COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

FESTIVAL DO MINUTO

A rodada do meio de semana do BR-11 foi pródiga em pênaltis fabricados. Um festival de obras tragicômicas, em grande circuito. Fizemos um guia dos melhores filmes, para você não perder tempo:

Cinema: Parque do Sabiá
Filme: “Mergulho Radical”
Diretor: Guilherme Cereta de Lima
Elenco: Mariano, Fred e Léo

Sinopse: Cruzeiro e Fluminense ainda não tinham saído do zero em Uberlândia. Aos 33 minutos do primeiro tempo, Mariano faz ótima jogada na intermediária, cortando da direita para o meio. O passe de pé esquerdo sai na medida para Fred entrar na área em condições de finalizar. De costas para o gol, e marcado por Léo, o atacante do Fluminense gira e desaba. Intocada, a bola chega ao goleiro Fábio. Dá para ver a mão esquerda de Léo no peito de Fred, como num abraço por trás. Só não dá para entender como Fred caiu para a frente. Talvez a explicação venha nos extras, quando o DVD sair.

Cinema: Ressacada
Filme: “O Invisível”
Diretor: Gutemberg de Paula Fonseca
Elenco: Robinho, William, Edu Dracena e Lincoln

Sinopse: O placar em Florianópolis, num campo semelhante a um parque aquático, estava empatado em zero a zero. Aos 31 minutos, Robinho ergue a bola na área do Santos, procurando William. O atacante do Avaí ajeita de cabeça, criando excelente oportunidade de gol para Lincoln, que entra na área. Mas o domínio do meia é defeituoso, adiantando demais a bola. Edu Dracena, um pouco atrasado na marcação, preocupa-se em evitar o contato. Lincoln nem liga. Joga-se, deixando a perna esquerda esticada, como se tivesse sido tocado por um ser que não estava ali. Mistério…

Cinema: Pituaçu
Filmes: “Longe Dela” e “Queda Livre”
Diretor: Felipe Gomes da Silva
Elenco: Fabiano e Douglas, na primeira sessão. Marcos, Reinaldo, Edcarlos e Julio Cesar, na segunda.

Sinopses: Em “Longe Dela”, Douglas faz boa jogada pela ponta-esquerda, fintando Fabiano a caminho da grande área. O jogador do Bahia se arrisca ao tentar o carrinho, último recurso. O rapa é claro, nas pernas do gremista. Desequilibrado, Douglas cai dentro da área. Mas a falta é fora, no mínimo meio metro. O lance acontece no final do primeiro tempo, com o placar em 2 x 0 a favor dos gaúchos. O filme traz uma mensagem de justiça, uma vez que Douglas desperdiça a cobrança.

Em “Queda Livre”, Reinaldo recebe passe de Marcos, na entrada da área. Domina e gira, marcado por Edcarlos. Evidente que há contato entre eles, o que não significa que seja faltoso. Mas Reinaldo sabe que o árbitro sabe que errou ao marcar pênalti para o Grêmio no primeiro tempo. E dá a ele a oportunidade de corrigir um erro cometendo outro. Aproveita a chegada de Julio Cesar e cai. Final previsível.

Quatro filmes, um mesmo tema. É perceptível a tendência que fascina os cineastas do apito. Mas há outra onda criativa se insinuando: basta um jogador ser expulso para que não se marque mais faltas para o time que ficou em vantagem numérica. Já tinha acontecido em Corinthians x Grêmio. Voltou a acontecer no empate entre Atlético Paranaense e Palmeiras.

Em breve, estará num estádio perto de você.

HÁ 10 ANOS

Como todo mundo, lembro exatamente de onde estava quando os aviões atingiram as torres. Mas o que guardo na memória com mais clareza foi o que vi de perto, um mês e meio depois. A temporada 2001-02 da NBA estava marcada para começar em 30/out, com um jogo especialmente interessante: New York Knicks x Washington Wizards, a volta da segunda aposentadoria de Michael Jordan. Meus chefes na ESPN Brasil acharam boa ideia cobrir o retorno de Jordan, na cidade que tentava se recuperar do horror do terrorismo. Pela única vez na vida, entrei num avião com fortes suspeitas de que ele não chegaria a seu destino. E o voo nem saiu. Tivemos de desembarcar porque encontraram um pó branco no banheiro, suspeita de anthrax. Fomos no dia seguinte, sem sustos. No Madison Square Garden, esquadrão antibombas, metralhadoras, cães farejadores… meu primeiro contato com o mundo pós-11/setembro.



  • Anna

    Muito boa a coluna cinematográfica. No dia 11 de setembro de 2001, eu estava em cirurgia no Hospital Jesus, que é um hospital pediátrico aqui no Rio, em Vila Isabel. Se não me engano eu e Dr Marcelo estávamos com uma criança queimada. Foi o momento histórico mais impactante que eu vi. E eu adoro Nova York. Tinha estado lá quatro meses antes da queda das torres. Me marcou muito. Esse dia foi um divisor de águas. O mundo nunca mais foi o mesmo depois daquilo.

  • Rogerio

    André, favor desconsiderar a mensagem anterior. Foi por engano. estava incompleta. Vale esta…
    Pode revelar (aspas, por favor) a primeira coisa que esses seus chefes da ESPN Brasil disseram e a sua primeira reação/resposta? Se possível, também gostaria que dividisse conosco a última coisa que te disseram para convencê-lo ou para te tranquilizar e qual a sua resposta. Um abraço.

    AK: Honestamente, não me lembro. As conversas mal tocaram nesse aspecto. Um abraço.

  • Luiz Fernando Corrêa Melli

    André, excelente coluna como de hábito. Não esqueça de eleger mais um filme para o penalti marcado para o Cruzeiro ontem contra o Santos ,além dos 2 impedimentos em gols do Santos. Aguardamos também um comentário sobre a classificação da seleção masculina de basquete prara Londres-2012.

  • Marcos Vinícius

    O lance em cima do Fred foi pênalti,indiscutível.Se foi pênalti,e isso é claro,faz mesmo diferença se ele caiu de frente ou de costas?Foi pênalti e pronto.O que aconteceu,e quem acompanhou o jogo viu isso,foi que houveram,antes desse lance,dois outros penais em cima do mesmo jogador,e o juiz não marcou.A TV mostrou nitidamente Fred avisando ao árbitro,fazendo aquele gesto típico,pondo o dedo abaixo do olho e puxando,dizendo para olhar que marcaria o penal.Quando o zagueiro do Cruzeiro puxou,ele caiu.Se caiu de lado,de frente,de costas,não descaracteriza a jogada.Foi e pronto.

    O pênalti da Ressacada foi o maior absurdo da rodada.Nem contato houve,o zagueiro sequer encostou no jogador do Avaí.Menos mal que o placar corrigiu a besteira.

    Quem acompanha o Cariocão conhece bem Gutemberg.O que aconteceu em Pituaçu é pouco perto do que temos visto em jogos pelo estadual do Rio.É a versão 2011 do Prof.Pardal

  • Juliano

    Na rodada do fim de semana o Santos foi vítima de mais uma marcação de penalti inexistente, contra o Cruzeiro. Como se os dois (errar nos torna humanos, mas DOIS!?) gols mal anulados não tivessem sido suficientes. Prato cheio para qualquer treinador de futebol no mundo fazer DVDs com lances de seu time sendo seguidamente prejudicado pela arbitragem.

    Cobrir NBA deve ser muito bom, cobrir MICHAEL JORDAN (seja na aposentadoria I, retorno, All-Star Game, Finais, ou aposentadoria II) deve ser indescritível. Felizes daqueles que viram Ele jogar.

    E fé no Brasil, logo mais, frente os hermanos em Mar del Plata.

    Abraço, sucesso!

  • Luis Fernando

    Marcus Vinícius,

    Houveram não existe.

    AK: Existe, sim. Não na forma que ele usou, mas existe. Um abraço.

  • Leandro Azevedo

    Estava numa classe de matematica em High School em Miami no dia do ataque… e a professora tinha um filho trabalhando proximo as torres, e o panico dela para conseguir um contato com ele foi algo que nunca esquecerei.

  • Marcos Vinícius

    Verdade.Grato pela correção.

  • Marcos Vinícius

    A forma houveram surge quando se emprega haver com qualquer sentido que não seja o de existir, ocorrer ou
    fazer (na indicação de factos ligados ao tempo, fenómenos da natureza etc.):
    “Os sem-terras houveram do juiz a liminar”, / “Os funcionários houveram-se por bem encerrar a greve”, /
    “Os devedores houveram de me pagar”

  • kappen

    teria o douglas errado voluntariamente?

  • Paula

    Acompanhei os últimos 3 jogos do Fluminense. É incrivel como Fred quer apitar o jogo e simula faltas. Qualquer bola que ele tenha a mínima chance de não chegar se joga no chão e fica olhando para o arbitro. A maioria cai na dele. O lance do cruzeiro achei até que Leo dá uma seguradinha nele mas obvio que ele continuaria no lance… mas atrapalhou, nem acho esse tão erro assim.

  • Leandro Aragão

    Parabéns pela criatividade! Você evolui como colunista a cada dia. Abraço

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