CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

PODER AQUISITIVO

Tevez vem aí, de novo? É uma questão de tempo: ele, e as pessoas que falam por ele, têm até domingo para fazer o Manchester City entender que aceitar os 35 milhões de libras oferecidos pelo Corinthians não é a melhor opção. É a única.

Carlitos já comunicou ao City que não quer voltar à Inglaterra. Provavelmente acrescentou que seu desejo é jogar na América do Sul, e só na América do Sul. O clube inglês pode conseguir mais dinheiro de outro lugar, o que levará o atacante a dizer que não vai. O problema é que o cronômetro das transferências internacionais está na regressiva, e contando. No próximo dia 20, ele zera.

É correto um jogador sob contrato se recusar a cumpri-lo? Não, não é. Tevez é o primeiro futebolista a demonstrar que sua vontade é mais importante do que sua assinatura? Você sabe a resposta. Assim como o Corinthians deve saber o que está fazendo, vítima que foi das mesmas vontades, do mesmo Tevez, em 2006.

Só não creio que semelhante raciocínio se aplique a Kia Joorabchian, o ex-manda-chuva da MSI que levou o Corinthians à Série B. No possível retorno de Tevez, Joorabchian é intermediário. Ainda que tratar com ele possa gerar calafrios, é outro tipo de atuação. O pior que pode acontecer é, um dia, Carlitos não aparecer. Seria a segunda vez.

Um aspecto dessa história que não teve a repercussão que merece é o dinheiro: R$ 90 milhões. Não é espantoso que um clube brasileiro possa fazer uma oferta desse tamanho? Esqueça por um instante que Tevez direcionou seu futuro e pense, apenas, na soma. No futebol mais rico do mundo, o inglês, só houve um negócio mais vultoso – a ida de Fernando Torres para o Chelsea, por 50 milhões de libras.

Sim, pode ser uma insanidade gastar essa quantia, mas o fato é que, com as cotas atuais de direitos de televisão, tal engenharia é possível no Brasil. O que comprova o que foi escrito aqui em março: a negociação individual favoreceria os clubes que já ganhavam mais. A propósito, ouvi mal ou falou-se em R$ 110 milhões como a cota corintiana?

Tevez vale essa grana? Há quem queira, e possa, pagar. Talvez essa seja a notícia.

UMA COISA…

O “investimento” numa contratação e os incentivos fiscais para a construção do Itaquerão não deveriam estar na mesma conversa. Dizer que “quem tem 90 milhões não precisa de dinheiro público” é o mesmo que afirmar que Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, não precisa do BNDES para reformar o Hotel Glória, no Rio. São coisas diferentes. Ou se é a favor de dinheiro de impostos nesses casos, ou se é contra. Eu sou contra.

… OUTRA COISA

Alguém precisa inventar o “futebol feminino”, um esporte com regras diferentes. Gols com dimensões menores já ajudariam. O futebol das mulheres é carente de goleiras da mesma forma desesperada que o futebol dos homens precisa de meias criativos. A diferença é que, entre os homens, só nos resta torcer. A Copa do Mundo das mulheres tem mostrado falhas de goleiras que são incompatíveis com o nível que o jogo atingiu.



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