COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

PARA PRESENTE

O Forum Grimaldi é um centro de convenções situado no distrito de Larvotto, em Mônaco. Uma enorme estrutura de vidro e metal à beira-mar. De um lado, o Mediterrâneo. Do outro, a avenida Princesa Grace. O pedaço de asfalto, nomeado em homenagem a Grace Kelly, é decorado por altas palmeiras, lojas de veículos de luxo e restaurantes que cobram preços escandalosos por uma garrafa de água. É o metro quadrado mais caro do Sistema Solar.

Eventos culturais também são realizados no centro. Quando a Ópera de Monte Carlo passou por renovações, há sete anos, espetáculos foram apresentados na Sala dos Príncipes do Forum Grimaldi. É nesse ambiente que, nos últimos dois dias, a Uefa abriu oficialmente a temporada europeia de clubes.

A escolha por Mônaco e seu ar monárquico não é casual. Nenhuma outra organização esportiva (nem a Fifa, nem o COI) empacota, embeleza e comercializa seu produto como faz a Uefa. A associação europeia trata o futebol com reverência, quase como algo sagrado. Uma cena que aconteceu na quinta-feira é a melhor ilustração do conceito.

A eleição do melhor jogador da temporada passada na Europa foi realizada após o sorteio dos grupos da Liga dos Campeões. Os três finalistas, Messi (eventual vencedor), Xavi e Cristiano Ronaldo chegaram ao Forum Grimaldi vestindo ternos pretos, apesar do calor impiedoso. Trajando bermuda xadrez, uma camiseta amarela do clube e tênis, Carles Puyol acompanhava os dois jogadores do Barcelona. A dúvida a respeito da presença do capitão catalão foi imediata.

A resposta veio logo no início do sorteio. Puyol surgiu no palco carregando o troféu da Liga dos Campeões. Sua entrada – da taça, não de Puyol – provocou a reação que normalmente se percebe quando pessoas são surpreendidas agradavelmente. O símbolo mais cobiçado do futebol europeu foi deixado a poucos metros da plateia, que retribuiu com suspiros, como se o Santo Graal estivesse ali. Ao meu lado, um jornalista italiano mostrou o braço estendido a um colega, típico gesto de quem arrepiou-se com o que viu.

O sorteio da Champions teve a participação de astros do passado. Bobby Charlton, Paul Breitner, Lothar Matthaus, Ruud Gullit e Luis Figo ajudaram a formar os oito grupos de quatro clubes que lutarão pela edição 2011/12 do torneio. Os cinco ex-jogadores conhecem a sensação de levantar a “orelhuda”. Deram depoimentos sobre o significado da taça.

Charlton foi quem mais falou, e melhor. Tentou externar o que sentiu quando foi campeão pelo Manchester United em 1968, dez anos depois do acidente aéreo que matou 8 companheiros, e que teria lhe tirado a vida se ele não tivesse trocado de lugar. “Todo jogador que quiser ser alguém precisa ganhar esse troféu”, disse Sir Bobby.

O caminho para Munique, sede da próxima final, começou em Mônaco. Com mais uma aula de como embrulhar um torneio de futebol para presente e fazer todo mundo querer ganhá-lo.



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