SANTOS!!!



O reencontro entre o Santos e a Copa Libertadores, após 48 anos, tem a impressão digital de muita gente.

Mas será lembrado principalmente por dois nomes. Dois jogadores fora de série, dois craques com gigantescas possibilidades de marcar época, como fizeram os grandes da História.

Se você tem um cara chamado Paulo Henrique Ganso em seu time, você tem alguém que pega o nada e transforma em tudo. Com a simplicidade de quem é superior, de quem está longe dos outros.

PHG me lembra Zidane. Tem bola para se aproximar do gênio francês, quem sabe até ultrapassá-lo. Será muito bom acompanhar sua trajetória.

Se você tem um cara chamado Neymar em seu time, você tem um atacante letal no mano a mano, um driblador serial, um finalizador raro.

Aí está – na finalização – o que o diferencia. Neymar é um especialista em gols (e acaba de marcar mais um num jogo decisivo).

Até quando não faz. Poucos jogadores no mundo são capazes de dar o toque na saída do goleiro, aquele que bateu na trave.

E se você tem esses dois caras em seu time, você tem uma criatura extraterrestre, um monstro de duas cabeças. Uma pensa, a outra age.

Uma pena não saber por quanto tempo eles continuarão juntos. O consolo (sei que isso importa pouco para quem torce para o Santos) é a Seleção Brasileira.

Parabéns ao Santos e aos santistas. Linda festa no Pacaembu.

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Apenas um comentário sobre a cafajestagem depois do jogo: não interessa quem começou, ou por quê.

Quando a coisa chega ao estágio do baile funk (o recomeço da briga, perto do gol, após uma voadora de um jogador uruguaio, foi aterrorizador), tudo se perdeu.

E como se não bastassem as horrorosas “cerimônias” de premiação que vemos – na verdade, não vemos coisa alguma – na América do Sul, a pancadaria ajudou a compor uma cena vergonhosa.

Os jogadores do Peñarol tiveram sorte. A Polícia Militar foi profissional no meio da confusão. Em outros lugares, os policiais teriam ido sem dó para cima do time visitante.

ATUALIZAÇÃO: Quando escrevi a nota acima, as origens da briga não estavam esclarecidas. Ao dizer que “não interessa quem começou…”, me referia a qual time, qual jogador.

Obviamente, a partir do momento em que se descobre que a confusão começou por causa da presença de alguém que não deveria estar ali, quem começou interessa, sim. E muito.

Que várzea.

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O jornal me pediu para escrever o texto do pôster do Santos campeão da América, que está nas bancas.

Obviamente, essas coisas são feitas antes do jogo. Ou não são feitas.

Aí vai:

A TAÇA ESTÁ FELIZ

A história remete à frase de Jackie Stewart, o lendário piloto escocês que disse “deve ser a água que eles bebem” para explicar o sucesso dos brasileiros no automobilismo. A diferença é que, há tempos, não causamos mais tanto espanto nas pistas.

Mas o Santos… bem, o Santos continua instigando a curiosidade de quem gosta de futebol, independentemente de preferências clubísticas. Sério: como explicar que Ganso e Neymar tenham surgido no mesmo lugar de Diego e Robinho, que vem a ser o mesmo lugar em que surgiram – respire fundo – Pelé e Coutinho?

Não, é evidente que aqui não se pretende comparar nomes, carreiras ou grandezas. Mas não há como negar as relações entre duplas emblemáticas, cada uma a seu modo, na história do Santos e do futebol brasileiro.

Especialmente porque PHG e Neymar repetiram o que Pelé e Coutinho fizeram em 1963. O que Diego e Robinho quase conseguiram fazer em 2003. Não deixa de ser interessante que Robinho tenha jogado no time que possibilitou a terceira estrela da Copa Libertadores – o time campeão da Copa do Brasil do ano passado.

E o que dizer de Elano e Léo, que amargaram a derrota para o Boca Juniors em pleno Morumbi e voltaram para levantar a mesma taça, no Pacaembu, oito anos depois?

O Santos sabia que seria campeão. Tratou a fase de grupos com certa displicência, trocou de técnico duas vezes. Pouca gente se lembrará de que era Adílson Batista o treinador na estréia, um 0 x 0 com o Deportivo Táchira, na Venezuela.

Marcelo Martelotte fez a ponte para Muricy Ramalho, que, logo em seu primeiro jogo na competição, tinha a obrigação de vencer o Cerro Porteño. Quem diz que Ganso teve participação discreta no título certamente não viu aquele jogo, no Paraguai. Não fosse a atuação dele, você não estaria com este pôster nas mãos.

E quem pode dizer o que aconteceria se Neymar não mostrasse sinais de evidente amadurecimento, como na vitória sobre o Once Caldas, na partida de ida das quartas de final? PHG estava machucado e o jovem astro chamou o jogo, como se dissesse aos companheiros: “estou aqui, me entreguem a bola”. Foi dele o passe para o gol de Alan Patrick.

Quase meio século de espera também não teria chegado ao final se o Santos não tivesse se tornado uma equipe segura na defesa. Contribuição de Muricy Ramalho ao decantado “DNA ofensivo” do time, prova de que não se chega a lugar algum sem equilíbrio. Finalmente abraçado ao troféu que teimava em frustrá-lo, Muricy deve estar se sentindo consagrado. E com razão.

A juventude de Rafael, a experiência de Edu Dracena, a força de Durval, a raça de Pará, a versatilidade de Arouca, o vigor de Adriano, a disposição de Danilo, o talento de Alan Patrick, a energia de Zé Eduardo. Tudo conspirou para corrigir um erro que já durava tempo demais.

A Libertadores estava morrendo de saudade do Santos.



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