CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

FORÇA, RICARDO

A melhor notícia da semana, de longe, é a de que Ricardo Gomes evolui até mais do que o esperado após a retirada da sedação. O caminho ainda é longo, mas começou bem.

Episódios como o que vimos acontecer com o técnico do Vasco deveriam servir para muitas lições. Para nós, quero dizer. Colocar as coisas na perspectiva devida, refazer conceitos de importância, eleger prioridades. Manifestações jocosas no momento em que uma pessoa é retirada de ambulância, independentemente da gravidade, revelam o que há de pior no ser humano. O futebol não deveria ser “culpado” pelo comportamento de bagrecéfalos. Mas, sabemos, fatos ainda mais deploráveis já se tornaram comuns.

É assustador lembrar que Ricardo recebeu um aviso, no ano passado, quando trabalhava no São Paulo. Inconcebível imaginar alguém sofrer um AVC, livrar-se de qualquer sequela e não obedecer todas as recomendações médicas posteriores. Medicamentos, hábitos alimentares, cuidados com excessos… é claro que ele observou tudo isso.

A questão é o inimigo desconhecido, invisível, que está por trás desse tipo de problema neurológico. Damos a ele o nome de estresse. O remédio? Mudar de vida. É preciso diminuir a pressão. Mas como, quando o paciente é treinador de futebol?

Qualquer um de nós pode imaginar a rotina, os horários, as responsabilidades e os problemas do trabalho de um técnico. Muitos de nós podem até se relacionar com um ou outro aspecto. O que foge ao nosso alcance é a noção da carga de estresse que esses profissionais carregam.

Além dos treinamentos, da administração de pessoas, da observação de adversários, eles têm de lidar com as expectativas e os humores de milhões de pessoas duas vezes por semana, todas as semanas, por quase todos os meses do ano. Ninguém vive sob tanta pressão.

Encontrar uma maneira alternativa de enfrentar essa realidade parece impossível. A cobrança por desempenho e resultados é incontrolável. Faz parte da descrição da profissão, como reclamar da arbitragem e querer melhorar sempre.

À medida que Ricardo Gomes evolui aos poucos e nos faz acreditar que pode superar mais esse drama, fica a torcida para que ele possa escolher como serão seus dias.

REGRA UM

É curioso como, para muitos árbitros, o futebol tem apenas uma regra: a da compensação. A impressão que fica é que o planejamento é contemplar os dois times com a mesma quantidade de falhas, de forma a equilibrar os prejuízos e evitar que um lado tenha mais a reclamar do que o outro. O resultado, na maioria das vezes, é o oposto. Sempre que há uma marcação duvidosa, a compensação é esperada. Quando acontece, irrita até quem recebe.

TEIMOSIA

O Campeonato Brasileiro mais disputado dos últimos anos promete um segundo turno emocionante. A quantidade de times em condições de fazer um ataque à liderança e ao título pede atenção a cada rodada. Mas a tabela continua a ser prejudicada, com adiamentos e mudanças de datas e horários de jogos, por desorganização da CBF. É inacreditável que, depois de tanto tempo, ainda não se tenha aprendido a fazer e respeitar um calendário.



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