POR QUE O URUGUAI É ASSIM



O Uruguai (2 x 0 no Peru: Suárez-2) está na final da Copa América, bem perto do título que não conquista desde 1995.

Mas já ganhou a Copa América de 2011, se o critério for a admiração de quem tem acompanhado o torneio.

E mais do que o nível de futebol que a seleção uruguaia mostra na Argentina, é a postura do time de Oscar Tabárez o motivo dessa admiração.

Na forma como se comporta em campo, na relação dos jogadores com a camisa que vestem, na maneira orgulhosa como representam um país.

É esse tipo de atitude que se espera de uma seleção nacional. Na verdade, é isso que se exige.

O que é um erro.

Não por se querer ver esse mesmo espírito em outras seleções. Mas por se achar que ser assim é uma questão de vontade ou de vergonha na cara.

A coisa não funciona desse jeito.

É verdade que esforço e dedicação são fatores que um jogador ou um time de futebol podem controlar inteiramente. Resultado, sucesso ou fracasso dependem de muitas outras circunstâncias.

Vontade, não. Vontade depende apenas de cada um.

Mas para se ter um grupo de jogadores com as características que enxergamos na seleção uruguaia, é preciso trabalhar para que seja assim.

E é preciso observar aspectos históricos singulares, porque sociedades podem ter carências e virtudes semelhantes, mas são diferentes sentre si.

Não se preocupe. Não quero promover aqui uma reflexão antropológica. Falta-me capacidade para tanto.

Mas, para mais e interessantes informações sobre o projeto que se realiza no futebol uruguaio, indico a leitura desse texto de Lúcio de Castro, escrito em fevereiro.

O cerne é o tratamento de que se dá a futuros jogadores de futebol, e o que se pede a eles.

Passa por educação, formação e cidadania. Uma síntese do que o esporte deve significar.

Quando você se pegar reclamando que falta isso ou aquilo à Seleção Brasileira, a resposta estará sempre no trabalho que se faz lá atrás, muito antes do jogo que você viu.

No caso, no trabalho que não se faz.



  • Franco Garibaldi

    Comentei pelo twitter, mas o faço por aqui também, André: é excelente que cada vez mais esse tipo de trabalho, esse tipo de iniciativa implantada no Uruguai, seja divulgado.

    Como disse lá, “basta tirar o ‘João Sorrisão’ (por mais que seja difícil para a maioria) para enxergar” o porque das coisas.

  • Exato André, no ponto.
    O problema é que lá os jogadores são cidadãos e aqui…deixa pra lá (não por culpa deles apenas, mas de toda uma falta de estrutural social do país, carências educacionais, familiares, etc.).
    Enfim, perfeita análise. No meu blog, blig.ig.com.br/bolapromato também trato disso em alguns posts.
    Valeu, sempre te acompanho aqui.
    Abraços!

  • Willian Ifanger

    Grande post André.

    E a coluna do Lúcio de Castro é uma belíssimo Raio-X dessa evolução (não se essa é a palavra certa) pela qual passa o futebol uruguaio.

    A entrevista com o psicólogo é brilhante.

    Acho que nosso futebol hoje está tão corrompido

  • Anna

    Adoro ver a garra uruguaia. É o time pelo qual estou torcendo nessa reta final de Copa América. Gosto muito de Fórlan e Loco Abreu. 😉

  • Fred Ferreira

    Gosto muito de uma frase que ouvi do Felipão: “Jogador bom, é jogador com fome” . Os jogadores do Uruguai e de outras seleções menores são famintos pra defender sua seleção e ter seu valor reconhecido.

    Em times de estrelas, no qual os jogadores antes de se tornarem craques já viram celebridades milionárias, quase endeusados por todos os lados, servir a seleção é pouco importante, o que interessa mesmo são os contratos pessoais.

    AK: Análise equivocada. A questão não é essa. Na seleção espanhola só tem estrelas. Um abraço.

  • Marcel Souza

    Conversando com amigos durante o Uruguai e Argentina eu comentei que se os jogadores brasileiros tivessem esse mesmo comprometimento que os uruguaios tem, o Brasil ganhava tudo. Os uruguaios sempre foram assim, e hoje tem uma bela geração de jogadores. Dá gosto de ver.

  • Caio

    Fantástico post , e o texto do Lúcio de Castro também.

    Aliás, não sabia de nenhuma dessas informações.E vejo isso como uma ponta de esperança para o futebol moderno.

    Educação, formação e cidadania, a síntese que você dá ao esporte, não são levados nenhum pouco a sério por aqui. Quem se importa, não da dinheiro, não é mesmo?!!?!?! Quem pensa nisso é traço, como diria nosso presidente cagão… E olha que a coisa extrapola e muito os campos de futebol!! A questão é cultural, como você disse muito bem.

    Muito obrigado André, sou muito mais fã da seleção do Uruguai agora!
    Abraço!

  • Rafael

    Fred, essa frase é do ex-roupeiro do Botafogo, o lendário Neném Prancha: “jogador bom é aquele que corre atrás da bola como um faminto corre atrás de um prato de comida”.

  • Paulo Pinheiro

    Não querendo desviar o assunto, minha pergunta é: “Por que o Paraguai é assim”?
    Chegou à final sem ter vencido uma única partida…

  • Thiago Mariz

    Tomara que quando o “Maestro” sair, haja continuidade.

  • Francisco

    Vale lembrar que o Uruguay não trocou de treinador depois da Copa do Mundo, mesmo tendo amargado a 4ª colocação. Enquanto isso, o RT quis sacrificar o Dunga para justificar a derrota nas quartas da Copa, mas mantém o Mano depois da derrota nas quartas da Copa América junto com sua campanha “”””em evolução””””. Freud explica.

    AK: “Amargado” a quarta colocação?

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