CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

INDEPENDÊNCIA

Algo está acontecendo no futebol da Europa. As declarações de Karl-Heinz Rummenigge, presidente da Associação Europeia de Clubes (ECA), contra as evidências de corrupção na Fifa, chamaram a atenção pelo tom mais elevado. Depois, os clubes enviaram sinais de uma revolta iminente contra a Uefa.

Na terça-feira, Rummenigge afirmou que “não aceita mais que os clubes sejam guiados por pessoas que não são sérias e limpas”, que “agora é o momento para intervir, porque sabendo que algo está errado, é obrigação mudar”. O ex-jogador alemão também protestou contra o calendário inchado, duvidando que as associações nacionais de futebol tomem alguma providência, “pois o sistema atual é feito sob medida para as associações, e votado por elas”.

O grito de Rummenigge, principal executivo do Bayern Munique, certamente não reflete apenas a opinião de uma pessoa. Também não é um episódio isolado. Ontem, o jornal inglês The Guardian falou com um membro da ECA que disse que “o fato de o Bayern, que sempre foi próximo das instituições, falar tão alto é um claro sinal de que estamos próximos de uma ruptura”.

O futebol europeu é regido por um acordo entre os clubes e a Uefa, assinado há três anos e meio e válido até 2014. Se não for renovado, os clubes estarão livres de obrigações com a Uefa e a Fifa. Isso significa que não serão mais forçados a participar de competições organizadas pelas associações – como a Champions League – ou ceder jogadores para torneios entre seleções – como a Copa do Mundo.

Quando o repórter do The Guardian quis saber se não seria prejudicial deixar de disputar a Liga dos Campeões, uma competição extremamente lucrativa para os clubes, o membro da ECA respondeu: “Não seja ingênuo. Não ache que não haverá uma competição alternativa”. A alternativa é a criação de uma liga de clubes no continente, a não ser que as questões financeiras e de cessão de jogadores às seleções sejam discutidas.

Sem os clubes, o futebol não existe. Clubes não precisam da autorização de ninguém para organizar seus campeonatos, negociar os direitos de transmissão de seus jogos, tomar decisões a respeito do calendário. Basta que se entendam e resolvam cuidar da própria vida.

É simples assim.

CALMA

O Sport vai esperar o retorno à Recife do goleiro Gustavo, que agrediu covardemente um adversário na Taça BH de futebol júnior, para tomar uma decisão definitiva sobre seu futuro no clube. Medida correta e prova de que a demissão minutos após o fato foi uma atitude precipitada. Gustavo deve ser punido com rigor no âmbito esportivo e até fora dele, mas seu clube não pode descartá-lo como se ele fosse um produto com defeito.

PÉROLAS

Dois golaços na noite de ontem pelo Campeonato Brasileiro. Um foi o terceiro do São Paulo contra o Coritiba, marcado por Dagoberto. Jogada para nos relembrar que o futebol é um esporte coletivo. Bola de pé em pé. O outro foi o terceiro do Santos contra o Flamengo, marcado por Neymar. Jogada para nos relembrar que o futebol vive do talento. Dribles incríveis. Juntos, os lances exemplificam o que gostamos de ver.



MaisRecentes

Plano B?



Continue Lendo

Pendurado



Continue Lendo

Porte



Continue Lendo