A CABEÇA NO CLÁSSICO



Apenas uma passada rápida no clássico de logo mais, no Morumbi.

Tite fez um movimento ousado ao barrar Chicão, mesmo que tenha mostrado sensibilidade e cuidado ao falar da substituição.

É difícil, muito difícil, acreditar que o motivo da mexida é apenas técnico (no caso, os problemas da defesa do Corinthians na bola aérea, evidenciados na derrota para o Santos).

Para tirar o capitão do time, é preciso haver mais fatores na equação.

Ao mesmo tempo, um técnico experiente como Tite só faria o que fez se soubesse exatamente como seria a repercussão interna.

Não dá para imaginar que foi uma cartada arriscada, sob pena de perder o vestiário.

Em todo o caso, não sei se as alterações na defesa eram necessárias. O São Paulo deve tentar  fazer algo pelo alto, mais pelas falhas do Corinthians do que por outra razão.

A bola aérea não é uma característica do São Paulo, é?

Desse modo, uma zaga mexida pode ser pior, por não ser entrosada.

Outra coisa: com Castán pela esquerda, a opção da subida do lateral inexiste, o que torna o time previsível e menos perigoso.

O Corinthians está preocupado, e tem motivos para isso.

Ganhar um clássico como resultado de um trabalho feito em campo (estou excluindo as vitórias circunstanciais, aquelas conquistadas com gols estranhos) não é fácil.  Depende, na maioria das vezes, da forma como uma equipe lida com os problemas que o jogo apresenta.

Para resolvê-los, é preciso, antes de mais nada, ter a cabeça no lugar.

Quem não tem (e não creio que o Corinthians, hoje, tenha) amplifica as dificuldades e fica mais longe das soluções.

Um gol sofrido, por exemplo, pode fazer os jogadores esquecerem o que foi combinado e desorganizar o time.

Aconteceu no clássico contra o Santos, logo depois de Borges virar o jogo.

Uma derrota hoje à noite é ruim, sim, para o São Paulo. Mas é muito pior para o Corinthians.

Vejo o São Paulo, em casa, confiante e com Lucas, em melhores condições de controlar os nervos durante o clássico. Isso o aproxima da vitória.

Sobre a possibilidade de escalação de Luis Fabiano: não deveria ser cogitada.

É lógico que ele quer jogar e está fazendo o que pode para convencer médicos, comissão técnica e dirigentes.

Mas também é lógico que um jogador ausente por tanto tempo, 1. não está tecnicamente pronto, e 2. não deve ter seu retorno acelerado.

Deixá-lo na reserva é uma ideia quase tão ruim. Imagine o primeiro gol perdido por um atacante são-paulino, e a torcida vendo um ídolo sentado no banco.

Não é o clima que se pretende.

A decisão deveria estar tomada, de cima para baixo.



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