultrapassar a isso tudo

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