O ANTÍDOTO?



Conversar sobre futebol é um prazer que, felizmente, só aumentará com o tempo.

Fazê-lo por aqui tem sido uma grande satisfação.

Temos conseguido nos manter imunes ao que chamo de “imbecilidade clubística”, esse efeito colateral da internet que dá razão à vida de quem se relaciona miseravelmente com o futebol.

A esses, dedicamos a pasta simbolizada pela lixeira, e a fantástica tecla “block” no twitter.

Mas voltemos ao assunto do post. Meu camarada Arnaldo Ribeiro é um parceiro desses papos infindáveis sobre times, jogos, sistemas, gols…

Em seu blog no site dos canais ESPN, Arnaldo escreveu um interessantíssimo texto sobre o drama dos técnicos que têm de enfrentar o Barcelona.

Como parar o extraordinário time catalão? Ele tem uma ideia: com uma equipe sem zagueiros.

Curiosamente, o próprio Barcelona pode ter oferecido o antídoto para sua superioridade no jogo de ontem, contra o Villarreal.

Sem Piqué, Puyol, Adriano e Daniel Alves, Guardiola estreou no Campeonato Espanhol com um time basicamente formado por jogadores de meio de campo e atacantes.

Só havia um defensor de origem: Abidal.

A única coisa certa a respeito do sistema que engoliu o quarto colocado da última Liga (com 74,9% de posse e permitindo apenas 1 chute no alvo) é que o time tinha três “zagueiros”: Mascherano, Busquets e Abidal.

O que começou como um 3-4-3 pode ter evoluído durante o jogo para um 3-3-4, com Messi e Fàbregas se revezando na função de falso centroavante.

Especialistas em tática, por favor se apresentem…

A tese do Arnaldo faz sentido. Um dos grandes problemas que o Barcelona apresenta a seus adversários é mesmo a atuação de Messi.

Flutuando entre as linhas de marcação, ele abre espaços para seus companheiros porque os zagueiros ficam em dúvida sobre o que fazer.

Jogadores de marcação mais móveis, como os volantes, estariam em teoria mais aptos a evitar essa situação.

Outro benefício apareceria na hora da retomada da bola. Nos pés de meio-campistas, a saída seria mais eficiente.

Tudo no papel, claro. E também é claro que esse tipo de sistema teria de ser exaustivamente treinado.

Mas há uma questão inicial: jogadores rápidos como Pedro e Villa ficariam à vontade para cortar em diagonal da lateral para o meio. Teriam der ser impecavelmente acompanhados pelos laterais.

Além disso, não sei se mais mobilidade solucionaria a forma como o Barcelona empurra seus oponentes para o fundo do campo, com sua chamada “segunda bola”.

Não confundir com rebote. A segunda bola do Barcelona é o segundo momento de sua movimentação ofensiva. O primeiro é, sim, um tipo de ligação direta entre defesa e ataque.

Quando Piqué está em campo, ele é um dos principais responsáveis por fazer a bola chegar aos atacantes Villa e Pedro (pelos lados) ou Messi (pelo meio). Eles, por sua vez, dão sequência ao lance chamando os articuladores.

Os meias entram em ação no momento seguinte, por dois motivos: quando a bola volta dos atacantes, Xavi e Iniesta estão de frente para o gol adversário (se recebessem dos zagueiros, estariam de costas), ou seja, com visão e condições para o passe mortal.

A segunda razão é que, se algo der errado e o adversário recuperar a bola, os meias também estarão de frente para o lance, mais aptos a atuarem como marcadores.

Falando sobre alternativas que já existem, parece-me que a receita que o Real Madrid aplicou nos dois jogos da Supercopa da Espanha é a mais indicada.

Pressão em cima, controle da bola sempre em jogadas curtas e indução ao erro. A questão é que nenhum time consegue atuar dessa maneira por um longo período.

O Barcelona é um time que não pode se sentir à vontade. Quando isso acontece, fica muito difícil. Quem viu a Super Copa da Uefa percebeu.

Em Mônaco, o Porto teve uns bons 20 minutos de periculosidade, graças a sua ousadia e ao gramado ruim do estádio Louis II.

Aos poucos, duas coisas aconteceram. O ímpeto portista diminuiu e o Barcelona passou a controlar a bola. Bastou um erro na defesa, justo com Messi, para o 1 x 0.

No segundo tempo, o Porto cansou, o número de faltas subiu (jogadores cansados têm muito mais dificuldade para controlar os próprios movimentos) e o Barcelona ficou com um jogador a mais.

Game over.

O problema é tamanho que até o técnico mais bem pago do mundo, no comando do elenco mais caro da História, parece ter se convencido de que não dá para resolvê-lo apenas dentro do campo.

Desde a temporada passada, José Mourinho tem procurado elevar a tensão dos confrontos, com o objetivo de tirar o Barcelona dessa zona habitual de conforto.

Até agora, não conseguiu.

A conversa é ótima, dessas que parecem não ter fim.

Passe no blog do Arnaldo. E volte sempre.



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