SE EU PERDER ESSE TREM…



O avião que nos trouxe do Brasil pousou em Heathrow, no terminal 5.

A conexão para Barcelona era no terminal 3.

Nenhum problema, já que o Heathrow Express passa pelo terminal 3 a caminho do centro de Londres. Além disso, tínhamos umas 3 horas para matar antes do embarque para a Espanha.

Entramos no trem. Ainda faltavam 10 minutos para a partida, quando vi um adesivo no vidro: “conecte-se e usufrua de nossa rede wi-fi gratuita”.

Em segundos, o mundo estava em minhas mãos. Que erro.

O trem parou na estação seguinte, não prestei atenção na voz feminina que anunciou onde estávamos. Permaneci imerso nos emails, nas notícias, no twitter…

Quando percebi uma luz forte entrando pela janela, me dei conta de que já estávamos fora do aeroporto.

Próxima parada: Paddington Station.

Felizmente o tempo era mais do que suficiente para esperar a parada e voltar, no mesmo trem.

E cá estamos de novo em Barcelona.

Domingo de eleições municipais, com mais de 30% de abstenção. A exemplo do que se vê na praça da Porta do Sol, em Madri, a Praça Catalunya foi ocupada por manifestantes acampados.

Eles protestam contra a monarquia, o capitalismo, os políticos, a crise econômica, a corrupção. O lema do movimento 15M (15 de maio, data do início) é “nossos sonhos não cabem em suas urnas”.

Encontramos uma estudante brasileira, de Salvador, com um cartaz na mão. Entre tantas faixas com protestos em catalão e espanhol, ela trazia um verso de Chico Buarque: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”.

Eu me identifiquei mais com outro, que dizia “50% dos problemas de nosso país seriam resolvidos com 20 anos de cadeia para políticos corruptos”.

O movimento, que se repete em praças de várias outras cidades espanholas, divide opiniões. Há sociólogos que, respeitadas as devidas diferenças, enxergam algo de 1968.

Outros veem apenas uma “festa de rua”, estimulada pelas mídias sociais e pelo altíssimo (40%) desemprego entre jovens.

Há quem também perceba uma relação com as recentes revoltas em países árabes, apesar de a Espanha não viver sob uma ditadura e da ausência de violência nas ruas.

Independentemente do ângulo, foi claro o impacto das manifestações no dia da eleição.

Falando de futebol, o Barcelona inicia amanhã sua semana final na Liga dos Campeões, com um dia dedicado à imprensa.

Lionel Messi concederá uma rara entrevista coletiva (passei 3 semanas ao lado do time, ele não falou uma única vez) no fim da tarde, antes da sessão de Pep Guardiola com os jornalistas.

Na sequência, um treino de uma hora de duração será inteiramente aberto às câmeras.

E depois, os outros jogadores do time passarão pela zona mista no Camp Nou.

Suspeito que Messi entendeu que precisava dizer algo na semana da final da UCL. Se estivesse junto com os outros, a confusão na zona mista seria incontrolável. Por isso a coletiva.

E no final da noite acontecerá uma cena interessante na loja oficial do clube, no estádio. Entre 23h e 01h30, o novo uniforme do Barcelona começará a ser vendido.

As primeiras 1899 pessoas que comprarem a nova camisa azul-grená (nota pessoal: ficou muito feia, descaracterizando as famosas listras, uma infelicidade) terão em mãos algo único. Numa alusão ao ano de fundação do Barcelona, as camisas serão numeradas na manga esquerda.

Estarei lá para ver o tamanho da fila.



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