CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

FASE DE CRESCIMENTO

Um dos traços mais visíveis do período de Dunga como técnico da Seleção Brasileira era o ambiente. Num time que se reúne a cada dois meses, e por poucos dias, Dunga conseguiu o que parece inalcançável: um vestiário de clube.

Depois da Copa de 2006, que a CBF considerou uma exibição de descompromisso com a camisa amarela, Dunga chegou ao comando para consertar a relação. A Seleção Brasileira deveria ser prioridade na carreira dos jogadores, condição para fazer parte do novo grupo. Mensagem de transmissão simples, ainda mais para quem tem no currículo o histórico de serviços de Dunga.

O time que se formou nos três anos anteriores à Copa da África do Sul foi além. Não só gostava de estar na Seleção como gostava de estar junto. Jogadores ficavam aborrecidos quando se machucavam ou eram suspensos durante as Eliminatórias. Lamentavam perder o jogo seguinte. Quando o time se reunia, os ausentes recebiam ligações da concentração, sentiam-se próximos dos companheiros. Não foram raros os casos de convocados que se apresentaram com lesões que impediam que jogassem. Era importante estar ali, durante aqueles três ou quatro dias.

O ambiente entre os jogadores que iriam ao Mundial de 2010 foi mencionado, de forma espontânea, em conversas que mantive com vários deles. O desejo de estar na África do Sul, também. Lembrança que me faz olhar para o episódio com o lateral Marcelo (relatado por Mano Menezes ao SporTV) sem relacioná-lo à diminuição da importância das seleções nacionais e/ou da Copa do Mundo.

Marcelo tem só 23 anos. Ainda inicia uma carreira que pode ser longa e brilhante. É pouco provável que esteja farto da Seleção Brasileira ou que tenha decidido rejeitá-la, situações em que, diga-se, estaria em seu pleno direito. Parece claro que surgiu um problema em alguma convocação que ele atendeu.

A forma escolhida para tratar da questão – alegar uma lesão para poder voltar ao clube – é que não foi inteligente. Qualquer treinador, ao saber, teria fechado a porta. É uma questão de gerenciamento de grupo.

Há muitas e importantes diferenças entre Dunga e Mano Menezes. Mas quando o assunto é o tal comprometimento, o que Mano busca é exatamente o que Dunga conseguiu.

TOPO

É lógico que, em quedas de braço entre clubes e seleções, jogadores tendem para o lado de quem os paga. Mas esse não foi o caso com Marcelo. Quando penso em jogadores que optaram por não jogar na Seleção Brasileira, apenas o lateral-esquerdo Serginho (São Paulo e Milan) me vem à cabeça. As seleções podem ter perdido espaço no coração dos torcedores, mas não nos planos dos jogadores. Continuam sendo um objetivo.

CONHECE?

E a saga do título brasileiro de 1987 se recusa a terminar. Agora, a Justiça Federal determinou que a CBF desconheça o Flamengo como co-campeão (situação que a confederação inventou, por pura politicagem). Mas, como cabe recurso, é possível que o que se desconhece hoje seja reconhecido amanhã. O que não se conhece é alguém que dê importância a esse rolo sem fim. Como se a opinião das pessoas mudasse a cada despacho.



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