CAMISA 12



(Publicada ontem, no Lance!)

A DIFERENÇA VOLTOU

Escrevo antes de Corinthians x Vasco, portanto não sei como foi a reestreia de Juninho Pernambucano pelo campeão da Copa do Brasil. Não sei e não importa saber, porque um jogo, ou parte, têm pouco significado diante de seu retorno aos nossos gramados.

Na primeira vez que conversei com Juninho, ele já era jogador do Lyon. Foi em 2001. Cobrindo um torneio de tênis na cidade, aproveitamos a chance de entrevistá-lo. No carro, no caminho do centro até sua casa, lembro de uma frase, repetida algumas vezes durante o papo: “com essa diretoria, eu não volto”.

O trajeto do centro de Lyon até um condomínio de casas em Limonest, de uns dez quilômetros, passou enquanto Juninho relatou os problemas que o levaram a buscar na Justiça o direito de deixar o Vasco. A saída traumática, ainda mais por ser um jogador multicampeão pelo clube, o incomodou. Ele tinha acabado de chegar à Europa, queria construir seu caminho na França, mas parecia saber que o Vasco estaria em algum lugar do futuro. Desde que as coisas mudassem na Colina. “Com essa diretoria…”.

A casa ficava num bosque, nas montanhas. Tinha paredes envidraçadas que convidavam a uma vista deslumbrante da região do Rhône. Com uma de suas filhas no colo, ainda bebê (suponho que seja a mesma que ele carregou nos ombros na festa de seu retorno a São Januário, em 11 de junho), Juninho falou sobre suas ambições no Lyon.

Ele jamais poderia imaginar tanto sucesso. Seu nome está escrito nos sete títulos consecutivos que o clube conquistou entre 2001 e 2008. Troféus marcados por seu futebol elegante e suas traiçoeiras cobranças de faltas.

Juninho é um jogador de futebol diferente, não só por suas qualidades em campo. Desafiou o cartolão vascaíno, aquele de triste memória, ao se recusar a dar a volta olímpica na tarde em que o alambrado de São Januário cedeu. Deu entrevistas durante a patética “lei da mordaça” imposta pela mesma figura. E chorou ao ouvir o hino nacional antes do jogo contra a França, na Copa de 2006.

O Vasco mudou, Juninho voltou. Que bom.

INCOMUM

Se aos 36 anos, Juninho conseguir ser 70% do jogador que o vascaíno conheceu entre 1995 e 2001, o Vasco estará muito bem servido. E o contrato com prêmios por metas alcançadas e salário simbólico (R$ 600,00 – não faltam zeros), além de facilitar as coisas, revela a postura do meia. Juninho poderia exigir um dos maiores salários do clube, investir numa contratação sentimental. Já aconteceu muitas vezes. O Vasco provavelmente toparia.

BIRRA

Bastou um 0 x 0 com a Venezuela para o “eles não são tudo o que falam” ser disparado na direção de Ganso e Neymar. Como se “tudo o que falam” fosse culpa deles. É curioso o que se passa com parte da opinião pública. Quem recebe elogios “da imprensa” imediatamente ganha a antipatia dos que não concordam. E passa a ser produto de marketing. Como se o marketing que se cria em torno de jogadores talentosos também fosse culpa deles.



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