CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

MEMÓRIAS DO CÁRCERE

Para jogadores acostumados a dormir em suas casas antes de um jogo de futebol, a final da Liga dos Campeões da Uefa impôs uma mudança de hábito.

O Barcelona não gosta de concentrações. Em casa, os jogadores se apresentam no Camp Nou horas antes do jogo. Fora, dependendo da distância, o time viaja no mesmo dia da partida.

Mas antes da decisão europeia, os catalães dormirão quatro noites seguidas em quartos de hotéis. Culpa do vulcão islandês Grimsvotn, que os obrigou a viajar para Londres 48 horas mais cedo do que planejavam.

O diretor esportivo do Barcelona, o ex-goleiro Andoni Zubizarreta, disse que não espera problemas causados pela reclusão incomum, porque as condições encontradas em Londres são as melhores possíveis. A delegação está hospedada num exclusivo clube de golfe no norte da cidade, próximo do CT do Arsenal, onde escolheu trabalhar. É a mesma combinação de hospedagem e treinamento utilizada pela seleção inglesa, quando joga em Wembley.

Mas como o clube já tinha reservado vários apartamentos num outro hotel londrino, em Chelsea, terá de se mudar hoje à noite. Mais um movimento diferente, em dias decisivos, para um time habituado à calmaria.

O Barcelona pretendia ficar em casa até hoje, voar para Londres no final do dia e fazer apenas um treino, o protocolar em Wembley, na véspera da final. Um vulcão islandês ficou de mau humor e foi necessário driblá-lo. O combo avião para a França + trem (ou talvez ônibus + trem) seria cruel, muito mais danoso do que a concentração.

Somos capazes de imaginar o que aconteceria com um time habituado a se concentrar e que de repente se vê presenteado com a liberdade. Alguns não saberiam o que fazer, surpreendidos pela novidade. Outros, naturalmente, se lambuzariam. O que não sabemos é como quem é livre lidará com a clausura. O Barcelona, que no ano passado sofreu com 14 horas de estrada para Milão, por causa de outro vulcão islandês, preferiu pagar para ver.

O debate sobre a necessidade da concentração é antigo. Parece claro que times especiais não precisam dela. Veremos se o Barcelona será o mesmo, apesar dela.



  • Leandro Azevedo

    Acho que nesse caso uma diferenca faz toda a diferenca: a imposicao de uma concentracao vs a concentracao por necessidade.

    Caso o treinador do Barca seja outro apos a UCL, como o Cruyff mesmo sugeriu hoje, e a mudanca aconteca por vontade do novo treinador, ai sim acho que o elenco pode vir a sofrer e ate “se rebelar”… mas uma mudanca, para “facilitar” a vida dos atletas TEM que ser vista com bons olhos.

    E tb os jogadores nao estao sofrendo por ficar em Hotel 5 estrelas com o maior conforto possivel… e em vespera de decisao, com certeza nao terao problemas em se adaptar a uma rotina de um enclausuramento luxuoso.

    Abraco

  • Leandro Azevedo

    *um detalhe faz toda a diferenca

  • Felipe Alvim

    Claro que a rotina dos jogadores do Barcelona é diferente. Pelo menos no quesito concentração, pelo que foi explicado por vc, André!
    Mas não creio que dois dias a mais num hotel luxuoso farão alguma diferença.
    Temos de lembrar que eles são jogadores de futebol e o hotel faz parte da vida deles há muito tempo.
    Isso é totalmente diferente de 14 horas em um ônibus!
    Pra mim da Barça, 2X1 de virada!
    Abraços

  • Alberto

    Boa tarde.
    Caro André,
    estou assistndo o programa “Diz que fui por aí”, na ESPN Brasil, neste momento e pude notar que você não é nenhum pouco familiar com a Língua Espanhola. Assim como anos atrás, pude reparar que também não possui familiaridade alguma com a Língua Inglesa, em sua participação na cobertura do Super Bowl. Acho curioso isso…afinal para cobrir eventos como este, ao meu ver, é necessário que se fale as duas línguas acima citadas.

    Saudações.

    AK: http://bit.ly/lvtA8p
    Um abraço.

  • Na minha opinião, nenhum time precisa de concentração. Esse expediente só serve pra infantilizar os jogadores.

    Abraços e boa cobertura!

  • jose carlos

    André,se vc quiser pode por esta pergunta na cx postal ou nem publicar
    se for curiosidade demais rsrsr….
    mas olhando o blog do juca hj,todo orgulhoso da foto do Daniel no NYT de hj,
    notei que falta o link do site do DKfouri nos seu indicados,ou o lancenet não deixa?

    abraços

    AK: Não há nenhum impedimento. É que ali só há links de sites e blogs de esportes, e o Mais Gelo. Um abraço.

  • Anna

    Eu acredito em concentração. Acho que vale a pena e o Barça vai ganhar, mesmo fazendo algo diferente do habitual. Também fiquei feliz demais com a foto do Daniel na capa do New York Times. Ele tem muito talento. Pelo visto, é genético, do pai para os filhos.

  • Rodrigo Rodrigues de Oliveira

    Acredito que a necessidade de se concentrar é serve como parâmetro da educação profissional dos jogadores, ou seja, infelizmente é necessário no Brasil.

    Gostaria que você (e seus leitores) lessem esta pequena redação que fiz sobre o uso, ou melhor, contra o uso, da tecnologia no futebol.

    ————————————//——————————————————
    Percebi faz algum tempo que praticamente todos os jornalistas esportivos defendem, com muita ênfase, o uso da tecnologia nos jogos de futebol. Pesquisando um pouco mais sobre o assunto descobri que sou um dos poucos “do contra” no assunto, no qual tantos bons profissionais defendem arduamente e acham um “atraso” o futebol não utilizar dos meios tecnológicos que tanto usa os outros esportes. Confesso que talvez o louco seja eu.
    Defendo meu ponto de vista com somente um argumento:
    O futebol, diferentemente dos outros esportes, possui uma coisa que Tostão chama de “o impoderável”. Uma seqüência de eventos que podem interferir, ou não, numa conclusão que interfere no resultado do jogo. Vamos por um exemplo: Um defensor de um time A rouba a bola, de forma duvidosa e o lance segue. Após 5 minutos (sem a bola sair), o time B marca um gol. Se houvesse uma consulta ao VT e o arbitro entendesse que a roubada do defensor foi faltosa, o que aconteceria? Iam tirar o gol do time B e marcar a falta ocorrida há minutos atrás e depois acrescentar o tempo no acréscimo? E se o jogo rolasse direto por 15, 20 minutos? Ia ser jogado o tempo à toa? O mesmo ocorre para VT’s sobre impedimentos e qualquer outra consulta onde seja necessária uma interrupção não prevista no jogo. E quem decide se o VT vai se chamado ou não? Um jogador, o técnico? Além da potencialidade de uma confusão (o VT não for conclusivo, por exemplo. Um time achar que foi falta e o outro), está o fato em alterar e deixar ainda mais chato o nosso futebol, com paradas e discussões que podem se tornar desnecessárias.
    Acompanho de perto o tênis e o futebol americano, esportes perfeitos para o uso da tecnologia e não vejo o futebol como um desses esportes que possuem uma característica em especial: Diversas pausas e maior número de regras. Nesses esportes, a tecnologia não altera a essência do esporte: sua dinâmica.
    Enfim, gostaria de deixar claro que não sou contra a tecnologia, sou contra a bagunça que virá junto se ela for usada no futebol.

    OBS: Apesar do texto acima, sou a favor do uso da tecnologia em um caso do futebol:
    Bola com chip para ver se foi gol, pois não há pausa (ou escolha) para consulta, e o resultado sai de imediato.
    —————————————-//—————————————————

  • Nilton

    Leandro Azevedo, Anna, a questão da concentração estar baseada na concentração e entrega dos jogadores no jogo/competição, aqui no Brasil na maioria das vezes que um time concentra é por dois motivos apos uma péssima seguencia de resultados ou antes de um jogo importante aonde o técnico percebe que não esta havendo a concentração dos jogadores nos objetivos traçados.
    Eu acredito que isto não acontece com os jogadores do Barça.

    Lembro de quando o André estava na Espanha “sofrendo” para cobrir os 4 El Classic RealxBarça, e da saudade que ele tinha de casa, isto acontece com todos os profisionais que viajam muito porem tem vinculo muito grande com a familia. E não há hotel 5 Estrela que resolva isso.

  • Claudio

    O fato de não utilizar concentrações deve resultar, de cara, em eliminar uma boa quantia nos gastos com hotéis, ônibus, alimentação, etc, ainda que seja realizada em CTs, não acha?

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