CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

APOSENTADORIA PARA ROGÉRIO

Calma, são-paulino. Respire.

O título acima não é uma sugestão para o goleiro que só o seu time tem. É uma sugestão para o clube.

A conversa sobre quem é o jogador mais importante da história do São Paulo é infinita. Depende da impossível comparação entre eras, e dos sentimentalismos – no bom sentido – de cada geração. Leônidas, Pedro Rocha, Raí, Rogério Ceni… todos merecem um lugar no Olimpo tricolor.

A conversa sobre quem é o goleiro mais importante da história do São Paulo acabou. Já faz algum tempo, vale dizer. Mas o que aconteceu ontem no Morumbi funciona como um epílogo de gala. Todos os títulos possíveis (você não acha que a taça da Copa do Brasil faz falta, acha?), mais de duas décadas no clube, cento e tantos gols marcados, mil jogos. Caso encerrado.

E como se homenageia alguém que, além de tantos números significativos, está envolvido em todas as alegrias recentes vividas pelo são-paulino? Como se agradece a alguém que simboliza e representa o sentimento de torcer pelo São Paulo como nenhum outro jogador? Como se eterniza o período em que a escalação do time, ano após ano, começou com o nome dele?

Com uma festa para 60 mil pessoas num feriado nacional. Com uma logomarca criada especialmente para a ocasião. Com um kit comemorativo para quem foi ao jogo. Com mil crianças entrando em campo junto com o ídolo. Com a ideia de mudar o nome do estádio por 24 horas. Com um busto no museu. Tudo isso é bom, apropriado, mas de certa forma, obrigatório.

O que o São Paulo tem de fazer é simples: aposentar a camisa 1. Garantir que ninguém jamais usará esse número depois que Rogério parar. Associá-lo eternamente a um goleiro, e a mais nenhum outro. Os são-paulinos atuais se orgulharão da iniciativa, que é importante também para os são-paulinos do futuro, os que não viram Rogério jogar. Pense num garotinho perguntando ao pai, daqui a cem anos, por que a camisa do goleiro do São Paulo é diferente da dos outros times.

Não haverá outro. Se houver, não ganhará os mesmos títulos. Se ganhar, não marcará tantos gols. Se marcar, não jogará tantas partidas. E se jogar, que o clube aposente outro número.

O 1 tem de parar com Rogério.

JORNALISMO

A reportagem de Luís Augusto Mônaco, do Jornal da Tarde, sobre a negociação de Neymar com o Barcelona, é um exemplo de informação bem apurada, sobre um assunto recheado de boatos e achismos. As negativas oficiais que se seguiram são, mais do que óbvias, obrigatórias. Entre outras coisas (veja a próxima nota), confirmar a transação é admitir que Neymar jogará o Mundial de Clubes já negociado com o principal adversário.

NEGOCIAÇÃO

Nada pode ser melhor para o Santos do que uma guerra para contratar Neymar. Os primeiros sinais de que ele iria para o Real Madrid provocaram o envolvimento do rival, que tem razões esportivas e mercadológicas para impedir o negócio. Para conseguir, o Barcelona teve de aceitar as condições, o que explica pagar mais do que a multa e receber Neymar só em 2013. Agora, os parâmetros são outros. Quem quiser, que melhore a oferta.



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