NOTA PÓS-METADE DA FINAL



Foi muito bom ver um jogo decisivo, com as implicações que uma final de Copa Libertadores tem, disputado com lealdade em todos os aspectos.

Jogo duro, pesado, disputado em alta temperatura, como deve ser. Características históricas do futebol sul-americano.

Não há nada de errado em mantê-las, ao contrário. O que não se pode aceitar é vista grossa com violência fora do campo, intimidação da arbitragem e outras bobagens que ainda acontecem.

Felizmente não houve nada disso ontem (Peñarol 0 x 0 Santos) no Centenário.

O estádio uruguaio, como se estivesse agradecido por ser parte, novamente, de uma noite tão importante, criou um ambiente espetacular para um jogo que poderia ser épico.

Não chegou a tanto. Mas foi muito bom de ver.

Me pareceu que a experiência de Edu Dracena e Léo, desfalques, teria sido útil ao Santos, no sentido de evitar os riscos que o time correu principalmente no primeiro tempo.

Mas achei correta a postura do time, fiel às suas qualidades.

Um momento crucial do jogo foi a anulação do gol de Alonso para o Peñarol, aos 40 minutos do segundo tempo.

Alonso estava impedido, o auxiliar foi bem na marcação. Mas se ele tivesse corrido para o meio do campo, não seria o primeiro gol irregular, decisivo, validado para o time mandante na história da Libertadores.

Entraria na estatística como “mais um”, mesmo com o potencial para decidir a competição.

Ainda bem que o que se comenta hoje é um acerto da arbitragem.

Obviamente, é preciso falar de Neymar. Não é exagero dizer que o jogo de ontem foi o mais importante da carreira dele. Por várias circunstâncias, o desempenho do jovem astro santista ficou abaixo do esperado.

Não duvido das ameaças do árbitro Carlos Amarilla após a interpretação errada da jogada em que Neymar levou amarelo. Ali, houve contato (e deve ter doído).

O problema é a fama de cai-cai, merecida, que contagia árbitros e torcidas adversárias. Ambiente que é muito prejudicial ao próprio Neymar.

Que seja mais uma etapa de aprendizado.

Logo que surgiu no time profissional do Santos, Neymar jogou a final do Campeonato Paulista de 2009. Desapareceu nos primeiros minutos, após ser agressivamente intimidado pelo volante corintiano Cristian.

Pouco tempo depois, já era inútil tentar tirá-lo do jogo usando o mesmo expediente. Neymar tinha perdido o medo.

Em sua primeira Libertadores, ele já deve ter se dado conta das características da arbitragem. Simplesmente não se marca um tipo de falta tão comum no futebol brasileiro, a chamada “faltinha”.

E jogador mergulhador não se cria.

O 0 x 0 foi bom para o Santos. É um placar que não permite nenhum tipo de desconcentração para a finalíssima. Não há jogador santista que, mesmo nas profundezas do inconsciente, esteja pensando que já acabou.

Mas está perto.



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