CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

NOVE, DEZ…

Agora que o 9 se despediu oficialmente da camisa que melhor o define, é hora de contemplar nossa orfandade. A seleção do país do jogador de futebol não tem apenas uma lacuna no ataque. Somos carentes, e há mais tempo, no meio do campo.

Desde quando a Seleção Brasileira não tem um camisa 10? Não falo de alguém que mereça vestir a camisa, pois não falta. Falo de alguém que a vista com a liturgia que ela merece. Não é uma questão de talento, mas de estilo. E já respondo: desde Zico. Depois do gênio, o futebol brasileiro não produziu outro semelhante, já que igual não haverá.

Você está pensando em Rivaldo, em Ronaldinho Gaúcho, em Kaká. Eles foram os 10 das últimas três Copas. Três craques reverenciados, nada errado com o número que carregaram nas costas. Mas algum deles era/é um meia-armador clássico? Não.

A bem da verdade, a Seleção não lamenta sozinha. O jogador que habita essencialmente a metade do campo, que pensa, que dita o ritmo, que levanta a cabeça e transforma o que está à sua volta, é artigo raro no mercado. Não é exagero dizer que o último foi visto dando uma cabeçada num adversário, em plena final de Copa do Mundo. Existem genéricos de ótima qualidade, mas não como Zidane.

Quando a conversa chega à posição de centro-avante, Ronaldo não tem um sucessor. A linha de produção que, só para ficar nas décadas recentes, nos trouxe Reinaldo, Careca, Romário e o Fenômeno, parou. Luis Fabiano se portou muito bem durante os anos pré-África do Sul, mas não brilhou na Copa. Na renovação que se faz pensando em 2014, não há um nome no qual se aposte.

De novo, não é um problema exclusivamente verde e amarelo. O 9 da seleção campeã do mundo é Fernando Torres, jogador mais caro do futebol mais rico do planeta. Torres jogaria na Seleção Brasileira?

O cenário é intrigante. Os dois melhores meias do mundo são espanhóis. O melhor atacante do mundo é argentino de nascimento, catalão de formação. A mais prolífica fábrica de jogadores do mundo já anunciou seus últimos lançamentos: PHG, este sim um 10 clássico, e Neymar, que não é um 9. Pato pode ser. Será?

Eles estarão na vitrine, na Copa América.

COMEÇO E FIM

Ronaldo merecia muito, muito mais do que recebeu anteontem no Pacaembu. Se alguém exibir o intervalo do jogo a um marciano, ele jamais dirá que se trata da despedida do mais importante jogador brasileiro de futebol pós-Era Pelé. Nos 15 minutos finais, há quem pense que faltou o gol. Não faltou. O último gol de Ronaldo aconteceu no ano passado, contra o Cruzeiro, onde tudo começou há 18 anos. Fim de um ciclo. Melhor assim.

HORA ERRADA

A Seleção Brasileira obviamente não tem jogado bem, seja contra adversários renomados ou não. Mas erra quem compara o início de trabalho de Mano Menezes com o de Dunga. E quem procura motivos para aplaudir amistosos sem treino. Quando o brilho individual não aparece, há pouco para admirar. Como avaliar um time que não disputou nada? O momento para isso virá após a Copa América, quando trabalho e resultado se confrontarão.



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