CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

UMA AMOSTRA DO FUTURO

Já falei aqui sobre Simon Kuper. Jornalista britânico, coautor de “Soccernomics”, livro obrigatório. Kuper escreve sobre futebol no Financial Times. Sim, futebol, no Financial Times. Na semana passada, ele publicou um artigo no famoso jornal de negócios sobre o uso avançado de estatísticas no futebol.

O texto, intitulado “Uma Revolução no Futebol”, revela que mais e mais clubes europeus estão investindo dinheiro e pessoas na análise de dados, com o objetivo de montar times mais “inteligentes”. A revolução está na descoberta dos números que realmente importam.

Há anos, clubes monitoram quantos quilômetros um jogador corre durante uma partida, quantos passes acerta, quantos desarmes faz. Atletas são julgados conforme essas valências. Cérebros mais treinados, a serviço de clubes da elite europeia, tentaram estabelecer uma relação direta entre esses dados e vitórias. Não conseguiram.

Erros foram cometidos no caminho. O zagueiro Jaap Stam, por exemplo, foi negociado pelo Manchester United com a Lazio, em 2001, por causa de estatísticas. Sir Alex Ferguson observou uma queda nos desarmes e concluiu que Stam, aos 29 anos, estava em declínio. Engano, o menor número de desarmes era fruto de um melhor posicionamento (Paolo Maldini fazia um desarme a cada dois jogos), e Stam ainda teve um bom período na Itália.

Os números valiosos já foram encontrados. O problema é que muitos são, obviamente, secretos. Mas uma fonte do Milan contou a Kuper que há uma clara relação entre piques e vitórias. Jogadores capazes de atingir altas velocidades em poucos segundos e, principalmente, repetir o sprint após um breve descanso (Messi qualifica?) serão mais valorizados.

Outra conclusão: times com percentual alto de acerto de passes no último terço do campo vencem mais. Por isso, também, o Manchester City contratou Carlos Tévez e David Silva.

Já há gente trabalhando numa nova estatística que avalia como as ações de um jogador, em toda sua carreira, aumentam ou diminuem a chance de seu time marcar um gol. A ideia é chegar a um número que significará quantos gols um determinado jogador “vale”.

Pode demorar, mas nossa forma de ver futebol vai mudar.

BUSCA

A quantidade de informações disponíveis hoje é tamanha que jogadores podem ser escolhidos por computador. Imagine que você quer alguém para o meio de campo que tenha índice de acerto de passes superior a 75% e uma quantidade X de jogos de Premier League na carreira. Cesc Fàbregas e Steven Gerrard aparecerão na tela, sem nenhuma surpresa. Mas um cara chamado Kevin Nolan, também. Ele joga no West Ham e deve custar bem menos.

COMPRE BEM

Quem acha que o futebol é um jogo fluido demais para ser “medido”, deve lembrar que um terço de todos os gols é produto de jogadas de bola parada. Escanteios, faltas, pênaltis e laterais arremessados para a área. Lances que podem ser isolados e analisados individualmente. Times que prestam atenção nesse aspecto podem suavizar problemas ofensivos aumentando a efetividade de jogadas ensaiadas. Com os jogadores certos.



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