CAMISA 12



O Lance! passou por uma reforma editorial e a Camisa 12 tem novo formato. O texto principal ficou um pouco menor, e as notas dobraram de tamanho. A partir de hoje, publicarei também as notas.

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(Publicada ontem, no Lance!)

GRAVATA BORBOLETA

É justo que eu não possa escrever sobre a final da Liga dos Campeões, só porque o jogo foi no sábado e hoje é quinta-feira? Não, não é. Mesmo porque deixei um assunto encaminhado na coluna da contracapa no dia da decisão, sobre a experiência de conhecer Wembley. Lamento, preciso voltar ao tema.

Partindo do princípio de que só conhecemos um estádio quando o visitamos num dia de jogo, o novo Wembley é assustador. Tem a roupa das arenas modernas, mas a alma dos templos do futebol. Você vê a aglomeração do lado de fora e não percebe nada diferente. Entra, olha aquele lugar cheio de gente e demora um pouco até recuperar os sentidos. É imediata a sensação de estar num local sagrado.

Não é a antiga catedral do futebol, erguida em 1923 e demolida oitenta anos depois. Não são as mesmas paredes, as mesmas cadeiras, o mesmo campo. Mas é o mesmo simbolismo, a mesma linhagem. É como se o atual prédio fosse um monarca recém-coroado. A nobreza está lá. Para quem vê o futebol de forma romântica, como eu, o desgosto pelo desaparecimento do velho Wembley permanece. Mas é preciso saber apreciar o que existe. E o que existe, nesse caso, é de tirar o fôlego.

Evidente que o jogo ajudou muito. Decisão de Champions League é o top do top, o jogo de futebol que você quer ver se só puder escolher um. Em Wembley, um palco feito sob medida para grandes momentos, o ambiente ganhou a fleuma característica dos ingleses. A imagem da taça entrando em campo, carregada pelos famosos Guardas da Rainha, diz tudo. Final de Liga dos Campeões tem todo ano. Final de Liga dos Campeões em Wembley é outra conversa.

E acho que ainda precisamos de um tempo para entender completamente o que vimos. Quando foi a última vez que, num jogo desse nível, um dos times reconheceu sua inferioridade e, a 15 minutos do fim, disse “ok, para mim já deu”? Foi o que o Manchester United (veja de quem estamos falando) fez. A distância para o Barcelona era tamanha que o jogo nem chegou ao estágio da deslealdade, subproduto da frustração. Os ingleses capitularam, com classe.

Isso é o que o Barcelona é capaz de fazer com os outros. Todos os outros.

CHARADA

Boa conversa com Mano Menezes e Milton Leite, no avião. O técnico da Seleção Brasileira falou sobre o drama de um treinador que sabe que seu time é inferior ao adversário. Negar o fato é encomendar o desastre. É preciso assumir essa condição, deixar isso claro aos jogadores, mas evitar que o time entre em campo se sentindo derrotado. Esse é o dilema que o time catalão apresenta a quem pensa em vencê-lo. Hoje, só com mágica.

TRISTEZA

O estádio mais belo que conheço é o Olímpico de Berlim. Um monumento onde se joga futebol. Uma obra de arte da década de 1930, modernizada para a Copa do Mundo de 2006 sem que sua essência fosse violada. Uma aula de preservação da História e respeito pela modernidade. A Fifa, esse bizarro circo que hoje está exposto ao mundo, quis que os alemães fizessem com o Olímpico o que nós estamos fazendo com o Maracanã. Eles disseram não.



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