CAMISA 12



Sim, esse assunto foi abordado de forma mais completa no post de terça-feira passada. Achei que merecia uma coluna no jornal.

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(publicada ontem, no Lance!)

BIPOLAR

A comoção produzida pelo momento histórico ainda era palpável no ginásio Islas Malvinas, em Mar del Plata. Quinze anos de purgatório olímpico tinham chegado ao fim, com a vitória sobre os dominicanos. Classificados para os Jogos de Londres, os atletas da seleção brasileira de basquete festejavam na quadra. Os mais novatos se comportavam como crianças, entre pulos e gritos. Os mais experientes, veteranos de campanhas pré-olímpicas frustrantes, tentavam se acostumar à vida sem toneladas nas costas. Pouco depois, veio a frase.

“É meio complicado dizer isso, mas acho que só o Varejão tem lugar, né?”. Saiu da boca do presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Carlos Nunes. Mas não sem uma ressalva: “Quem está falando é o basqueteiro Carlos Nunes, não o presidente”, disse o presidente, ou melhor, o basqueteiro, ou melhor, o presidente basqueteiro. Como assim?

Salvo num caso de dupla personalidade, não há explicação aceitável para uma declaração como essa. É preciso entrar num acordo: enquanto Nunes for presidente, Carlos não pode falar em público. Não sobre os assuntos que exigem sua atuação como dirigente. E quando Nunes se pronunciar sobre seu trabalho, Carlos tem de ficar quieto.

Como se não bastasse a confusão, a conversa se dá fora de hora. Sugere, minutos depois da classificação, que todas as decisões a respeito do grupo que irá a Londres já foram tomadas. Pior: sugere também que Carlos, o basqueteiro, fez a cabeça de Nunes, o presidente, numa tarefa que não é nem de um e nem do outro.

A convocação da seleção que vai à Olimpíada é prerrogativa de Rubén Magnano. A não ser que a CBB tenha contratado o magistral treinador argentino para interferir em seu trabalho, na hora de finalmente pisar numa quadra olímpica. Magnano foi o arquiteto da principal vitória do basquete brasileiro nos últimos 25 anos. A noite do último sábado em Mar del Plata é comparável, em importância e emoção, à tarde de domingo em que o Brasil venceu os Estados Unidos em 1987, no Pan de Indianápolis.

Um momento que não deveria ter sido arranhado por nada. Muito menos por uma visita de um cartola à arquibancada.

CONDENAÇÃO

Curiosa, e preocupante, a histeria patriótica que tomou conta do debate sobre os jogadores que não foram à Mar del Plata. Os culpados de todo o mal foram encontrados. Certamente é mais confortável perseguir os “desertores” do que cobrar a Confederação pelo sucateamento do basquete no Brasil. Como se tivéssemos clubes fortes, um campeonato nacional fantástico, categorias de base bem estruturadas e uma seleção vencedora.

JULGAMENTO

Em entrevista à ESPN Brasil, em Córdoba, Rubén Magnano brincou que “qualquer pessoa pode ir à Olimpíada, é só pagar a passagem e ir assistir”. Também declarou que sua decisão levará em conta “o melhor para o basquete do Brasil”. Parece claro que as questões envolvendo Leandrinho Barbosa e Nenê Hilário serão resolvidas conforme o impacto no ambiente da seleção brasileira. Se o técnico der voz aos líderes do grupo ou não.



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