REDENÇÃO E HISTERIA



Até sábado passado, quem gosta de basquete e nasceu na década de 70 tinha apenas uma lembrança emocionante da seleção masculina: a vitória sobre os Estados Unidos na final do Pan de Indianapolis, em 1987.

Um dos grandes momentos esportivos da vida de muita gente.

No último sábado, em Mar del Plata, aconteceu algo que se assemelha em importância e comoção àquele domingo nos Estados Unidos.

A seleção brasileira ganhou, com todos os méritos possíveis, o direito de disputar os Jogos Olímpicos. A última vez foi em 1996.

A vitória sobre a República Dominicana se juntou ao triunfo contra a Argentina, três dias antes, como os principais episódios do que se pode chamar de resgate de uma seleção que passou 15 anos fora das Olimpíadas.

Uma seleção cuja história é honrosa demais para tamanha humilhação.

A conquista da vaga, creio, faz parte da lista de alegrias até de quem viu os títulos mundiais e medalhas olímpicas conquistados pelo Brasil.

Todas as pessoas envolvidas na preparação e na campanha do time comandado pelo técnico argentino Rubén Magnano merecem os parabéns pelo feito.

Magnano, lógico, foi o arquiteto e o líder dessa redenção. Algo que tem muito significado, sim, mas que apenas aumentou a lista de façanhas do treinador que levou a seleção argentina a ser o que é.

Os elogios também devem ser endereçados a todos os jogadores que estiveram em Mar del Plata. Mesmo que, como sempre é o caso, alguns tenham sido mais importantes.

Já falei sobre minha satisfação ao ver Marcelinho Huertas liderar o time dentro da quadra, com confiança e competência marcantes. Digo o mesmo sobre Guilherme Giovannoni, que acompanho desde as seleções de base.

Tiago Splitter, Rafael, Marquinhos… devem estar todos orgulhosos pelos dias históricos que nos proporcionaram.

Muito especial, também, ver Marcelinho Machado sair da quadra com a vaga olímpica conquistada, após uma ótima atuação individual.

Marcelinho tem 36 anos, é o jogador mais velho do time. Durante muito tempo, foi uma das referências de seleções que não tinham a organização coletiva que é a principal característica do time atual.

Marcelinho era o jogador mais talentoso, o que muitas vezes teve de tentar decidir sozinho. Era muito fácil cobrá-lo por falhar individualmente, e ignorar que as falhas coletivas eram muito mais graves.

Mérito dele aceitar um papel menos protagonista e oferecer suas habilidades a um time sólido. Vinte pontos no jogo da vaga, troféu pessoal.

Marcelinho Machado merece pisar numa quadra olímpica com a camisa da seleção brasileira.

O que nos leva à discussão do momento, sobre o merecimento – ou falta – de quem não foi jogar o pré-olímpico de Mar del Plata.

Importante dizer que é interessante ver o basquete envolvido nas conversas, depois de tanto tempo praticamente esquecido.

Mas o tom acalorado que tenta transformar a convocação do time num conflito entre heróis e vilões, bravos e covardes, mocinhos e bandidos é triste.

Triste e prejudicial.

A última coisa de que essa questão precisa é de histeria patriótica.

Por isso é preocupante que o presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Carlos Nunes, tenha dito que acha que “só tem vaga para Anderson Varejão”.

Nunes frisou que deu tal declaração “como basqueteiro”, como se fosse razoável.

Ocorre que ele não é “um basqueteiro”. É presidente da CBB. Pode dizer o que bem entender sobre qualquer assunto, menos aqueles que exigem sua atuação como dirigente.

Além disso, a decisão sobre convocar – ou não – Nenê e Leandrinho não é dele (mais sobre isso adiante).

É muito fácil vilanizar os jogadores que tomaram as decisões profissionais de não atuar pela seleção brasileira.

É oportunista se utilizar de “questões patrióticas” para transformá-los em párias.

Veja, não defendo a decisão de não jogar. Defendo o direito de não jogar.

É evidente que tal posição deve ser explicada de forma honesta, transparente. Não podem restar dúvidas sobre os motivos. Jogadores e CBB devem evitar interpretações erradas.

Infelizmente, não é o que acontece.

No esporte profissional, a iniciativa de atender a uma convocação leva muitos aspectos em conta. Um deles, certamente um dos principais, é a valorização da carreira.

E em termos de valorização de carreira, a NBA é o estágio mais alto. É natural (o que não significa ser correto) que um jogador que ganha milhões de dólares na principal liga de basquete do mundo veja sua seleção nacional de uma outra maneira.

Esforço-me para ser claro: deveria ser assim? Provavelmente não. Mas certamente é. 

Se você me acompanhou até aqui (obrigado), talvez queira perguntar: mas e o Dirk Novitzki, que sempre jogou pela Alemanha? E o Steve Nash, que sempre jogou pelo Canadá? E o Manu Ginóbili, que sempre jogou pela Argentina? E há muitos outros exemplos.

Pois bem.

Na hora de servir a seleção, alguns aspectos envolvem a relação entre jogadores e a confederação. Envolvem o trabalho que é – ou não é – feito para que o esporte se desenvolva no país e, no processo, desenvolva também a ligação de atletas com a seleção.

Tomemos o exemplo da Argentina. A seleção que o Brasil derrotou em Mar del Plata não atingiu o nível de excelência na última década por acaso. O caminho começou muito antes, com a formação de uma liga de clubes e o embrião de um projeto que tinha como objetivo final a construção de uma seleção forte.

Jogadores talentosos e promissores foram estimulados, ainda jovens, a deixar o país rumo a centros que oferecessem mais competitividade. Muitos foram jogar em equipes da segunda divisão das ligas da Espanha e da Itália. Ganharam experiência internacional como bônus, sempre com o compromisso de conviver com o grupo do qual faziam parte desde as categorias de base da seleção.

A geração que foi vice-campeã mundial em 2002 e campeã olímpica em 2004 foi formada assim, por gente como Rubén Magnano.

Quando vemos a Argentina jogar (ou festejar uma conquista como no domingo passado, em casa, contra o Brasil), percebemos o quanto esses jogadores gostam de estar ali. O quanto consideram importante estar ali.

É mais ou menos a crítica que se faz ao ar blasé da Seleção Brasileira de futebol, usando como exemplo o comprometimento que se vê nos jogadores uruguaios.

Nos dois casos, o que há por trás “do sentimento”, “da paixão”, “da responsabilidade” (enfim, de tudo que se cobra de quem não foi ao pré-olímpico), é estrutura, organização, seriedade e trabalho competente por parte dos dirigentes que comandam as associações.

Nada disso se vê no basquete brasileiro. Nada.

Seria muito saudável se as pessoas que hoje acusam jogadores de ser “desertores” cobrassem a CBB – com o mesmo tom apaixonado e “patriota” –  por tudo que ela tem obrigação de fazer e não faz.

Mas é mais conveniente, e mais populista,  perseguir os “fujões”.

Agora, de volta ao cerne da questão: levar ou não levar os caras para Londres?

Um ponto é claro. A decisão pertence ao técnico. Se a CBB contratou alguém como Rubén Magnano para dirigir a seleção, acredito que tenha sido para deixá-lo trabalhar.

Assim como acredito que ele, com tanta experiência, saberá o que fazer.

Arrisco-me a uma opinião (já dada na última Caixa-Postal). Talvez o melhor caminho seja uma decisão coletiva, obviamente com a participação do técnico.

Magnano pode reunir seu grupo, ou os líderes, e deixar clara sua opinião sobre o que fazer. Um técnico deve se posicionar, não pode apenas transferir essa responsabilidade.

Depois de dizer o que pensa, ele poderia colocar a questão ao grupo, como numa votação.

É lógico que os jogadores da seleção sabem por que Leandrinho e Nenê não foram à Argentina. Também é lógico que o grupo tem sensações bem definidas em relação aos dois. Acredito que essas sensações são diferentes num caso e no outro.

Dividindo a decisão com o grupo, Mangano lograria alguns objetivos: daria voz a quem foi “roer o osso”, manteria sua posição de comandante e conduziria a um consenso que é crucial.

Se a resposta for positiva (a um ou a ambos), seria uma garantia de manutenção do ambiente.

Se for negativa, se firmaria um compromisso entre técnico e jogadores para ir aos Jogos e encarar todas as dificuldades.

De qualquer forma, se Magnano decidir sozinho ou em grupo, o que vai pesar é mesmo o ambiente.

Nenê e Leandrinho podem significar a diferença entre apenas participar da Olimpíada de Londres ou disputá-la.

A questão deve ser tratada com frieza, sem paixão. Seja qual for a conclusão, o que deve prevalecer é o basquete do Brasil.

Olimpíada não é guerra. Seleção não é exército.



  • Leandro Azevedo

    Ótimo texto, como de costume por aqui.

    Com esse elenco, não acho que o Leandrinho seria um jogador que faria essa seleção mudar de coadjuvante a competidora em Londres, mas o Nenê traz um algo diferente. O problema é que o Nenê vem se mostrando o que tem menos “vontade” ou seja lá o que isso seja a jogar de novo pela seleção.

    O Varejão por questão de lesão, é um caso diferente e creio que mereça e fará faltar se não for. Nos resta torcer para que a seleção esteja forte com o plantel que for a Londres e que isso não crie problemas para o grupo.

    Mas que é interessante que isso acontece na seleção Brasileira enquanto Dirk, os Gasols, Scola e outros jogam por suas seleções, não resta dúvidas.

    Abraço

  • Leonardo atleticano

    André, como você demora a fazer um post sobre os assuntos, a gente fica abrindo o blog e nada de assunto, abre de novo e nada, você deveria ser mais rápido com esses textos meu amigo. ( você não está por nossa conta?)
    Mas um texto fantástico desse vale a demora, não acrescento uma vírgula do que foi dito e te dou os parabens, ficou fantástico. O duro foi ter que esperar tanto por ele.
    Creio eu, se a decisão for do Argentino, e somente dele, o melhor será feito. Mas aposto que ele não irá se fechar para decidir, o grupo vai dar sua opinião e terá muito valor no veredito.

  • Decisão extremamente difícil. Assemelha-se, de certo modo, à decisão do Bernardinho (e do grupo) em deixar o Ricardinho de fora da seleção em seu melhor momento.

    Pergunta: você, como técnico, levaria? Qual seria a sua posição, por mais que a palavra final fosse do grupo?

    Abs

    AK: Se eu fosse o técnico, eu saberia de coisas – internas – que obviamente não sei. Um abraço.

  • Francisco Jose Muniz

    Exatamente como eu penso. Assim como uma partida de futebol nada mais é do que uma partida de futebol. A maioria daqueles que esculacha com Nenê e Leandrinho, são aquelas que tratam um jogo de futebol como uma batalha e não admitem que o time adversário possa ser superior ao seu e ganhar o jogo simplesmente. Logo acusam seus jogadores de perderam por não terem tido a tal de “garra”. Se porventura o Santos conseguir ganhar do Barcelona numa hipotética final do mundial de clubes será porque ele mostrou mais futebol ou mais “garra” do que o Barcelona. Se for para qualificar ainda mais o time devemos levar os melhores.

  • eduardo pieroni

    Boa Andre, concordo totalmente com o final, a questão é ir para fazer figura ou ir para disputar a medalha, acho que com Leandrinho não deve haver problemas de grupo,mas com Nene o buraco é mais embaixo,também não sei o que se passou com ele, você sabe é pode esclarecer????

  • Rogerio

    André, chamou-me atenção esse trecho: “Nenê e Leandrinho podem significar a diferença entre apenas participar da Olimpíada de Londres ou disputá-la”. Pergunto: 1) na sua opinião, sem esses dois, o Brasil só participa e deixa de disputar a olimpíada de Londres? e 2) qual dos dois você acha que fará menos falta (em termos técnicos) ao atual grupo da seleção brasileira de basquete? Parabéns pelo post e um abraço.

    AK: 1) Provavelmente, sim. 2) Os dois contribuiriam muito em suas respectivas posições. Minha impressão, hoje, é que o time tem mais carência de alguém para ajudar Huertas a levar a bola e, também, ser uma opção ofensiva. Um abraço.

  • Rubens

    Andre, acho que é muito cedo pra ter essa discussão como esta sendo proposta. E o motivo é simples: Estamos ha 1 ano das Olimpiadas. Não pode fechar o grupo agora pq em um ano muitos atletas podem evoluir (Rauzinho, Lucas Bebe, Etc..) e outros podem involuir, sentando numa pre convocação e não ¨trabalhando¨ o ano todo. Se eu sou o Ruben (e não o Rubens), faria o seguinte:
    – Para os que foram, eu agradeceria, mas deixaria claro que os que vão pra Londres são os que estiverem em melhores condições fisicas e tecnicas no inicio da preparação ja que o objetivo seria medalha, e que a preparação começaria algum tempo antes dos Jogos e teria o mesmo formato desse ano, ou seja, seriam convocados uns 20 jogadores e dessa lista sairiam os 12.
    – Obviamente os 12 que foram saem na frente, mas eles tem que tabalhar duro em seus clubes durante o todo Ano
    – Se estiverem bem, os 3 da NBA seriam chamados. O recado pro Leandrinho e pro Nene seria que eles teriam que ¨ganhar o grupo¨ para estarem entre os 12, ou seja , tem que demonstrar na preparação que podem jogar em equipe, que estao trabalhando tao duro ou mais que os outros e tem que ter aprovação dos lideres do time pra ficar.
    – E um recado extra pro Splliter: Não sei se foi só a contusão, mas tive a impressão que ele regrediu. Podem ser a falta de minutos desse ano nos Spurs. Ele tem que se mover… se for pra ficar assistindo ele vai chegar em Londres muito abaixo do necessário..
    Bom, seria isso, regras claras, aberto pra reforçar com todos que tenham evoluido nesse ano e tudo baseado no trabalho duro nesse periodo. Faria assim pq acho que ele tem que estimular o desenvolvimento dos jogadores.. nao podemos nos contentar com o nivel que ja atingimos (Que pra mim já é muito superior ao nivel com que entramos nesse pre olimpico).

  • Fredy

    André, só me diz onde está a caneta, esse eu assino embaixo.

  • Anna

    Você foi ponderado e equilibrado no seu texto, como sempre. Mas eu discordo de levar Leandrinho e Nenê. Mas sei que a decisão cabe a Magnano e a seus jogadores. Penso que levá-los, se eles quiserem, significa desprestigiar quem batalhou muito para conquistar a tão sonhada vaga. É assim que penso. Grande abraço, Anna

  • Joao CWB

    Sinceramente, não gosto nem um pouco de basquete. Até acho interessante ver alguns lances sensacionais da NBA, mas não um jogo inteiro.

    Não vejo graça em ver uma partida onde o cara chega sozinho embaixo da cesta e faz uma “bandeja”. (Com exceção da NBA)

    Mas não deixo de torcer pelo Brasil em competições do nível de uma Olimpíada, mesmo não gostando do jogo a emoção de ver o seu país com chances de ganhar uma medalha compensa.

    Abraço
    Joao – Curitiba/PR

  • Essa é a frase, parabéns: “Nenê e Leandrinho podem significar a diferença entre apenas participar da Olimpíada de Londres ou disputá-la”.
    E vou mais além, se for com esse time, só ganha do time que vier da África, e vai levar de 20, 30 pontos de todos os times da Europa.
    E todo o esforço que foi feito para colocar o basquete na mídia, vai por água abaixo, pq tanto a imprensa, quanto os torcedores ( inclusive os que são contra a presença do Nenê e Leandrinho ) vão meter o pau nesses jogadores que hj estão aplaudindo.
    Isso pq torcedor brasileiro ( na sua maioria ) só apoiam os vencedores.
    E cá entre nós o time de hj é fraco em nível mundial, classificar no Pré-Olímpico, sem os EUA, é obrigação.

  • Gilson

    Seu texto foi brilhante mesmo! Fazia muito tempo que eu não acompanhava mais a seleção brasileira de basquete e vibrei muito com a classificação para as Olimpíadas, pois essa garotada mereceu muito essa vitória.
    Quanto a convocação dos dissidentes(se é que podemos chamá-los assim), fico com a opinião do amigo Rubens, q

  • Gilson

    ops desculpe mais apertei o ENTER sem querer. Continuando….
    que é muito cedo ainda para definir quem vai ou não para a disputa da tão sonhada Olimpíada. Com certeza essa decisão será tomada com sabedoria pela comissão técnica e os melhores serão levados.
    Concordo plenamente com sua opinião que não podemos julgar ninguém, pois não sabemos quais foram as reais razões para que os 2 atletas citados, rejeitassem a convocação. Essa decisão de dar uma nova chance aos mesmos, cabe tão somente ao grupo que irá para as Olimpíadas.

  • Carlos Futino

    Minha única opinião sobre o assunto é que o Magnano tá num mato sem cachorro: Se leva Nenê ou Leandrinho e o time vai mal, vão dizer que é pq deixou dois jogadores do pré-olimpico fora. Se não leva e o time vai mal, é pq deixou dois jogadores da NBA de fora.
    O único jeito dele não conhecer o lado imediatista da torcida brasileira (que os treinadores da seleção de futebol conhecem tão bem) é o time ir bem em Londres e, venhamos e convenhamos, a concorrência é dura.

  • eduardo pieroni

    Boa André, quanto tempo leva para escrever um texto deste gabarito,ou é dom como Armando Nogueira, acho que ele assinaria embaixo até parece ele que escreve.vocês “tem” algo parecido , nem o céu quando esta bem ou foi muito bem em algum jogo o atleta nem o inferno quando foi mal, sempre ponderando.

    parabens

  • Gustavo

    Acho que os jogadores que foram para o pré-olímpico com certeza ganharam muitos pontos com o técnico, tiveram oportunidade de mostrar seu trabalho e de mostrar que podem estar nas olimpíadas. Inevitavelmente Nenê e Leandrinho vão ter que se esforçar muito mais para estar no grupo, se quiserem jogaras olimpíadas. Até lá deve ter outras convocações e é isso que vai definir quem vai e quem fica.

  • Ricardo

    Como você mesmo disse, quem foi a Mar del Plata “roeu o osso”. Me coloco na posição destes jogadores que participaram do pré-olímpico. É duro concordar em deixar o mignon para outro “aproveitador” saborear. Além do mais, já li entrevistas em que o Magnano deixou clara sua posição de não convocar quem não QUIS

  • Rafael Wuthrich

    Brilhante texto. Ainda acho a CBB 1000 vezes pior que a CBF. Você acha que a criação do NBB também foi um fator importante para que a seleção evoluísse?

  • Ricardo

    … ir a Mar del Plata. Portanto Andre ficaria surpreso se Nenê e Leandrinho fossem para a Olimpíada.
    abs

  • Felipe

    Sinceramente me incomoda muito essa questão de que devem ser priorizados aqueles que “roeram o osso”. Entendo que quem pensa dessa maneira, deve achar que se surgir um “jordan” brasileiro ele não deve ir para as olimpiadas porque ele não disputou o pré-olimpico e seria injusto tirar a vaga de um dos “guerreiros” que estavam na Argentina.

    Concordo com você quando diz que os atletas da Nba podem ser a diferença entre passear e competir em londres.

    Acho que o Magnano deve convocar todos aqueles (20 atletas por exemplo) que estiverem muito bem técnica e fisicamente e que queiram ir para Londres e ai sim, durante os treinamentos, ele deve observar como o grupo se comporta e decidir os 12 que irão competir.

    Excelente texto André, como todos os outros que você escreve.

  • Ricardo

    Mais do que a vitória contra a Argentina é legal ver a Seleção comandada por alguém tão sério, envolvido e competente como o Ruben Magnano

    Acho que ainda tem muito tempo pra se definir o grupo para Londres, mas mesmo de longe, me parece que a opção por Nenê Hilário distancia o grupo do que Magnano tem pregado e trabalhado….trabalho (e espírito de) equipe, comprometimento, profissionalismo.

    Acho que o Rafael, o Splitter e o Varejão podem dar conta do recado no garrafão.

  • Alexandre Reis

    Creio que o Magnano com sua tremenda capacidade, não irá repetir o erro do Dunga. Sim pois foi o que o Dunga fez, fechou o grupo muito antes da competição.

    Acho que devem ir os 12 que estiverem em melhores condições fisicas e tecnicas no ato da convocação. Independente de ter estado em Mar del Plata ou não.

    Talvez abrisse uma excessão colocando algum deles na comissão tecnica caso, não estejam entre os atletas.

    Abs

  • Marcelo David Macedo

    Simplesmente a melhor opinião sobre o caso que eu já li até agora. Parabéns. E vou além: Olimpíada não é guerra, Seleção não é exército e vencer no esporte não é tudo. Se levá-los significa a implosão do ambiente, melhor que fiquem no Brasil – ops, nos Estados Unidos.

    Tudo para que a coerência seja mantida. Parabéns novamente e um abraço.

  • Juliano

    Perfeito André, valeu esperar por este texto.

    A grande questão é levar ou não levar os dois. Mas, alguém já perguntou pra eles se vão querer jogar as Olimpíadas? Afinal… não me assustaria se novamente houvesse recusa da parte deles.

    Nene se isolou e nada disse sobre a convocação da Copa América, mas é sabido dos seus problemas com a CBB desde o antigo presidente e, junto a isso, neste momento negocia seu contrato pra próxima temporada da NBA (que não sabemos se e quando teremos).

    Leandro disse estar machucado e necessitar de cirurgia (punho ou braço, nao sei precisar). Não sei se a realizou e como está. Na sua convocação houve um disse-me-disse sobre sua situação, ele afirma ter avisado a CBB da situação, esta alega ter recebido a notícia via e-mail na véspera da apresentação. Como o André falou, não sabemos detalhes internos. Mas que a comunicação é péssima, é. Dentre outras coisas citadas no texto.

    E ao Joao CWB: tens o direito de não gostar de qualquer coisa que seja, como um esporte, neste caso o basquete. Talvez eu te entenda: é um esporte difícil de praticar (requer muita habilidade), todos atacam, todos defendem, não é fácil defender, atacar é igualmente difícil (encestar uma bola em um aro com circunferencia pouca coisa maior, e ainda, a 3,05m do chão). O desafio de jogar basquete deveria ser motivador, a ponto da massa querer praticar e assistir.

    Mas o povo prefere algo mais simples, como o volei (que é “3 corta” o jogo inteiro, com variações do mesmo). No basquete, temos cestas de 2 pontos, de 3 pontos e de 1 ponto. No volei todo ponto vale 1 (basta derrubar a bola na quadra adversaria, ou que o adversario erre). Leigos que assistem basquete nao entendem, por exemplo, a andada! Dentre outras infrações. Entender que não pode tocar a rede no volei é mais fácil. Uso o volei apenas como exemplo, pois depois de Barcelona ’92 tornou-se o segundo esporte do país, com uma boa confederação (ainda mais quando comparamos com a CBB), liga forte e resultados, muitos resultados. Todos os envolvidos tem os méritos de chegar ao topo e por lá se manterem a muito tempo. Fica fácil gostar do esporte. Torcer pra quem vence!

    Como praticante e competidor do esporte há mais de 15 anos (tenho 28, o basquete faz parte de mais da metade da minha vida), vibrei demais na vitória de 07 de setembro e da semifinal no sábado. Assim como fiquei com os olhos marejados no domingo. Torço demais para que o basquete consiga voltar ao seu posto de segundo esporte no Brasil! Somos bi-campeões mundiais!! Para isso precisamos de mais Magnanos, de uma confederação inteligente e honesta, de ídolos. Com isso, os resultados certamente virão, e quem sabe o esporte se popularize!

    Um abraço!

  • Leonardo Martedi

    Parabéns pelo texto. Mais uma vez excelente em informação e perfeito nas argumentações.

  • André, faltou você dizer o mais importante: no caso de Leandrinho e Nenê serem convocados, quem sai?

    Antes do torneio eu diria que os dois eram essenciais, principalmente após a exuberante temporada de Nenê na NBA. Mas sabemos que o jogo lá é diferente, principalmente na defesa (lá o jogador só pode partir para cima após o primeiro drible), o que torna o trabalho do pivô muito diferente do basquete disputado em nível mundial. Depois do campeonato que fez Hettsheimer e com Thiago Spliter subindo de produção, não sei mais se ele é tão necessário. Até porque pela personalidade do Nenê ele não ia aceitar “pegar um banco” como os reservas da posição fazem sem problemas (Caio Torres, por exemplo).

    No caso do Leandrinho, o Huertas joga tanto que fica difícil achar um substituto pra ele na armação. No Mundial ficou claro que não é o Valtinho, e certamente não é o Nezinho. Seria o Leandrinho? Acredito que não, pois o caso dele é mais correr com a bola e arremessar. Ele não pensa o jogo como o Huertas. Aí fica a dúvida: quem sai? Vai tirar Alex, o maior marcador do time? Marquinhos com sua altura e agilidade? Pras bolas decisivas temos o Marcelinho Machado.

    Vale lembrar: o forte desse time é o coletivo, e o Leandrinho é um jogador muito bom mas muito individualista. Não vejo ele fazendo o mesmo trabalho coletivo que o Brasil fez no torneio.

    Para fechar, gostei muito da entrada do Rafael Luz. Me parece ter os fundamentos para ser um armador que pensa o jogo, algo que temos muito com Huertas e dificilmente teremos com outro.

    Qual a sua opinião?

  • Carlos Henrique

    Se eu fosse o Maganno, não levaria os ‘desertores’ da NBA. Creio que o grupo já esteja fechado e que essa atitude possa ser um ‘tiro no pé’ na tentativa da reestruturação do basquete nacional.

    A CBB já deixou de ser mal administrada, o que por si só é uma vitória. Liga forte, Seleção competitiva, isso dá sinal de que vamos brigar por títulos nas próximas competições.

    André, mais uma pergunta: o basquete, na sua opinião, pode retomar do vôlei, o posto de 2º esporte mais popular do país?

    Abs

  • Brasil tá de volta, voltamos e agora é para ficar. Essa geração colocou o Brasil de volta no nível onde deve estar, duas olímpiadas seguidas, já garantidas.

    Siga o @eee_blog e acesse o blog Esporte e Esportistas, http://t.co/L0MUUv4.

  • Juliano

    Eduardo Santos:

    Caso sejam convocados Nene e Leandro, é fácil indicar, destes 12, quem sai. Caio Torres e Nezinho (teve menos minutos que o Luz). Uma pena o Valtinho não ter uma história com a seleção, gosto muito do jogo dele, daria uma cara diferente ao time quando necessário. Mas devemos lembrar que mesmo não tendo atuado na NBA ele já recusou várias convocações.

    É considerada certa a volta do Varejão, e, novamente, nestes 12, sairia mesmo o Caio. O Brasil precisa de alguém como ele em quadra, não à toa foi apelidado de “wild thing” lá em Cleveland.

    Na titularidade, Leandro em forma tem vaga fácil. Mesmo podendo atuar na 1, não é ali que ele atua hoje. Seria na 2, onde joga hoje o Alex. Em forma, Leandro pode também marcar muito. Se jogar na 3, no lugar do Marquinhos, Leandro é igualmente versátil. Não vejo problemas em encaixá-lo na equipe.

    Marcelinho Machado com bolas decisivas? Ta bom… teve bela atuação contra a Dominicana na semi, mas e os outros jogos? Na final foi ridículo, e acho que Magnano nao deveria ter mantido ele tantos minutos na quadra no final do jogo. Não vou crucificá-lo pela final, mas… e os jogos anteriores ao da Dominicana? E as outras competições? Acho dispensável um jogador como ele no elenco…

    Achei a Copa América do Splitter muito fraca, mas pondero pois voltava de lesão.

    O que fica é o seguinte: os 12 que forem pra Londres devem ter o mesmo espírito que os 12 que estiveram em Mar del Plata. O resto é consequencia.

  • Valdemagno

    Eu, como já disseram aqui ou em outro blog, convocaria uma seleção grande, com amistosos de alto nível – começaria pela Alemanha que foi eliminada do Eurobasket, mas que tem Dirk Nowitzki, frequentes, até quando formos para Londres, dali, apontaria a lista definitiva. Chamaria Nenê e Leandrinho na “grande” como se diz aqui em Pernambuco, convocaria e eles teriam de conquistar o grupo, se não, go out. Temos um ano e como coloquei no Twitter de Thiago Splitter, dá pra medalhar.
    PS. Meus sentimentos pelo falecimento da tua tia avó Nadir Kfouri, que deixou seu nome gravado na PUC/SP

    AK: Obrigado. Um abraço.

  • Edney

    Grande André, te parabenizar pelos textos é chover no molhado.. mas é sempre bom, portanto, parabéns pela frieza e imparcialidade necessárias nas análises desses temas. De fato, um ponto muito importante, e que você mencionou em resposta a um comentário, é que somente o técnico e os jogadores sabem de alguns pormenores de bastidores (os quais não conhecemos) que podem fazer pender a decisão para algum dos lados (levar ou não levar), e se os dois, ou só um. É fundamental que a decisão seja do grupo, ali baseada e garantida, com seus pros e contras, para que o grupo chegue forte em Londres no ano que vem. Só para lembrar que as vezes, tais pormenores são muito complicados de se entender de fora… teve uma vez em que o Guga fez uma espécie de protesto e se recusava a defender o Brasil na Davis, por força da inoperância da Federação de Tenis, e esse pouco aproveitamento do momento que ele viveu o deixava transtornado, por se perder uma grande oportunidade de desenvolvimento do esporte. Foi duramente criticado por uns (provavelmente os que não sabiam das reais razões), suportado por outros.. as vezes não entendemos o que se passa, e só o grupo terá condições de exercer o juízo mais adequado, segurando a barra depois, seja qual for o resultado. Pra mim, tanto Leandrinho como Nene seriam mais valias para a seleção, pois na verdade, o basquete, hoje, não se resume apenas aos 5 que entram no inicio, mas é muito mais a questão coletiva.. precisamos de talento e banco, reposição, para manutenção do nivel de jogo durante toda a partida… numa eventual decisão de levar, acho que o grupo sairia fortalecido mentalmente, e seguramente com mais talento a disposição. Abraço. Edney P.S. mesmo que num post sobre basquete, hoje terei a sorte de ir à Luz assistir Benfica x MUnited, grande jogo, imensa expectativa em Lisboa.

    AK: Obrigado pelo comentário. Divirta-se aí. Um abraço.

  • Edwin Perez

    AK, corrija-me, mas creio que tanto o Nezinho (que foi figurante neste pré-olimpico) quanto o Marquinhos já “desistiram” da seleção em um Mundial creio e voltaram e só tem essa celeuma toda pois os caras são da NBA. Tecnicamente falando há vagas para os dois, a questão acredito é estritamente o ambiente que isso causaria e nessa abordagem creioque você foi cirúrgico na sua colocação
    abs!

  • Leonardo atleticano

    André, a turma tem atacado bastante o Nenê, Leandrinho já jogou mais pela seleção e tem a amizade de muitos do grupo. Alguem já perguntou ao Nenê se ele quer a seleção?

  • @Juliano

    Claro que em um primeira análise as escolhas óbvias para a entrada de Nenê e Leandrinho são Caio Torres e Nezinho. Pensemos primeiro em Nezinho: será que o Magnano iria pra Olimpíada com somente dois armadores? Não vejo o Leandrinho jogando como 1 (não deu certo nem na NBA quando ele tentou), e depender de somente um jogador de 19 anos (20 ano que vem) pra descansar o Huertas pode ser arriscado.

    Em relação ao Nenê, vem a pergunta: ele pegaria o banco numa boa? Me preocupo com o jogo dele em nível mundial, pois na única competição que me lembro dele na seleção (pré-olímpico de 2007) ele não foi um destaque. Ele está muito adaptado ao jogo da NBA sem sombra de dúvidas, mas tenho dúvidas sobre o basquete FIBA pra posição dele.

    Quanto ao Marcelinho, nem os próprios companheiros duvidam da sua capacidade de decisão. Ainda tenho em minha mente que caso ele tivesse sido o escolhido para a última bola no Mundial do ano passado ao invés do Leandrinho o Brasil teria ganho. O Leandrinho é um reserva na NBA, e quase nunca a bola decisiva cai na mão dele. Quanto o Marcelinho, decide jogos todas as semanas para o Flamengo. Esporte é treinamento, e estar sob pressão também é um estado mental que precisa ser treinado. Nesse caso, ninguém com a camisa amarela supera o Marcelinho.

  • Mário

    Na minha opinião, o técnico e os jogadores que foram a Argentina e somente eles devem decidir a participação de Leandrinho e Nenê.
    1) O técnico conversou com os dois e deve ter sentido se as justificativas foram válidas ou não.
    2)Antes do técnico convocá-los (Leandrinho e Nenê), eu acho que ele deveria dialogar muito com os jogadores que foram a Argentina e ter o aval e o comprometimento do grupo.

    E.T. Meus sinceros pêsames pela sua querida tia avó.
    Abrços.

  • Alberto Pereira

    Em primeiro lugar as chances de medalha na Olimpíada com ou sem “eles” são inexistentes.Então não há porque mudar o “grupo’ e premiar descontentes. Segundo, se não fossem as sérias contusões que atingiram Porto Rico e República Dominicana, possivelmente nem nos teríamos classificado, embora ainda não fosse esta a última chance, acho que Porto Rico, por exemplo, irá se classificar. E o que levaria os “desertores” a aceitar agora uma convocação? O que mudou?

  • Robert silva

    admiro o cartao verde, mas ontem foi patetica a atuação dos tres entrevistadores

    quando o tal “sheik” comentou o episodio de cantar musiquinha do flamengo na concentração do flu

    os tres entrevistadores ficaram como cordeirinhos ouvindo o tal “sheik” dizer que o presidente do flu foi inexperiente em corta-lo da delegação e depois do elenco, etc e tal pixando o presidente do flu

    e nenhum dos tres entrevistadores colocou o entrevistado tal “sheik” na parede perguntando se ele acha correto cantar uma musica de um clube rival na concentração? que exemplo de carater nao e mesmo?

    e xico sá ainda dizendo q a atitude do presidente do flu em afasta-lo poderia gerar crise no elenco? entao é certo e de pessoas de carater cantar uma musica de um clube rival na concentração?

    e ainda os tres entrevistadores observaram caladinhos o tal “sheik” falar que carater nao se vende na padaria?

    e os tres entrevistadores quietinhos cordeirinhos ouvindo o tal “sheik” desfilar o seu “rol” distorcido de valores?

    só uma palavra p/ cartao verde de ontem (13/09/11): LAMENTAVEL

  • Antoniel

    André,

    Sou contra a convocação dos jogadores que preferiram não ir. Quando se está na posição de líder, a intenção é se cercar de pessoas realmente comprometidas com seu projeto. Ao longo dos anos, Nenê e Leandrinho demonstraram certa falta de compromisso com a seleção. Não foi apenas uma vez. Foram várias, principalmente Nenê.
    .
    Você bem falou que da importância coletiva do basquete. Me pergunto agora, será que com Leandrinho e Nenê o time seria melhor coletivamente? Será que a garra deles com a camisa amarela é do mesmo nível dos outros jogadores que se sacrificaram pra estar ali? Concordo com a parte final de seu texto. Realmente, a convocação de Leandrinho e Nenê pode ser a diferença entre participar das olimpíadas e disputá-la. O pré-olímpico deixou claro, para mim, que temos condições de disputar. Com as implicações da possível convocação deles, não sei.

  • Anna

    André, vão ter os links da Liga? Queria aproveitar e te desejar feliz aniversário! Abraço, Anna

  • Juliano

    Eduardo Santos

    Belos argumentos, me convenceu em alguns.

    De fato confiar apenas no jovem Luz para descansar Huertas é arriscado. Mas o Nezinho está longe da minha seleção, não consigo imaginar ele numa olimpíada. Minha opção seria levar o Valtinho, que costuma recusar convocações. Talvez a alternativa aqui, seria, por poucos minutos e apenas em situações de improviso, de extrema necessidade, utilizar o próprio Marcelo Machado na 1, como o Leandro ou até o Alex, que fariam nada além de conduzir a bola à quadra de ataque. Repito, apenas muito raramente.

    Esquecemos que, se entrarem Varejão, Nene e Leandro, devem sair 3. Nezinho, Caio e quem mais? Benite!

    Praticando a futurologia, se Nene convocado for, se ele aceitar – assim como o grupo -, não vejo porque colocá-lo no banco. Explico: se a convocação e integração ao time acontecer, partimos da premissa de que o que passou passou, e ele terá tratamento igual aos demais, e nao tratamento pior pelas recusas. Assim, olhando apenas tecnicamente, não vejo pivo melhor que Nene na seleção. Gosto do Splitter, mas acho ele muito ‘mole’. Poderiam escalar os dois juntos, mas é triste colocar jogadores com a raça e disposição do Varejão e do Giovanonni no banco. Decisão difícil. Precisamos de alguem que coloque respeito, ordem no garrafão, se ninguém fizer isso veremos Scola acabar com nossos pivôs como tem feito com frequencia. Precisamos de um Pivô-Pivô!

    Queria muito ver o Guilherme jogando na 3, e não se sacrificando tanto na 4. Creio que todos sairiam ganhando.

    Concordo também com o treinamento (ou costume) para momentos decisivos. O “clutch player”. Pois é. Se o nosso clutch player é o Marcelo Machado, quer dizer que estamos mal. Ele é cestinha no clube, mas veja quantos arremessos ele tenta. Qualquer jogador que recebe a confiança do treinador para arremessar livremente, o jogo todo, se torna o cestinha, com o custo do percentual de erro, que quando se olham para os pontos se esquece do resto. Por isso minha birra. E se está num dia infeliz não atinge o mesmo número de pontos, mas o alto número de arremessos se mantém. Por isso deve-se reduzir seus minutos. Partindo deste raciocínio, se não meteu bola o jogo todo, por que acreditar que meteria a bola decisiva? Seria quase que como um evento ao acaso. E a principal marca que vejo no Marcelo é sua inconstância. Ele seria um jogador muito, mas muito melhor, se seus treinadores tivessem corrigido essa sua ânsia por converter bolas de 3. Na nossa seleção, eu não daria a bola do jogo nas mãos dele (a menos que tenha feito uma boa partida, como frente à Dominicana). Talvez Marquinhos, Giovanonni. A bola deve ir pra quem está quente naquele jogo.

    Bom o papo. Um abraço!

    Ps: André, olha aí o basketball de volta…

  • Thiago Mariz

    Olimpíada não é guerra. Seleção não é exército.

    Isso sim é uma síntese da ideia como um todo.

    Meus sentimentos, André.

  • Rita

    Decisão difícil.
    Que o Magnano leve os melhores sob todos os aspectos e que ele seja iluminado qd tomar a decisão pq voltar a torcer pelo basquete brasileiro numa olimpíada é maravilhoso, DISPUTAR uma olimpíada seria incrível e conquistar uma medalha, sem palavras.

  • Correa Leonardo

    Que o Magnano não repita o erro de Dunga e leve quem estiver em melhores condições de jogo (físicas, técnicas, psicológicas, etc) na hora H de convocar.

    Achei legal demais voltar a ter basquete masculino nas olimpíadas (pô, só vôlei enjoa!), mas, sinceramente, com ou sem os caras da NBA, acho nossas chances de medalha bastante escassas. Pensando o jogo vencido contra a Argentina uma jogo extraordinário, imagina quantos jogos extraordinários nosso time teria que fazer na campanha olímpica pra chegar nesse patamar?

    Por outro lado, seria legal demais se isso acontecesse…

  • Li hoje no Lance impresso texto parecido e gostei bastante.
    Claro que as patriotices são descartáveis, mas há quem dê as mais diversas razões pra defender a não convocação de Nenê e Leandrinho.
    Eu tenho a impressão que Nenê não viria de novo, mas acho que ele seria absolutamente útil, seria titular e teria muito a ensinar ao Hettsheimer.
    Leandrinho também seria útil, mas não sei se seria titular.
    O povo esqueceu do ato, muito mais explícito, do Nezinho, que foi convocado.
    E acho que pra grande maioria do povo o Marcelinho Machado – um fracassado – não seria convocado.
    E não podemos esquecer que essas insubordinações do Nenê e outros foi essencial pra “desgreguização” da CBB, nem ficou tão bom, mas quem sabe que mais algumas insubordinações não mude pra melhor mais um pouquinho e mais, mais…
    Portanto, o justo é que Magnano decida, mas se decidir pela volta dos caras que não caiamos em histeria novamente.

  • renato

    Correção: nasci em 1970 e vi ao vivo a cesta do Marcel que nos deu o bronze no mundial das Filipinas em 1978. Na época, assistia-se basquete na TV aberta ao vivo.

    AK: Eu nasci em 73 e também vi. Mas não me lembro.

  • Diego Rocha

    Muito estranho, segundo o jornalista, todos que participaram da campanha tem méritos. Menos o presidente que contratou o técnico que nos tornou um bom time? Que falta de coerência!

    Muito se critica a falta de transparência, sinceridade e honestidade nas entrevistas esportivas, quando o presidente é o mais verdadeiro e honesto possível, ele é criticado?  Então o negócio é que só pode ser honesto e sincero se for pra agradar o “politicamente” correto da cartilha que o jornalista reza? 

    O jornalista ainda escreve que a CBB não faz nada pelo esporte. Pelo que tenho visto, o Campeonato Brasileiro tem crescido bastante, revelando bons jogadores e aumentando a audiência. Será que o colunista não acompanha o principal capeonato nacional do esporte em questão? Será recalque da ESPN nunca conseguir ganhar os direitos de transmissão e ficar transmitindo campeonatos fracos?

    AK: Você se engana em relação ao Campeonato Brasileiro, que só existe da forma que é hoje por causa da omissão da CBB. Procure se informar minimamente.  

    Se fosse “recalque”, por causa da ESPN, eu falaria mal do Campeonato Brasileiro de futebol. Faço o contrário. 

    Contratar um bom técnico não é mérito. Contratar um dos melhores técnicos da História, muito menos. 

    Por último, nada do que está escrito tem a ver com o “politicamente correto”. Não sei de onde você tirou essa conclusão. 

    Se você quer defender mais uma gestão omissa no esporte, fique à vontade. Mas traga pelo menos um argumento. 

    Um abraço.

  • Teobaldo

    Assisti ao Mundial das Filipinas de 1978, salvo engano. A cesta do Marcel contra a Itália na decisão do terceiro lugar (medalha de bronze) no último segundo foi sensacional. Fiquei pasmo com a precisão daquele cara, afinal o basquete não era um esporte exatamente popular e pela primeira vez passava na TV. Naquele ano perdemos a semi-final para a ex-URSS de Alexis Katchenco (desculpem-me, não sei se essa é a grafia correta) um gigante excepcional para a época (2,20 m), mas de pouquíssima velocidade e nenhuma mobilidade. Vendo os pivôs atletas de hoje (Shak; Stoudemire; Howard) e outros de um passado recente (Karin; Ewing; Bil Cartwright; Bill Lambier) e até alas-pivôs (Garnnet e James) o Katchenco pareceria caricato. Sem saudosismos, mas aqueles eram bons tempos… Um abraço a todos.

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