COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

CARONA

Na quinta-feira passada, dia seguinte ao tri do Santos na Copa Libertadores, vários anúncios comemorativos apareceram nas páginas esportivas dos jornais. Mensagens pagas de patrocinadores e parceiros, associando-se ao momento histórico.

Um deles chamou especial atenção. Trazia a foto do ex-presidente santista Marcelo Teixeira, ao lado de uma garrava de vinho com o distintivo do clube no rótulo. Um texto curto, em português mal empregado, fazia a relação entre boas uvas, bons vinhos, boa base, bons times e títulos. Na parte de cima do anúncio, pequenas fotos de jogadores produzidos no Santos. Especialmente, claro, Ganso e Neymar.

A peça publicitária se apresentou ao leitor como uma homenagem de torcedores ao dirigente, uma evidente tentativa de parabenizá-lo pela conquista.

Um fato: Marcelo Teixeira foi o presidente do Santos que contratou e investiu em Neymar, quando o astro era um pré-adolescente que povoava a imaginação dos torcedores. O percentual de participação do ex-cartola numa noite como a da última quarta-feira é uma questão de opinião. É mais ou menos como calcular o mérito do primeiro patrocinador de um tenista que, anos depois, prova-se um campeão. Entre um momento e outro, a distância é longa.

Principalmente porque Neymar poderia ter saído do Santos há coisa de um ano, rumo ao futebol inglês. O Chelsea tinha a transferência bancária de 35 milhões de euros a um clique no mouse. Só não aconteceu porque Neymar não quis ir. Porque a atual diretoria lhe mostrou uma alternativa. Se a questão aqui é identificar uma decisão diretamente relacionada à terceira estrela da Libertadores, ela aconteceu em agosto do ano passado. E foi uma decisão muito mais complicada, muito mais exigente, do que contratar uma promessa.

Marcelo Teixeira também era o presidente do Santos na época da penúltima versão dos “meninos da Vila”, simbolizada por Diego e Robinho. Sobre aquele time (campeão brasileiro em 2002 e 2004, vice da Libertadores em 2003), lamenta-se o fato de ter durado pouco. Diego, Elano, Alex e Renato foram embora em 2004. Léo e Robinho, no ano seguinte. Se pode-se dizer que Teixeira os revelou, deve-se dizer que ele os negociou.

O futebol de um país exportador de jogadores só atingirá seu verdadeiro potencial quando inverter a mão de direção. Para isso, a manutenção de ídolos (ou candidatos a) em nossos gramados é crucial. Que seja por um ano, ou por seis meses. No cenário atual, não vender é muito, muito mais difícil do que vender pelo preço certo. O plano elaborado para convencer Neymar a não ir para o aeroporto talvez seja o ponto mais alto da gestão de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro. Mesmo que você pense que o Santos seria campeão da América sem ele.

Clubes de futebol servem para uma coisa: ganhar títulos, mantendo-se no limite da insolvência. O dinheiro gerado deve ser reinvestido no time, para que seja mais forte, mais vencedor e mais valioso. Há jogadores que valem qualquer esforço, como a operação para manter Neymar provou.



  • Roberto Carlos

    André
    Se é verdade que presidentes de clubes brasileiros não tem salário, porque será que apesar da grande maioria estarem endividados nunca temos noticia que um clube seja grande ou pequeno irá fechar por que ninguem quer ser presidente?
    Abraços
    Roberto Carlos

  • Marcos Vinícius

    Acho que o maior mérito do Santos não foi manter Neymar,mas conseguir que em campo o menino deixasse de ser menino.O amadurecimento de rapaz,em campo,é nítido.

  • Allejo

    Perfeito André !

  • Mauricio Branzani

    Andre, boa tarde! O que a memória seletiva do sr. Teixeira esquece de mencionar é que foi ele quem “fatiou” não só Ganso e Neymar como outras promessas do Santos à época. Tá certo que Marcelo Teixeira contribuiu muito com o atual estágio do clube, construindo o CT e hotel, o CT Meninos da Vila e outros feitos, mas ele foi ele quem abriu as portas do clube para piratas da DIS. Abraços!

  • Luiz Fernando Correa Melli

    André, seu comentário é perfeoto. Time de futebol não visa lucro, porém, tem que ter as contas equilibradas. Como você disse, no limite da insolvência. E títulos geram maiores patrocínios e cotas de televisão. Com isso você consegue mater os melhores jogadores. E ter uma boa base para revelar talentos é imprescindível. É uma equação bastante simples para bons entendedores e administradores.
    Abraços

  • Leandro Azevedo

    A unica observacao a ser feita nas duas decisoes (manter Neymar e vender o time do inicio dos anos 2000) e sobre o fortalecimento do real e uma facilidade maior dos clubes brasileiros de conseguir criar um plano mais atrativo para os “craques” de hoje. Isso claro nao quer dizer que o M. Teixeira teria feito isso ou que o LAOR teria agido diferente em outra epoca, mas acho que eh um ponto a ser analisado nessa situacao.

    Abraco

  • Edward Fernandes

    Concordo André.

    Porém entendo que o mesmo esforço deveria ser feito para manter o Ganso (para mim melhor que o Neymar). Outros jogadores como André, (alguns jogadores deveriam repensar a necessidade de ir para o exterior para fazer o pé de meia) mereciam maior esforço para serem mantidos. Não que o time não exista sem estes jogadores porém não se libera um craque sem perspectiva de outro para substituí-lo.

    Abraços

    Edward

  • Robert

    já existe articulação politica pelo impeachment de sergio cabral:
    http://www.tribunadaimprensa.com.br/?p=20216

    Estão certissimos!

    qual o legado das olimpiadas 2004 para a grécia?
    dividas?

    qual o legado da copa 2010 p/ soweto/africa do sul?
    pobreza e injustiça social?

    não sejamos ingenuos
    nao temos esse direito pois vivemos em um pais onde a educação publica é miserável

  • Alexandre

    Não dá para negar que o LAOR e o Neymar tenham sido visionários ao rejeitarem a transferência para o Chelsea.
    São muito poucos os que têm a coragem de fugir do óbvio, aceitando todos os riscos inerentes às grandes decisões.
    Mesmo com o time atual completo, o Santos não tem grande chance de bater o Barcelona, mas se o Neymar e o Ganso aceitarem correr o risco e a vitória porventura vier, o céu é o limite para estes garotos…

  • Mariano V. Menendez

    André, você parece-me equivocado em suas informações. O Santos FC permaneceu com Neymar graças a um excelente contrato feito na gestão de Marcelo Teixeira. Por este motivo o atual presidente teve condições de ter tempo de convencer o menino gênio a ficar no Brasil. E quando você fala que Diego, Robinho e Elano foram vendidos precocemente, não se esqueça que o Diego ficou no profissional de 2001 a 2004. Elano e Robinho de 2001 e 2005. Não tem clube no Brasil que tenha segurado craques por tanto tempo. Me revolta a sua visão partidária, nitidamente defendendo o atual presidente quando você insinua que o Marcelo Teixeira está querendo se aparecer com os anúncios nos jornais. Meu caro, você é um jovem jornalista e não um velho como eu, sabe que não se constrói um time forte da noite para o dia. Luiz Alvaro Ribeiro deu continuidade no trabalho que já tinha uma base. CT Rei Pelé de primeiro mundo e Paulo Henrique Ganso, Edu Dracena, Neymar, Rafael, André, Wesley, Adriano e outros no elenco. Ele pegou um time forte e fez o trabalho. Veja o Corinthians como logo correu para ter uma estrutura forte também. Se Luiz Alvaro Ribeiro entrasse no Santos FC em 2000, com CT em péssimas condições e menos de 15 jogadores no elenco profissional ele teria sofrido para colocar tudo em ordem. DA forma que ele assumiu o clube foi muito mais tranquilo chegar ao título da Libertadores. Hoje somos TRI campeões graças a Marcelo Teixeira e Luiz Alvaro Ribeiro. Graças ao trabalho de ambos os presidentes.

    AK: Lamento que você se revolte ao se deparar com uma opinião diferente da sua. E é engraçado incluir o ano de 2001 ao falar de Diego, Robinho e cia, quando ninguém sabia quem eram eles. Insisto: a operação para não negociar Neymar é muito mais importante do que o primeiro contrato oferecido a ele. Esse fato independe de correntes políticas dentro do Santos, com as quais não tenho nada a ver. Um abraço.

  • Leonardo

    Mariano esta certissimo. Robinho e Elano ficaram no clube por muito tempo. Fato raro ha seis anos. Que clube em 2004 segurava suas revelacoes? Que jogador do nivel de Robinho ficou 3 anos no Brasil?

    AK: Em que momento esses jogadores foram assediados como Neymar foi, e o Santos se preparou para segurá-los?

  • Leonardo

    Não sei nada sobre assédio a Neymar ou qualquer outro jogador.
    Não sou empresário, jogador ou jornalista. Não sei nada sobre a vida política do Santos. Aliás nem santista sou.
    Gostaria que Neymar e Paulo Henrique Ganso jogassem muitos anos no Brasil, gosto muito do futebol de ambos.

    Vou repetir minhas perguntas caso não tenha entendido. Não tenho resposta para a sua.  

    Que clube em 2004 segurava suas revelacoes? Que jogador do nivel de Robinho ficou 3 anos no Brasil?

    AK: Não lê jornal? Não vê TV? Não ouve rádio? O assédio a Neymar tem sido muito bem documentado nos últimos meses. Sobre Robinho, se Marcelo Teixeira agiu como outros dirigentes faziam à época, o que o torna diferente?

  • Leonardo

    Que clube em 2004 segurava suas revelacoes?
    Que jogador do nivel de Robinho ficou 3 anos no Brasil?

    Gostaria de saber isso, só curiosidade.

    Acho que você ainda não tomou seu remédio hoje!

    AK: Ronaldinho Gaúcho serve? É, ou era, superior a Robinho, e foi negociado (também prematuramente, diga-se) antes. Ficou no Grêmio de 1998 a 2001. Poucas coisas me divertem tanto quanto gente metida a besta. Um abraço.

  • Leonardo

    Que clube em 2004 segurava suas revelacoes? Não sei que parte da pergunta você não entendeu.

    Não, Ronaldinho Gaúcho não serve. Sua saída foi completamente diferente da saída do Robinho. E foi 3 ou 4 anos antes.

    “O desempenho de Robinho nos últimos três anos vinha atraindo a atenção dos maiores clubes da Europa, como Real Madrid, Chelsea, Milan, Bayern Munique e esteve a um passo de assinar pelo Benfica, não fosse o seqüestro de sua mãe.” Wikipédia

    Quem aqui, é metido a besta? Não entendi sua raiva ou ironia.
    Talvez diminuindo a dose do remédio…

    AK: “Não, Ronaldinho Gaúcho não serve. Sua saída foi completamente diferente da saída do Robinho. E foi 3 ou 4 anos antes.”

    Que maravilha de argumento!

    Ok, me enganei. O metido a besta não é você. É o metido a tolo.

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