COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

GESTÃO TEMERÁRIA
 
Seu time não vai jogar neste domingo, por causa da Seleção Brasileira. Ok, a culpa não é da Seleção, é de quem cria o conflito de competições e interesses no momento em que só uma competição deveria atrair interesse. De quem cria momentos como a noite da última quarta-feira.
 
Imagine alguém que não liga para a Seleção e tinha seu time pré-escalado para jogar amanhã à tarde pelo BR-11. Como esse cidadão se comportou em relação a Brasil x Equador? Recordemos: se o time nacional ficasse em segundo lugar, jogaria neste domingo, às 17h15. Se ficasse em primeiro (como ficou), jogaria às 16h, transferindo as partidas do Campeonato Brasileiro para a próxima quarta-feira.
 
É extremo imaginar que o cidadão em questão torceu contra o Brasil? Conheço gente que fez isso. Outras pessoas podem não ter secado a Seleção, mas realmente lamentaram a vitória por 4 x 2 que fez a rodada de amanhã desaparecer. Domingo sem futebol, DURANTE o campeonato, é uma péssima ideia. E para muita gente, domingo com jogo da Seleção não preenche o vazio. É outro tipo de relacionamento.
 
Não deveríamos estar discutindo esse assunto agora. O Campeonato Brasileiro não deveria estar em andamento. A Seleção não deveria estar disputando um torneio que compete pela atenção do torcedor e ainda prejudica os clubes. Seja pela convocação de jogadores importantes, seja pelos atentados ao planejamento de quem talvez jogue numa determinada data, talvez jogue três dias depois.
 
Olhe a tabela do BR-11. Ainda não chegamos à décima rodada e há times com 10, 9, 8 e 7 jogos. Partidas adiadas ou adiantadas, sempre conforme a relação dos clubes solicitantes com a CBF. No caso do Santos, enquanto Neymar, Ganso e Elano estão na Argentina, espera-se que o torcedor se envolva com o campeonato? Ou que comemore os gols que a Seleção leva, para que os três voltem logo? Situações esdrúxulas que não acontecem em nenhum outro lugar onde o futebol é importante como no Brasil.
 
Em tais centros, clubes estão em pré-temporada, faturando com participação em torneios internacionais. Provavelmente não é por acaso que, nesses países (leia-se: o mundo do futebol, exceção feita ao Brasil), a relação das pessoas com as seleções nacionais é diferente. E não tem nada a ver com a bobagem do “exército da bola”.
 
O debate Clubes x Seleção deveria ficar restrito às conversas sobre escolhas que nunca teremos de fazer. “Você prefere ver seu time ganhar o Mundial da Fifa ou ver a Seleção ganhar a Copa?”, e variações criativas sobre o tema. Jamais poderia nos ser imposto a cada competição de que a Seleção Brasileira participa, desfalcando times e alterando tabelas. Mas é assim desde sempre.
 
Ninguém é obrigado a gostar (para a ata: eu gosto) da Seleção Brasileira. Em todos os países há quem adore futebol e não curta “a pátria de chuteiras”. Tudo certo. O problema é quando se estimula a animosidade. Quando se utiliza uma paixão para frustrar as pessoas. A CBF faz exatamente isso, tanto na gestão do calendário brasileiro, quanto na gestão da Seleção.



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