NOTAS PÓS-RODADAS (e um deputado atuante)



O gol de Neymar (Santos 1 x 1 Once Caldas: Rentería fez o gol colombiano) criou a expectativa de uma noite tranquila no Pacaembu.

Mas logo se perceberia por que o Once Caldas saiu da Copa Libertadores invicto como visitante.

Por mais surpreendente que sejam, esses jogos costumam seguir um padrão. O mandante é melhor, joga bem, abre o placar. Mas aí, em vez de aproveitar a vantagem e o espaço oferecido pelo adversário, começa a perder gols.

A sensação de que o jogo se complicará se instala. Quando sai o gol de empate, a irritação vem acompanhada de resignação. Estava na cara que ia acontecer.

O segundo tempo foi muito bom de ver. Suspeito que a frequência cardíaca do santista tenha se elevado um pouco, por causa da correria, das numerosas oportunidades, todas perdidas.

Neymar (falaremos do pênalti mais adiante) jogou bem, de novo. Colocou sua habilidade à serviço do time.

No 1 contra 1, é um jogador letal como poucos no futebol mundial. Isso mesmo, mundial.

Claro que teremos uma ideia mais clara quando o virmos enfrentar marcações mais competentes, na Europa. Mas acredito que o resultado será o mesmo.

Neymar passa pelos zagueiros como se eles não estivessem ali.

Sobre o pênalti perdido: claro, era o momento de decidir o jogo e coroar a atuação. Neymar falhou e não foi a primeira vez.

Pênalti é confiança, tranquilidade e treino. Obviamente, o treino não reproduz o instante da cobrança no jogo. São condições muito distintas de temperatura e pressão. Mas a repetição ajuda a preparar o batedor no aspecto psicológico, crucial.

As palavras não são minhas. São do maior cobrador de pênaltis que vi, Evair.

Evair também diz que quanto mais você acerta, mais tranquilo se sente para bater o próximo, e o próximo.

Neymar já perdeu alguns pênaltis e a mesma dúvida que você tem quando ele ajeita a bola, ele também deve ter.

Interessante questão para o futuro.

______

O Vasco (1 x 1 com o Avaí: Julinho e Diego Souza) teve chances para sair de São Januário com a consciência de que fez seu papel.

Marcinho Guerreiro desviou de cabeça um gol certo de Diego Souza. E Élton perdeu outro após ótima jogada do mesmo Diego.

Um gol fora de casa era tudo que o Avaí queria, mesmo que não vencesse o jogo. Mas é evidente que, quando se leva o empate nos acréscimos, o que fica é que poderia ter sido melhor.

Eu marcaria o pênalti do goleiro Renan em Élton. Pela TV, não marcaria o de Gustavo Bastos no atacante vascaíno.

O árbitro Wilson Luiz Seneme marcou o segundo porque não marcou o primeiro.

Na Ressacada, a pressão sobre o Vasco será enorme. Não há como não considerar o Avaí favorito à decisão da Copa do Brasil.

______

O placar de 0 x 0 (Ceará x Coritiba) no jogo de ida de um mata-mata dá motivos para os dois times o olharem com simpatia.

O visitante empatou fora. O mandante não levou gol.

Defesas de FH e Edson Bastos garantiram o zero em Fortaleza e o confronto ficou aberto para a semana que vem.

Mas é lógica a conclusão de que, se há um favorito para vencer o jogo no Couto Pereira, é o Coritiba.

O suspense fica por conta do empate com gols, trunfo do Ceará.

______

Vivemos num país interessante.

O dinheiro de impostos está jorrando nas obras dos estádios para a Copa de 2014, como se fosse um poço de petróleo recém-descoberto.

A Fifa exige o que bem entende, orçamentos são refeitos, logicamente sempre para cima. Cronogramas estão atrasados, talvez por conveniência.

E os políticos brasileiros, quando não aplaudem a gastança de verbas públicas, assistem a tudo como se fosse absolutamente normal numa nação subdesenvolvida como a nossa.

Eis que vem de Brasília um projeto transformador.

O deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO) apresentou na semana passada um Projeto de Lei que cria cotas para jogadores “estrangeiros” na Seleção Brasileira.

Não, o nobre deputado não está brincando.

Ou será que está?

Veja, abaixo, o que ele declarou ao portal Uol:

“Quando sai uma convocação, vem Gomes, que joga não sei aonde, Julio Cesar, que joga não sei aonde e Euller, enquanto o Rogério Ceni, que é um baita jogador, não foi convocado por discriminação absoluta”, disse o deputado, citando três goleiros e o atacante Euller, que não é lembrado pela seleção brasileira há mais de dez anos.

“A grande prova disso foi o Afrânio, da Dinamarca [referindo-se a Afonso Alves, convocado por Dunga quando atuava na Holanda]. Na última tinha um não sei o quê Luiz [lembrando David Luiz, zagueiro do Chelsea]”, emendou Arantes, que foi mais além ao lembrar do meia Ramires, ex-Cruzeiro e hoje no Chelsea.

“O Benitez só foi chamado quando foi jogar lá fora”, completou.

Tá feia a coisa.

Quer saber se o deputado Arantes assinou o requerimento da CPI da Copa do Mundo?

Claro que não.



MaisRecentes

Cognição



Continue Lendo

Sete dias



Continue Lendo

Em voo



Continue Lendo