CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

QUEM APITA?

Na esteira do debate sobre a importância dos técnicos, talvez seja a hora de discutir a importância dos árbitros. Os temas estão interligados, uma vez que os professores parecem ser os maiores incentivadores dos homens de preto.

O maior professor de todos, pelo menos na remuneração e nos prêmios, deu uma declaração assustadora anteontem, em entrevista coletiva em Madri: “O jogo será como o árbitro quiser, não como as equipes. Você só vai até onde o árbitro lhe permite ir”, disse José Mourinho.

O pensamento é preocupante por vários ângulos. Retira o destino de uma partida de futebol dos pés dos jogadores, reduz o papel de quem é a razão do interesse do público, e prepara a rota de fuga de quem tem de explicar o que aconteceu em campo. Não surpreende que o conceito venha de um treinador que se convenceu – e pretende que o mundo o acompanhe – de que há uma conspiração cósmica para prejudicá-lo.

O problema é que, uns mais, outros menos, a maioria dos técnicos pensa exatamente assim (crédito para Mourinho por dizer com todas as letras). É preciso “enfrentar” o árbitro. Alguns preparam o time para lidar com o apito com atenção semelhante à dispensada ao adversário. É parte da estratégia de jogo.

Voltemos ao Real Madrid. Mourinho disse o que disse na véspera do jogo contra o Racing Santander, mas a conversa vinha da derrota para o Levante, quando Sami Khedira foi expulso e publicamente grelhado pelo resultado. Só que o alemão cumpriu à risca os pedidos (elevar a temperatura do jogo, atormentar o árbitro, defender os companheiros nas briguinhas) do técnico, que depois o expôs.

Mourinho comanda o elenco mais caro já reunido desde que o futebol existe. Mesmo assim, orienta seus jogadores a interferir no trabalho do árbitro, e quer que as pessoas acreditem que o apito explica uma derrota para o temível Levante.

Enquanto isso, por aqui, tem time que leva cinco e reclama de impedimento no primeiro gol. E time que não vence há semanas e o grande problema é a ausência de pênaltis a favor.

Árbitros não deveriam ser tão relevantes.

ESPERANÇA

Ricardo Gomes voltou para casa e, tudo indica, se recuperará do segundo acidente neurológico que sofreu. Doutor Sócrates pode deixar o hospital hoje, após a segunda internação em que sua vida esteve sob alto risco. São as melhores notícias dos últimos dias. É boa, também, a medida aplicada na Turquia contra torcidas violentas e demais bagrecéfalos: em vez de jogos com portões fechados, só mulheres e crianças no estádio.

GENIALIDADE

Então ficamos assim: para melhorar a mobilidade nas sedes da Copa do Mundo de 2014, a solução é decretar feriado nos dias de jogos. Para melhorar o funcionamento dos aeroportos durante a Copa, a solução é cancelar todos os voos que não ligarem as sedes. E para resolver o problema de disponibilidade nos hotéis, a solução é proibir hóspedes que não irão aos jogos. Vamos colocar o país inteiro à disposição da Fifa e da Copa.

 



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